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O Skype está morto. Só falta enterrar…

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Desde os primeiros dias da internet, quando tudo isso aqui era mato e os geeks velhos como eu caminhavam com os dinossauros, o Skype se destacou como a plataforma pioneira das videochamadas, permitindo que pessoas se conectassem através de voz e vídeo sem fronteiras geográficas.

Era uma revolução. Uma solução econômica para as chamadas de longa distância, e uma forma eficiente de se comunicar com amigos e familiares. E eu testemunhei a sua dominância em relação a outras propostas como mIRC, ICQ e derivados. Para quem pagava interurbano nas ligações telefônicas, o Skype era uma vitória.

Mas o tempo passou, e o Skype perdeu sua posição de destaque para concorrentes como Zoom, Google Meet e Microsoft Teams.

Afinal de contas… o que aconteceu com a antiga “deusa” das videochamadas?

 

A competição interna

Quando a Microsoft adquiriu o Skype, muitos acreditavam que isso impulsionaria ainda mais o sucesso da plataforma. Afinal de contas, estamos falando aqui da gigante de Redmond, e uma das empresas mais poderosas do mundo da tecnologia. Não se esqueça: o Windows tinha um autêntico monopólio nos computadores.

Paradoxalmente, a competição interna surgiu pelas mãos da própria Microsoft, com o lançamento do Teams, uma ferramenta de comunicação corporativa que acabou ofuscando o Skype. A empresa se viu dividida entre promover duas soluções semelhantes, mas o Teams ganhou preferência e investimentos, enquanto o Skype foi deixado em segundo plano.

A impressão que fica é que a Microsoft só queria usar as tecnologias do Skype no Teams, solução que ela mesma criou, pois isso gera um marketing positivo e agrega valor para o produto próprio. Pelo visto, a ideia nunca foi impulsionar o software que custou alguns bilhões de dólares para os cofres da empresa de Redmond.

Até porque dinheiro nunca foi um problema para a dona Microsoft.

 

Não acompanhou a marcha da evolução

Embora tenha sido um aplicativo revolucionário nos anos 2000, o Skype não conseguiu acompanhar o ritmo das mudanças tecnológicas e as demandas crescentes dos usuários.

Durante a crise sanitária global cujo nome acaba com o alcance de determinados conteúdos na internet, quando as videochamadas se tornaram uma necessidade vital para o trabalho remoto e a comunicação pessoal, o Skype ficou para trás. As pessoas recorreram a alternativas mais modernas e abrangentes, como o Zoom, que se tornou sinônimo de chamadas de vídeo na web.

A falta de marketing eficaz e a incapacidade de atrair as novas gerações também contribuíram para o declínio do Skype.

Enquanto plataformas como o WhatsApp se atualizavam constantemente com recursos aprimorados, o Skype parecia estagnado e incapaz de acompanhar o ritmo. As restrições impostas pela Microsoft sobre o uso do aplicativo, que são semelhantes às adotadas por algumas plataformas como o Google Meet, que exigem pagamentos após um determinado período de chamada, também contribuíram para o êxodo de usuários.

Na prática, a Microsoft abandonou essa criança carente chamada Skype na chuva fria, e quando se deu conta, o rebento estava morrendo de pneumonia.

 

Microsoft bem que tentou salvar o Skype..

A Microsoft tentou impulsionar o Skype de alguma forma, integrando o aplicativo ao Outlook e ao Windows, além de adicionar recursos como o chatbot de inteligência artificial gerativa Bing. Mas esses esforços não foram suficientes para reverter a tendência de queda de usuários.

Era tarde demais.

Em março de 2020, a Microsoft anunciou que o Skype contava com 40 milhões de usuários ativos diariamente. Esse número, no entanto, diminuiu para 36 milhões, de acordo com informações internas compartilhadas com a mídia.

Enquanto isso, o Microsoft Teams experimentou um crescimento impressionante. Saltando de quase 250 milhões de usuários mensais em julho de 2021, o Teams atingiu um recorde de mais de 300 milhões de usuários no primeiro trimestre de 2022.

Ou seja, parece que o Skype se tornou uma relíquia do passado, perdendo a batalha para as ferramentas de comunicação mais modernas. Envelheceu, se aposentou, e hoje joga dominó na praça.

O que torna essa situação ainda mais decepcionante é o fato de que o Skype foi uma plataforma pioneira, que conseguiu mudar a forma como nos comunicamos. Muitos de nós tivemos experiências marcantes ao usá-lo para nos conectar com entes queridos em diferentes partes do mundo.

No final das contas, seremos um bando de saudosistas que, de forma hipócrita, não sentem falta do Skype neste momento.

 

Conclusão

O Skype ainda existe (ou pelo menos está vivo no momento em que esse artigo foi produzido), e ainda é útil para quem entende que ele é uma boa alternativa de comunicação. Mas é evidente que perdeu relevância e popularidade diante das alternativas mais modernas e abrangentes disponíveis atualmente.

Seus tempos de glória ficaram para trás, e hoje o aplicativo de comunicação da Microsoft se tornou uma lembrança distante.

Quem é que precisa do Skype quando temos o WhatsApp?

Isso mesmo: (quase) ninguém.


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