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Por que os smartphones com fones de ouvido, carregadores e cabos desapareceram do mercado?

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Pode não parecer, mas eu bem sei que vivemos tempos difíceis nos aspectos econômicos ao redor do mundo. E não só isso: em diferentes setores de nossas vidas, como por exemplo visões políticas, questões ambientais e crises sanitárias não ajudam a melhorar a condição financeira de bilhões de pessoas.

Porém, um dos aspectos mais curiosos do mundo da tecnologia que são difíceis de se alinhar com esses fatores é o desaparecimento dos acessórios no kit de venda dos smartphones.

Alguns itens até dá para entender e compreender a ausência. Porém, outros elementos são fundamentais para o funcionamento do produto e, mesmo assim, desapareceram dos kits de venda.

Afinal de contas… o que aconteceu aqui?

 

Primeiro, adeus aos fones de ouvido

Tal e como acontece com boa parte das mudanças negativas que afetam o segmento de telefonia móvel, a culpa aqui foi da Apple, que eliminou o conector para fones de ouvido de 3.5 mm do iPhone 7.

Sendo assim, a mesma Apple entendeu que não havia mais a necessidade de incluir o acessório no kit de venda do produto, mesmo contando com um fone de ouvido com fio compatível com o conector Lightning. Afinal de contas, a empresa da maçã mordida encontrou a desculpa perfeita para lucrar um pouco mais vendendo o acessório em separado.

Além disso, sem o conector para fones de ouvido, os usuários poderiam migrar sem maiores problemas para os fones Bluetooth, algo que aconteceu naturalmente (ou não).

E praticamente todos os demais fabricantes de smartphones decidiram seguir o método “aonde a vaca vai, o boi vai atrás”, trilhando o mesmo caminho da Apple nessa decisão.

Ao longo dos últimos anos, muitas críticas foram feitas por causa dessa decisão. Um grande grupo de usuários defendeu a ideia que a qualidade dos fones com fio era superior em relação aos fones Bluetooth, principalmente no aspecto da latência menor dos fones cabeados.

Porém, com o passar do tempo e a evolução tecnológica, os fones de ouvido Bluetooth melhoraram de forma considerável, se tornando o padrão do mercado e o produto ideal para a maioria dos usuários que só gostaria de ouvir música de forma mais confortável e prática.

No final, apenas os gamers e fanáticos por filmes e séries no smartphone ainda insistem nos fones de ouvido com fio e, ainda assim, acabam dando o seus pulos para resolver a questão. Ou seja, a imposição dos fabricantes de smartphones não foi algo tão sério quanto poderia ser.

Porém, depois disso… foi só ladeira abaixo.

 

Depois, nada de carregador ou cabos

Aqui, as coisas começam a se complicar, a ponto de ficarem nefastas.

De novo: a culpa aqui é da Apple que, em 2020, decidiu que os usuários do iPhone já contavam com cabos e carregadores demais em suas casas, e esse entendimento resultou na retirada desses itens do já pobre kit de venda do produto.

A desculpa aqui foi a redução de resíduos eletrônicos que poderiam resultar em um impacto negativo no meio ambiente. O problema é que caixas para os carregadores vendidos em separado não reduz em nada a emissão de papel, criando assim um cenário contraditório nessa narrativa.

Mas o aspecto mais sério dessa problemática é que os modelos mais recentes do iPhone são compatíveis com o modo de recarga rápida, e os carregadores que os usuários já tinham na mão (segundo a própria Apple) não são compatíveis com essa nova tecnologia de carga de bateria com maior velocidade em sua esmagadora maioria dos casos.

Resultado: se você comprou um novo iPhone, foi obrigado a comprar um novo carregador compatível com sua recarga rápida. Ou seja, deu na mesma em todos os aspectos, piorando em vários sentidos para os usuários, que precisam pagar a mais para ter uma experiência completa.

E eu nem preciso dizer que a grande maioria dos fabricantes de smartphones seguiram os passos da Apple, mais uma vez. Com raríssimas exceções.

Hoje, temos o surreal cenário onde smartphones caríssimos (custando R$ 5 mil ou mais, alcançando os obscenos valores de R$ 15 mil em alguns casos) chegam ao consumidor sem qualquer tipo de carregador ou cabo de recarga, elementos que são considerados fundamentais para o funcionamento ou experiência completa com o dispositivo.

 

Um futuro sombrio

Pelo menos por enquanto, ainda existem algumas poucas exceções entre os fabricantes de smartphones que oferecem um kit de venda completo, com todos os tipos de acessórios considerados essenciais para um bom funcionamento do dispositivo desde o primeiro dia de venda.

Para mencionar algumas marcas, temos Xiaomi, Oppo, realme e outras marcas chinesas que ainda adotam essa prática. Em alguns casos, as marcas oferecem também cases e películas para proteção e tela, indo além dos elementos considerados obrigatórios para o pleno funcionamento do dispositivo.

Logo, os usuários que entendem que merecem ser respeitados pelos elevados valores pagos nos smartphones e, por conta disso, merecem ter todos os acessórios para obter uma experiência de uso completa com o dispositivo, devem procurar neste momento as marcas chinesas que ainda preservam a boa prática em oferecer os itens complementares que sempre estiveram disponíveis nesses kits de venda dos produtos.

Porém, o que muita gente já entende a essa altura do campeonato é que a tendência da caixa do produto só contar com o smartphone e os manuais (de papel, porque esses nunca desaparecem, de forma bem estranha) deve se tornar definitiva.

E tal previsão acontece por um motivo muito simples: a recarga de bateria sem fio.

Com a maioria dos fabricantes adotando os sistemas de recarga sem fio nos telefones em todos os segmentos de preço e especificações técnicas, a tendência é que até mesmo os fabricantes chineses que ainda oferecem os carregadores e cabos deixem de lado essa prática.

E quando isso acontecer, será um caminho sem volta. A maioria dos usuários já contará com bases de recarga sem fio em casa que já são compatíveis com diferentes dispositivos com tecnologias de recarga rápida de bateria.

Vamos observar como os fabricantes vão se comportar diante disso. Mas não está difícil imaginar um futuro em que não teremos sequer uma porta de recarga para conectar o cabo do carregador tradicional.

Que dirá os carregadores e cabos tradicionais que existem desde o início da telefonia móvel atual.

É melhor começar a aceitar desde já e se despedir do carregador de smartphone que você sempre conheceu.


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