Não é mais Bard. Agora, chame de Gemini

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Vamos combinar: o Google é um indeciso bipolar.

Ele não consegue manter serviços por muito tempo, se considera uma organização “beta”, mata recursos da mesma forma como o Leonardo di Caprio troca de namorada quando ela completa 30 anos de idade… e agora, inventa a moda de mudar serviços de nome depois de pouco tempo de funcionamento.

O Bard não durou nem um ano com esse nome. O Google decidiu renomear o seu sistema de Inteligência Artificial, que agora se chama oficialmente Gemini.

Eu sei que entender o que se passa na cabeça dos diretores do Google é uma tarefa bem complexa, mas estou aqui para (ao menos) tentar explicar a mudança, e como esse rebatizado vai afetar as nossas vidas.

 

Por que mudou de nome?

Olhando de longe, só posso concluir que o Google está eliminando nome Bard de sua vida para tentar limpar o filme do seu modelo de Inteligência Artificial.

Para quem não se lembra, o começo da vida do Bard foi bem problemático e até de gosto duvidoso para muitos usuários e profissionais do setor. As falhas constantes e as respostas mentirosas afetaram a credibilidade da plataforma.

Eu mesmo escrevi na época do seu lançamento que o Bard era tão mentiroso que o ChatGPT em suas respostas, inventando contextos para entregar o que foi solicitado. E isso acabou depondo contra a plataforma.

Já o Gemini não só promete ser mais potente e eficiente nas respostas, como também conta com a “chancela” (e entenda que estou usando as aspas como figura de linguagem) da Samsung, que aposta nessa tecnologia para turbinar a Galaxy AI presente nos dispositivos Galaxy S24.

O recado do Google nessa decisão é bem claro: “vamos fingir que nada do que aconteceu nos últimos (quase) 12 meses não aconteceu, e nossa proposta de IA que vale a partir de agora é o Gemini”.

Então tá bom!

 

Três modelos de linguagem

O Gemini é composto por três modelos de linguagem diferentes, que entregam a mesma eficiência base nas respostas, mas com finalidades definidas para cada cenário:

  • Gemini Ultra: para as tarefas mais complexas do usuário, como solução de códigos de programação e HTML, desenvolvimento avançado de projetos ou atividades com elevado potencial de processamento;
  • Gemini Pro: é a versão “base” da IA, que pode funcionar nos mais diferentes tipos de tarefas, indo de produção de textos até a criação de imagens, passando por produção de tabelas, tarefas de escritório, desenvolvimento de roteiro de viagens e outras atividades;
  • Gemini Nano: desenvolvido para ser eficiente na execução de tarefas em dispositivos móveis, entregando de forma mais rápida e com menor exigência do hardware respostas rápidas sobre dúvidas e pesquisas na internet em poucos segundos.

Dentro do Gemini Ultra existe o novo serviço pago Gemini Advanced que o Google anunciou com a “morte” do Bard. A nova ferramenta estará disponível para os assinantes do Google One do plano com 2TB de armazenamento ou superior (é o meu caso, felizmente).

Dessa forma, o Google oferece uma alternativa avançada (e paga) ao ChatGPT Plus e ao recém anunciado Copilot Pro da Microsoft (que também usa o GPT-4 da OpenAI), deixando a competição neste campo em um autêntico “2 contra 1”… até que a Apple entre de vez nessa briga.

O Google aproveitou a oportunidade para anunciar o lançamento do Gemini App para dispositivos móveis, que permite a interação do usuário por texto, fotos ou voz. Sua abordagem é multimodal, o que reforça o desejo da gigante de Mountain View em competir de forma direta com o ChatGPT, entregando uma maior versatilidade de opções para o usuário.

Poder interagir com a Inteligência Artificial por outros meios que não necessariamente envolvem o texto para os prompts é um dos segredos para qualquer plataforma que deseja dominar o segmento.

Essa bola já está cantada nos dispositivos móveis. O próprio Galaxy AI com recursos como a tradução automática e o Circle to Search deixam claro que o caminho é esse. E a Apple já flerta com soluções semelhantes, como o seu mecanismo de otimização de imagem.

A diferença aqui é que a Apple só vai assumir de forma escancarada que vai utilizar a Inteligência Artificial no iOS (e no iPhone) no final de 2024. Mas não se deixe enganar, meu jovem: essa tecnologia já está presente no smartphone mais vendido do planeta.

 

Quando o Gemini estará disponível no Brasil?

Antes de responder a pergunta de R$ 1 milhão (ou mais), é importante que você saiba que o Gemini pode substituir o Google Assistente em dispositivos Android no futuro, o que faz todo o sentido do mundo, principalmente pensando na expansão do recurso junto ao grande público.

Com funções tão semelhantes, não faz muito sentido manter recursos similares em um mesmo sistema operacional. Ainda mais pelo fato de o Gemini ter um potencial muito maior do que o Assistente, e ambos dependendo da internet para oferecer as melhores respostas.

A interação por diferentes vias para executar várias tarefas (cujas possibilidades serão expandidas com o passar do tempo) tornam o Gemini um excelente substituto do Assistente no futuro. E eu mal posso esperar para isso acontecer.

O problema? Eu não faço a menor ideia de quando o Gemini vai desembarcar no Brasil.

O Gemini está sendo implementado nos Estados Unidos e, pelo menos neste primeiro momento, só compreende o inglês. Existem planos para a expansão da plataforma para outras localidades ou idiomas, mas o Google não fala sobre prazos.

Tudo o que sabemos é que o Gemini App estará disponível nos dispositivos norte-americanos primeiro, para só depois acontecer uma expansão geográfica do serviço nas próximas semanas.

Já o plano Google One AI Premium com o Gemini Ultra 1.0 já está disponível no Brasil. Quem tem o Google One normal pode fazer o upgrade, desde que aceite pagar R$ 96 por mês para ter a IA integrada nos seus serviços Google (com os dois primeiros meses de graça).

Ou seja, o jeito é esperar até que o Gemini dê o ar de sua graça por aqui de forma gratuita. E até lá, o ChatGPT e o Copilot vão ganhando audiência entre os brasileiros.

 

Glossário

TERMO

O QUE É

GEMINI

Plataforma para acessar os modelos de inteligência artificial do Google. Até agora, era conhecido como Bardo.

Você também pode se referir à família de modelos de IA do Google (Gemini Nano, Gemini Pro e Gemini Ultra).

GEMINI ADVANCED

Plataforma para acessar o Gemini Ultra 1.0. Se não tivesse havido mudança de nome, seria o equivalente a Bard Advanced.

GEMINI ULTRA 1.0

O modelo de IA mais poderoso da família Gemini.

GOOGLE ONE AI PREMIUM

É necessária assinatura para acessar o Gemini Advanced. Ele custa R$ 96/mês no Brasil e inclui, além do acesso à melhor IA do Google, 2 TB de armazenamento em nuvem, recursos de edição do Google Fotos, melhorias no Google Meet e no Calendário e recompensas na Google Store.


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