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O Xiaomi Pocophone F1 foi o smartphone mais comentado de 2018. Todos ficaram impressionados com o fato de um smartphone com o processador Snapdragon 845, acompanhados de até 6 GB de RAM e 128 GB de armazenamento, com bateria de 4.000 mAh e (hoje) com Android 9.0 Pie custar menos de R$ 2.000 (o modelo mais básico, com 64 GB de armazenamento, já é encontrado por R$ 1.500).

É claro que não existem mágicas aqui. A Poco, sub-marca da Xiaomi, além de ser uma empresa nova com diferentes condições fiscais (mais competitivas), realizou uma série de concessões para entregar um dispositivo que recebe a melhor relação custo/benefício entre os telefones com o processador mais completo da Qualcomm (até a chegada do Snapdragon 855 em 2019).

Que a gente sabe que o Xiaomi Pocophone F1 é o melhor smartphone que o seu dinheiro pode comprar se você está pensando em desempenho, isso é fato. Agora, precisamos descobrir o quanto ele realmente é bom, e o que você mais ganha (e mais perde) ao escolher esse dispositivo.

Nesse review, vamos tentar responder as principais dúvidas daqueles que estão pensando em comprar esse dispositivo. Depois de um mês de testes de atualizações que me levaram ao Android 9 Pie, eu estou em condições de compartilhar com vocês a minha experiência de uso com o dispositivo, informando para quem ele é indicado (ou não).

 

 

Review em Vídeo

 

 

 

Características Físicas

O Xiaomi Pocophone F1 é melhor do que eu pensava nesse aspecto.

Algumas pessoas afirmaram que o dispositivo era de má qualidade na sua construção. Pelo o que eu pude constatar pessoalmente, eu não concordo com isso. O dispositivo é muito bem acabado, bem selado e sem ter aquela aparência de xing-ling ou de produto frágil e mal construído. O modelo lembra muito o conceito das primeiras gerações dos dispositivos da OnePlus, e eu não me lembro das pessoas criticando tanto esses dispositivos na época.

 

 

E, sinceramente? Eu prefiro o plástico fosco que não deixa marcas de dedo e é mais resistente a quedas do que o acabamento envidraçado, que pode quebrar com facilidade e exige o uso de uma flanela para deixar corpo e tela do dispositivo limpo. Porém, eu não sou maluco de deixar o smartphone sem um case: apesar do modelo contar no seu kit de venda com um case de silicone, eu fui atrás de um case anti-choque, com cantos reforçados.

O dispositivo oferece um bom agarre, sendo ligeiramente mais estreito do que o ASUS Zenfone 5 que eu estava utilizando como smartphone principal. Pelo menos para mim, que possui mãos grandes, o telefone acaba ficando confortável para um uso mais prolongado em diferentes condições.

 

 

Tela

O Xiaomi Pocophone F1 possui uma tela IPS LCD de 6.18 polegadas, com resolução de 1080 x 2246 pixels, com revestimento Gorilla Glass e densidade de pixels de 403 ppp.

É claro que não é a melhor tela que você vai encontrar em um smartphone que se postula como um dispositivo top de linha. Eu mesmo gostaria de ver esse modelo com uma tela AMOLED, inclusive para verificar se o modelo contaria com uma autonomia de bateria ainda maior do que já tem. Mas esta também não é a pior tela que você vai encontrar.

 

 

A sua tela oferece uma boa coloração e brilho, ficando no mesmo nível da grande maioria de dispositivos de linha média premium que testamos ao longo de 2018. A sua resposta ao toque é precisa, e a exibição dos elementos na tela é boa em diferentes ângulos e níveis de iluminação (o seu software faz um ajuste automático de acordo com as condições do ambiente).

E eu dei sorte: a minha unidade não conta com os problemas de vazamento de luz pela tela.

 

 

Hardware, Software e Experiência de Uso

O hardware interno principal é o grande destaque do Xiaomi Pocophone F1. É o motivo pelo qual ele foi tão comentado pelos veículos de tecnologia e usuários, principalmente os usuários que não contam com essa grana toda para ter um smartphone top de linha que pode custar até R$ 5 mil com esse mesmo conjunto técnico.

O modelo que eu testei conta com o processador Qualcomm Snapdragon 845 octa-core (4x 2.8 GHz Kryo 385 Gold + 4x 1.8 GHz Kryo 385 Silver), acompanhado de uma GPU Adreno 630, 6 GB de RAM e 128 GB de armazenamento interno (expansíveis via microSD de até 256 GB).

 

 

De novo: você encontra esse mesmo conjunto técnico (ou algo muito similar) com preços que custam mais que o dobro que o Pocophone F1 é encontrado hoje. É claro que é importante a forma em como os diversos fabricantes vão trabalhar com esse hardware. Mas até a Xiaomi colocou um pequeno truque nesse modelo para garantir o melhor desempenho possível.

Por ser um dispositivo com um corpo de plástico (um material que transmite o calor com maior facilidade), foi inserido um sistema de dissipação de calor dos componentes internos, e isso ajuda a entregar um desempenho bem próximo da perfeição para esse dispositivo. Em alguns momentos, alguns aplicativos sofreram algumas paralisações críticas (principalmente o WhatsApp), mas bastou reiniciar o dispositivo e o problema foi resolvido. E, ainda assim, isso aconteceu antes da atualização do telefone para o Android 9 Pie / MIUI Global 10.2, a mais recente combinação de software do dispositivo.

 

 

Aliás, a MIUI se mostrou uma interface bem simples, objetiva e funcional. Eu não precisei ficar com a Google Launcher, pois a interface nativa da Xiaomi atendeu bem as minhas principais necessidades. É claro que ela não é perfeita, pois o seu consumo de recursos de hardware tende a ser maior do que as outras interfaces de usuário que eu utilizei ao longo dos últimos meses. Em compensação, a versão 10.2 trouxe uma melhoria importante: entregar o mesmo software de câmera do Xiaomi Mi Mix 3, aproximando muito os dois modelos na qualidade final de fotografia. Mas eu falo mais sobre isso mais adiante.

No final das contas, a experiência de uso do Xiaomi Pocophone F1 foi aquela que eu esperava para um dispositivo com as suas características: algo excelente. Tudo roda liso e sem problemas, em um desempenho muito fluído. Para quem pensa em rodar jogos pesados, ver vídeos em alta definição ou executar tarefas mais exigentes, o dispositivo não vai deixar você na mão.

Ah, sim… ele vai esquentar um pouco durante a execução de jogos. Mas, convenhamos: quantos outros não fazem isso?

 

 

Leitor de Digitais

Vale a pena deixar um segmento exclusivo para falar sobre o leitor de digitais do Xiaomi Pocophone F1.

Por incrível que pareça, apesar de ficar em uma posição que não me agrada de jeito nenhum (logo abaixo dos sensores de câmera), é um leitor que entregou a mais rápida resposta de leitura entre todos os smartphones Android que eu testei nos últimos tempos.

 

 

A leitura é precisa e eficiente, e como este é um recurso que se popularizou nos últimos anos, é fundamental que ele funcione bem para as diferentes necessidades de diferentes perfis de usuários.

Nesse aspecto, a Xiaomi mandou bem, e tem uma característica que vai além dos seus concorrentes diretos dentro da faixa de telefones intermediários premium (já que algumas pessoas insistem que ele não é um telefone premium, é preciso posicioná-lo na competição em função do seu preço, e não de suas características técnicas).

 

 

Câmera

Uma surpresa positiva no Xiaomi Pocophone F1.

Quando ele chegou até mim no último dia de 2018, ele contava com a MIUI 9 e o Android 8 Oreo, e o seu software de câmera ainda estava com as especificações originais. As imagens que foram entregues apresentavam resultados que alternavam a sua qualidade.

 

 

Fotos com boas condições de iluminação eram registradas com ótima qualidade. Já as imagens com baixa luminosidade e dias nublados apresentavam uma certa deficiência e falta de nitidez. E as imagens em condições de baixa luminosidade não iam bem, com considerável nível de ruído.

 

 

Então, eu fiz o que qualquer pessoa sensata precisava fazer: fui atrás do maravilhoso aplicativo do Google Camera. E só aí eu consegui ver o real potencial dos sensores fotográficos do dispositivo. E os resultados foram muito melhores. Melhores do que eu esperava.

O sensor duplo traseiro de 12 MP (f/1.9) + 5 MP (f/2.0) entregou fotos de alta qualidade, sem o uso de filtros ou outros recursos de software. E a qualidade só melhorou com a chegada do Android 9 Pie + MIUI 10.2. O modo retrato ficou muito melhor, e o nível de nitidez das fotos é simplesmente excelente. E para o DxOMark comparar a qualidade desas câmeras com a do iPhone 8, é porque o Pocophone F1 entrou oficialmente na lista das melhores câmeras de smartphones do mercado.

E seus concorrentes diretos de preço não conseguem bater esse modelo nesse aspecto.

 

 

Porém, fica o registro pessoal que, apesar do software de câmera da Xiaomi melhorar muito com as últimas atualizações (chegando no mesmo nível do Xiaomi Mi Mix 3, que é muito elogiado nesse aspecto), eu ainda prefiro utilizar o software do Google Camera para registro de fotos e vídeos (apesar de ficar impressionado com a estabilização de imagens em vídeos do app de Câmera da Xiaomi), por entender que o aplicativo do Google entrega os resultados que mais me agradam nas fotos e vídeos, graças ao seu modo HDR+ que é sensacional.

A mesma regra vale para a câmera frontal de 20 MP (f/2.0). É um sensor que entrega resultados melhores que o esperado, fornecendo boas selfies e deixando de lado o modo de embelezamento, que em alguns casos mais atrapalha do que ajuda. Usando o Google Camera, o modo bokeh (com desfoque no fundo) também entrega resultados que chamam a atenção positivamente, e o app da Xiaomi tem um modo que ajuda e muito na hora de gravar Stories para o Instagram, pois grava os vídeos em intervalos de 10 segundos. Depois, basta você enviar os vídeos para o Instagram, na ordem que você deseja, e publicar o novo Stories.

 

 

 

Áudio

É uma das concessões que a Xiaomi fez no Pocophone F1.

O seu áudio é mono, e os alto-falantes ficam na parte inferior do dispositivo. Porém, o volume desses alto-falantes é baixo, o que obriga a reprodução do áudio em um alto-falante sem fio. Se você pretende usar o recurso de viva-voz para chamadas, certifique-se que você fará isso em um ambiente silencioso. Um pouco mais de barulho, e você corre o risco de não ouvir a pessoa do outro lado da chamada.

 

 

Já o alto-falante de chamadas funciona bem, e você consegue ouvir o seu interlocutor bem na maior parte do tempo, com um bom volume. Porém, em ambientes muito barulhentos, você pode ter uma certa dificuldade em ouvir a pessoa. O ideal é sempre ter um fone de ouvido para garantir que você vai ouvir e ser ouvido no meio da rua.

 

 

Bateria e Armazenamento

O Xiaomi Pocophone F1 tem uma bateria de 4.000 mAh, mas no momento em que eu recebi o produto, ele não entregava uma boa autonomia. Antes das atualizações, dificilmente eu alcançava um dia de uso com o dispositivo, mesmo sem exigir demais do mesmo em minhas atividades.

Após a atualização para o Android 9 Pie / MIUI 10.2, a autonomia de bateria do smartphone melhorou consideravelmente, e eu cheguei a alcançar até um dia e meio de uso moderado, com pelo menos 5 horas de uso de tela. Mesmo forçando o dispositivo, assistindo a vídeos e utilizando os aplicativos por mais tempo, o telefone consegue alcançar o tão desejado um dia de uso (com bateria de sobra para ficar no carregador à noite para recarregá-lo para o dia seguinte).

Ou seja, nesse aspecto, você não terá problemas.

 

 

No quesito armazenamento, eu entendo que só pode vir a ser um problema na opção de 64 GB de armazenamento e, mesmo assim, ainda é possível inserir um cartão microSD de até 256 GB de armazenamento (isso é, se você não usa dois chips SIM para linhas de telefonia celular, pois infelizmente ele possui um slot SIM híbrido). Os 128 GB de armazenamento são mais que suficientes para a maioria dos usuários. O meu sonho mesmo era o modelo de 256 GB, mas ele virou uma lenda urbana.

Lembrando que o dual SIM do Xiaomi Pocophone F1 permite o uso do 4G simultâneo, e sua alternância na linha de consumo de dados é rápida e eficiente. Essa pode ser uma vantagem para quem trabalha com operadoras diferentes.

 

 

Conclusão

De fato, o Xiaomi Pocophone F1 não é um smartphone premium. E nunca quis ser. Pelo conceito que temos hoje, um smartphone premium custa hoje mais de R$ 3.000 (podendo chegar aos absurdos R$ 5.000 ou mais em alguns casos), e conta com detalhes que não estão disponíveis nesse dispositivo, como acabamento envidraçado, recarga sem fio, câmeras de melhor qualidade, NFC, leitor de digitais abaixo da tela (para os modelos de 2019), entre outros. E esses detalhes a Xiaomi deixou de fora nesse modelo.

A prioridade foi a relação custo/benefício. Onde ele pode ser considerado um top de linha é no seu conjunto processador + GPU + armazenamento + bateria. Essa espinha dorsal do Pocophone F1 é o segredo do seu sucesso, pois muito dificilmente você vai encontrar uma relação custo/benefício tão boa dentro desse segmento técnico. De novo, ele tem no seu DNA o conceito dos primeiros smarphones da OnePlus e até das primeiras gerações da finada linha Nexus da Google. Entrega o bom e o barato, deixando as firulas de lado.

 

 

Agora, se é para posicionar o Xiaomi Pocophone F1 na categoria de intermediário premium, ele se torna imbatível. Nenhum dos seus concorrentes diretos no preço conseguem entregar tanto por tão pouco. Para quem não está com essa grana toda mas quer ter um dispositivo que entrega um desempenho elevado, com autonomia de bateria de longa duração, uma tela decente, um acabamento aceitável e câmeras que surpreendem, ele é a escolha, sem pensar muito. Nenhum dispositivo de linha média premium consegue competir com ele.

De um modo geral, o Xiaomi Pocophone F1 é um excelente smarpthone. É o melhor smarpthone que o seu dinheiro suado pode comprar nesse momento. Eu confesso que cogitei um Samsung Galaxy S9 ou Galaxy S9+, por entender que é um dos melhores modelos do mercado. Porém, eu reconheço que, para aqueles que não contam com esse orçamento todo, o Pocophone F1, o dispositivo mais comentado de 2018, cumpre perfeitamente com o seu papel.


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