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Gravadoras com medo do “Taylor’s Version”

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Em 2021, Taylor Swift anunciou seu ambicioso projeto de regravar todos os álbuns lançados sob o selo da Big Machine Records. E esse movimento deixou a indústria fonográfica dando cambalhotas.

Muitos viram com ceticismo a decisão de Taylor, mas o movimento solidificou ainda mais a sua dominância e relevância na indústria musical. O resultado do movimento foi um sucesso estrondoso, deixando a cantora multimilionária.

Agora, estamos diante de um precedente que deixa a indústria fonográfica desesperada, em uma mudança de paradigma que vai transformar a relação entre artistas e gravadoras para sempre.

 

Uma jornada épica

Desde o anúncio das regravações, Taylor Swift lançou suas versões revisadas de álbuns como ‘Fearless’ e ‘Red’, que foram rebatizados com o sufixo ‘Taylor’s Version’. Ao mesmo tempo, a cantora entregou o seu décimo álbum, ‘Midnights’, e executou a The Eras Tour, que virou um documentário que também revolucionou a indústria cinematográfica (mas vou falar mais sobre isso em outro momento).

Taylor Swift não descansa. Ela retomou as regravações em julho de 2023, com o lançamento de ‘Speak Now’, e ‘1989’ também foi relançado. Agora, só faltam os álbuns ‘Taylor Swift’ (2006) e ‘Reputation’ (2017) para completar o ciclo de revisões das obras.

O objetivo central de Taylor Swift ao empreender esse monumental esforço é a recuperação de seus masters originais, que foram adquiridos pela Big Machine Records e, posteriormente, passaram para as mãos da firma de investimento Shamrock Capital. O grande problema aqui é que os registros fonográficos de Taylor foram parar nas mãos de Scooter Braun, empresário e desafeto da cantora.

A Big Machine propôs a devolução das masters em troca da criação de novos álbuns pela gravadora, uma exigência que Swift não estava disposta a cumprir. Por isso, ela mudou de gravadora e decidiu regravar tudo para ser dona de sua própria obra.

 

Um movimento genial

Regravar seus discos é uma tarefa que Taylor Swift abraçou com dedicação, esforço, sagacidade e senso comercial.

Além das faixas revisadas, a artista lançou uma série de novas músicas e bônus em cada regravação, injetando vitalidade em álbuns que, de outra forma, poderiam ter sido esquecidos. Ela basicamente reativou projetos que estavam aposentados, e garantiu os lucros para as suas versões oferecendo itens exclusivos.

Este não é um conceito inédito na indústria fonográfica, pois vários outros artistas fizeram o mesmo ao longo dos últimos 50 anos. Mas Taylor Swift elevou o conceito a um patamar sem precedentes, obtendo um sucesso que (esse sim) é inédito.

E é claro que as gravadoras olharam para tudo isso. E começaram a se preocupar.

 

O pânico das grandes gravadoras

As gigantes da indústria musical entenderam o que Taylor Swift fez. Universal Music Group, Sony Music Entertainment e Warner Music Group já se preparam para evitar que outros artistas sigam o mesmo caminho.

Essas mesmas gravadoras começaram a incluir cláusulas em novos contratos que proíbem a regravação de sucessos até 10, 15 ou até 30 anos após o término do vínculo do artista com a gravadora.

Por outro lado, o caso de Taylor Swift era recorrente dentro da indústria, e vários artistas já se respaldam garantindo em seus contratos a propriedade das masters, permitindo que a música registrada é sua, e que pode ser carregada para qualquer gravadora no futuro.

Os impactos da decisão de Taylor Swift foram devastadores apenas para a Big Machine Records. A cantora pediu para que fãs e estações de rádio promovessem apenas as novas versões de suas músicas, e os acordos de direitos autorais com empresas de marketing e publicidade só são realizados a partir de agora com as chamadas Taylor’s Version.

 

Taylor Swift, uma especialista em promover mudanças

Tudo isso marca uma mudança de paradigma na indústria da música. Para sempre.

Não é a primeira vez que Taylor Swift desafia o status quo da indústria da música. Ela já enfrentou gigantes como Spotify, Apple e Ticketmaster em busca de melhores condições para artistas e fãs.

Além disso, distribuiu seu documentário de sucesso de forma independente e reinventou a promoção de seus álbuns com edições físicas especiais e exibição nos cinemas. E quem copiar os passos de Taylor vai se dar bem.

A trajetória de Taylor Swift a torna um ícone da resistência dos artistas mainstream contra o poder das grandes gravadoras que, de alguma forma, são obrigadas a se adaptar às novas dinâmicas. A artista não apenas defende e redefine seu próprio legado, mas também influencia o rumo da música para artistas que buscam maior controle sobre suas obras.

E que as pessoas parem de dizer que tudo isso só está acontecendo por causa do Kanye West. Taylor Swift já provou ao mundo por diversas vezes que seu talento criativo e visão de negócios são mais que suficientes para que ela mesma controle sua história e narrativa.


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