Carrie Fisher tinha 19 anos quando interpretou a Princesa Leia pela primeira vez em 1977, em Star Wars Episódio IV: Uma Nova Esperança. 39 anos depois, em Rogue One: Uma História Star Wars, Leia volta com a mesma aparência de 1977. Detalhe: não é Carrie Fisher na cena, mas sim a atriz Indvild Deila, que recriou a Fisher de 19 anos com a técnica de ‘recriação humana digital’.

Essa é a nova tendência de Hollywood para preservar a aparência dos personagens, seja para que eles possam continuar com as suas carreiras, ou para proteger a história em caso de futuras sequências ou novos filmes.

 

 

Em busca da preservação digital

 

Amy Winehouse, cantora que faleceu em 2011, vai sair em turnê em 2019 para arrecadar fundos para a sua fundação. Isso vai acontecer com a ajuda de um holograma que vai recriar a cantora, com a tecnologia de escaneamento de réplicas digitais em 3D. Para essa recriação, foram utilizados todos os vídeos de concertos e fotografias, o que serve para dar vida a uma nova versão da cantora.

A Digital Domain é uma das empresas que trabalham nessa tecnologia, trabalhando com alguns estúdios de Hollywood que querem garantir sequências e novas histórias com aqueles atores, e evitando cenários como o da própria Carrie Fisher, que faleceu deixando material para o último filme da atual trilogia Star Wars.

A Disney começou em 2018 a escanear todos os atores principais da saga Star Wars, para conservá-los no formato digital em caso de necessidade. E só começou a fazer isso diante da inesperada morte de Fisher.

O escaneamento é feito com uma esfera com centenas de luzes LED personalizadas, que captura os rostos dos atores por diversos ângulos, gravando várias imagens em segundos, criando um arquivo completo do rosto da pessoa, com elevado nível de detalhes.

 

 

O sistema também emula uma grande quantidade de condições de luz, colocando o ator digital em todos os tipos de situações, trabalhando com sombras, iluminação, mudança de fluxo sanguíneo no rosto e até os processos de envelhecimento e rejuvenescimento.

É possível ajustar vários detalhes, abrindo um leque de possibilidades enorme, podendo assim substituir de vez os efeitos artesanais de máscaras ou maquiagens.

O escaneamento de um rosto leva pelo menos dois dias completos para captura de expressões e movimentos. Isso gera entre 5 TB e 10 TB de informações. E estou falando apenas do rosto.

Esta tecnologia está disponível por enquanto apenas para os estúdios de cinema e atores que podem investir muito dinheiro para preservar a sua imagem, que pode ser herdada por sua família para que sigam recebendo os louros do seu sucesso depois de sua morte.

O ideal é contratar o serviço enquanto o ator ainda é jovem, pois a margem de manobra é consideravelmente menor. Porém, em casos específicos, como foi o de Samuel L. Jackson, que foi rejuvenescido para Capitã Marvel, a técnica pode oferecer resultados muito interessantes.

 

 

Porém, nem tudo é perfeito. Capturar o movimento do corpo e da pele ainda é o grande desafio dos artistas visuais, por causa de sua complexidade. Algumas recriações digitais simplesmente não são perfeitas, como foi o caso de Wilhuff Tarkin no mesmo Rogue One.

Para resolver o problema, o trabalho é ainda mais minucioso e complexo, pois exige edição de cada fotograma, corrigindo os pequenos detalhes, como movimento dos lábios, a pele, rugas e expressões dos olhos, entre outros. E assim o trabalho volta ser basicamente artesanal.

Ainda é uma tecnologia que dá os seus primeiros passos, mesmo com altos custos. Mas no futuro será tão natural como qualquer outro efeito visual atual.