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“Ele será econômico”, eles disseram.

Tá, ele pode custar menos que o Samsung Galaxy Fold e os seus R$ 12.999, mas não dá para dizer que o preço sugerido no Brasil para o Motorola Razr exatamente de “econômico”. No máximo ele é menos caro.

De qualquer forma, a Motorola anunciou o início da pré-venda (limitada, é claro, pois a marca precisa fazer o hype crescer) do Motorola Razr na sua loja online, quiosques e operadoras parceiras. A estratégia é parecida com aquela adotada pela Samsung com o Galaxy Fold, apesar dos coreanos irem um pouco além, lançando o telefone uma primeira vez por apenas 24 horas (porque faltava um argumento para justificar o preço absurdamente elevado).

No caso da Motorola, os consumidores vão receber o produto em até 20 dias úteis a partir da data de compra. Ou seja, terá uma ordem de chegada em função das vendas concluídas.

Agora… o preço sugerido do primeiro smartphone dobrável em formato flip no Brasil? Bem salgado: R$ 8.999.

É claro que o valor pode variar, dependendo do local onde você compra (certamente esse preço deve ser menor nas operadoras). Mesmo assim: nem mesmo a nostalgia, o efeito zero gap (onde os dois lados da tela se fecham por completo, protegendo o dispositivo de sujeira e poeira), e o fator I+D justificam esse valor.

 

 

Cobram caro por uma tecnologia que ainda está em desenvolvimento

 

 

Aqui, está valendo a mesma regra do Galaxy Fold. Você faz com o seu dinheiro o que você quiser, mas saiba que ser um early adopter tem o seu preço. Nesse caso, um preço elevadíssimo, que não se justifica por uma série de fatores.

Pagar esse valor por um produto importado é uma loucura. Se vai comprar um desses modelos (apesar de entender que é um risco muito grande ser a primeira geração de uma tecnologia nova), viaje para o exterior e compre o produto por lá. No Brasil, não dá para pagar o que os fabricantes estão pedindo (mesmo porque a cotação do dólar nesse momento está R$ 4,24, e não R$ 10 como sugerem os fabricantes).

Além disso, estamos falando de uma tecnologia que não está amadurecida. Nem de longe. Tanto Samsung quanto Motorola tentaram “normalizar” os problemas que Galaxy Fold e Razr apresentaram em suas respectivas telas flexíveis, e se é para pagar esse valor em um produto de tecnologia, ele precisa estar simplesmente impecável.

Nem digo perfeito, pois produto perfeito não existe. Mas também não dá para dar a entender que um problema típico de uma tecnologia que aind vai amadurecer pode ser algo “normal”. Se um telefone desse dá problema em um momento importante da vida de um executivo (por exemplo), é o próprio usuário que paga a conta da forma mais cara, e não o fabricante do produto.

Por isso, insisto na narrativa: o preço do Motorola Razr no Brasil é algo surreal, proibitivo e fora dos padrões. Aliás, a Motorola vende ele como um telefone premium apenas pelo seu conceito, e não pela oferta de hardware. Ou seja, se criticaram quando falaram que o Pocophone F1 era “top de linha” sem ser, temos que fazer o mesmo com esse modelo.

Conceito premium não quer dizer que virou modelo top. Quero ver se vai continuar a ser top na mão dos usuários que perceberem as primeiras bolhas nessa tela.


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