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Netflix não sabe o que fazer com tantos discos de DVD e Blu-ray

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Uma vez conhecida simplesmente como uma plataforma de streaming de vídeo, a Netflix é um marco na evolução do entretenimento doméstico. Seu logotipo icônico e as sete letras que compõem seu nome tornaram-se sinônimo de uma vasta biblioteca de conteúdo oferecida pela internet mediante uma assinatura mensal. Mas essa história vai muito além do que aparenta à primeira vista.

Ao pensar na Netflix, a maioria das pessoas instantaneamente a associa à transmissão de filmes e séries direto para suas telas. No entanto, a empresa já foi um player diferente no mercado do entretenimento: ela alugava filmes em DVD, que eram entregues nas residências dos assinantes, via correios.

Acontece que esse serviço de aluguel de DVDs da Netflix vai encerrar de vez na semana que vem, e a empresa não sabe o que fazer com o catálogo de mídia física que possui.

 

O início da Netflix que poucos conhecem

Fundada por Reed Hastings e Marc Randolph, a Netflix teve sua estreia no mundo do aluguel de DVDs com o envio de seu primeiro filme, o terror cômico “Beetlejuice”, no dia 10 de março de 1998. Naquela época, o cenário do entretenimento estava longe do que conhecemos hoje. A revolução digital ainda não havia transformado completamente o consumo de conteúdo.

Na verdade, a principal concorrente da Netflix não era a TV por assinatura como é hoje, mas sim a Blockbuster, que simplesmente desapareceu… por causa da própria Netflix.

À medida que a tecnologia progrediu e a conexão com a internet se tornou mais rápida e presente na maioria das residências, os DVDs e Blu-rays começaram a perder terreno frente à ascensão das plataformas de vídeo sob demanda. A Netflix, atenta a essas mudanças, não apenas se adaptou, mas também ajudou a moldar o futuro do entretenimento.

Milhões de dólares foram investidos em estrutura, servidores e produções originais, tornando a Netflix uma gigante da indústria do entretenimento.

Em contrapartida, os estoques de DVDs e Blu-rays da Netflix ficaram lá… parados, abandonados e esquecidos no churrasco da vida.

 

O que a Netflix vai fazer com tanta mídia física?

Toda evolução traz consigo transformações e despedidas. Em abril deste ano, a Netflix anunciou o encerramento de seu negócio de aluguel de DVDs. Após mais de 5,2 bilhões de envios ao longo das décadas, a era dos DVDs enviados pelo correio está chegando ao fim. O dia 29 de agosto de 2023 marcará o término desse capítulo na história da empresa.

Mas esse “final de temporada” trouxe consigo uma reviravolta inesperada. Alguns assinantes da Netflix têm recebido discos adicionais junto com seus pedidos regulares de DVDs. No entanto, o que inicialmente foi interpretado como um presente nostálgico é, na verdade, uma questão legal. Os assinantes devem devolver esses discos extras, uma vez que a propriedade dos filmes e conteúdos continua sendo da empresa de Reed Hastings.

Enquanto os discos adicionais reavivam memórias da época em que o aluguel de DVDs era o normal para todos nós, a Netflix enfrenta a questão do que fazer com os milhões de discos acumulados ao longo das décadas. Embora possa ser tentador imaginar a empresa distribuindo esses discos entre seus assinantes nos Estados Unidos, as tais questões legais e de propriedade limitam essa possibilidade.

Os especialistas legais explicam que a Netflix detém licenças para exibir conteúdo, mas não pode ceder a propriedade a ninguém. Isso levanta uma série de dúvidas sobre o destino desses discos físicos. Muito provavelmente os discos serão destruídos ou devolvidos para os respectivos donos dessas propriedades.

O efeito colateral disso é que a própria Netflix vai ter que abraçar um prejuízo considerável com o fim do envio dos DVDs e Blu-rays pelos correios mediante aluguel. Mas não há muito o que a empresa possa fazer neste aspecto: a evolução tecnológica aconteceu, e ela mesma foi uma das responsáveis pela morte das mídias físicas.

Se bem que… tem a Disney, que decidiu relançar algumas de suas séries originais em Blu-ray. Muito provavelmente porque Bob Iger entendeu que ainda dá para lucrar com a venda de mídias físicas…

…e que os espectadores se deram conta de que vão ficar sem esse conteúdo no futuro.


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