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É uma regra que não está escrita em lugar nenhum, mas existe. Uma TV pode custar até três vezes menos que um monitor, com a mesma resolução e tecnologia de tela. Por que isso acontece? Vamos tentar explicar.

 

 

A miniaturização da tecnologia sempre resulta em desvalorização

 

 

Como acontece com a maioria das indústrias tecnológicas, a miniaturização resulta em uma desvalorização do preço final. A prova mais cabal disso está nos smartphones.

Fabricar uma tela de 6.5 polegadas (QuadHD+) é mais caro que fabricar uma tela de 24 polegadas com características similares, pois colocar um número de pixels em uma matriz de menor tamanho é algo muito mais complexo, pois o número de pixels é o mesmo, variando na densidade por polegada.

Nas TVs e monitores acontece algo similar, com diferenças menos tangíveis ao contar com tamanhos de tela maior. E isso faz com que a relação custo-benefício do monitor seja infinitamente mais cara.

 

 

Input lag, o maior responsável pela depreciação das TVs

Este é o fator que mais deprecia o valor das TVs atuais. O input lag é o tempo que leva uma TV ou monitor em projetar na tela a imagem emitida por uma fonte externa, que pode ser um computador, um console ou um reprodutor de mídia.

 

 

Em linhas gerais, uma TV tem um tempo inicial de resposta de 5 milissegundos (nos modelos top de linha). Nos modelos de entrada, esse número pode chegar aos 20 milissegundos.

Já a maioria dos monitores de entrada podem iniciar o seu input lag em 1 milissegundo nas telas TN. Nas telas IPS de entrada, esse valor fica entre 3 e 5 milissegundos.

O efeito prático nos jogos é imediato: jogar em monitores é muito melhor do que jogar na TV, com um atraso menor na interação do controle ou o teclado e mouse.

 

 

Frequência de atualização, um ilustre esquecido

Nos monitores, o número em Hz na taxa de atualização é um elemento valioso para o nicho gaming. Para as TVs, nem tanto, já que alguns modelos até contam com 120 Hz de frequência, mas apelam para a interpolação de imagens. Isso acontece muito mais pela necessidade da indústria do que por fatores econômicos: hoje, praticamente nenhuma produção audiovisual é filmada com essa taxa de quadros por segundo.

 

 

Filmes e séries são capturados em 24 FPS, ou 24 Hz. Já a grande maioria dos jogos de videogames contam com taxas de 60 Hz, 120 Hz ou 240 Hz. Some isso à implementação de diferentes tecnologias para forçar a atualização da tela em função dos fotogramas emitidos pela placa gráfica, algo que se faz presente nas tecnologias AMD FreeSync e NVIDIA G-Sync.

Nem preciso dizer que a maioria das TVs não contam com tais características, com exceção de alguns modelos top de linha muito específicos.

 

 

Qualidade de imagem otimizada

 

 

Ainda que a qualidade de imagem dependa integralmente do tipo de tela (IPS, TN, OLED, QLED, etc), o paradigma das TVs e dos monitores viajam por caminhos separados.

Enquanto a imagem das TVs quer oferecer a espetacularidade em filmes e séries, a imagem dos monitores é otimizada e calibrada para uma maior representação de cores e imagens similares à realidade.

Fotógrafos, editores de vídeo e artistas audiovisuais precisam de um monitor que valorize a calibração das cores. E todas as tecnologias dedicadas acabam influenciando no preço final do produto. Sem falar nos softwares integrados para a calibragem da imagem.

 

 

Conclusão

Dai a César o que é de César: uma TV não substitui um monitor, e um monitor não substitui uma TV.

Uma TV de pequeno tamanho atuando como monitor principal pode deixar de lado algumas características muito importantes. Hoje, TVs com tamanho entre 20 e 30 polegadas contam com especificações bem limitadas, qualidade de imagem insuficiente, elevado input lag, ângulos de visão escassos, etc. Sem falar que as TVs são projetadas para você ver as imagens de longe, por contar com um brilho geralmente maior.

Você pode substituir uma TV por um monitor? Também não. Seu tamanho é insuficiente para cômodos de tamanho médio, seu brilho é inferior e sua qualidade de imagem é destinada ao uso profissional e não doméstico. Também não tem saída de antena, algo indispensável para quem quer ver TV aberta.


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