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A Turquia é um dos países onde a questão da censura é sempre muito polêmica, e a última vítima dessa visão de mundo mais fechada e retrógrada foi a Netflix, que teve que se censurar para permanecer no país.

A plataforma deve se adaptar às leis turcas para manter o seu negócio em um país que tem nada menos que 1.5 milhão de assinantes do serviço.

De acordo com o New York Times, após a estreia do trailer de El Camino: Um Filme de Breaking Bad no país, a Netflix censurou a versão turca do filme, eliminando a cena onde um homem sentado em um carro acendia um cigarro. A mesma coisa aconteceu com algumas cenas da igualmente polêmica série Sex Education.

 

 

Proibir ou desaparecer

 

 

O governo turco quer evitar o acesso da população aos conteúdos que seus líderes consideram como não adequados. Quem regula esse aspecto é o Conselho Supremo de Rádio e Televisão, e a norma não afeta apenas a Netflix.

Em setembro de 2019, os serviços de streaming tiveram que solicitar uma licença adicional para se ajustar às novas regras do governo de Erdogan, onde programas e conteúdos oferecidos não podem ser contrários aos valores nacionais e morais da sociedade.

Isso resulta na censura de toda e qualquer imagem que, de acordo com a alta autoridade turca, apresente o consumo de substâncias viciantes, glorifique os delitos, apresente a obscenidade ou implique no mal uso da linguagem turca.

 

 

As multas não demoraram a aparecer

 

 

Não apenas as plataformas de streaming tiveram que se adaptar às exigências do Conselho. As regras dessa lei são absolutamente vagas e de difícil interpretação, e as redes de TV do país foram multadas em várias oportunidades por mostrar desde beijos tórridos até o consumo de álcool.

Um beijo entre um casal homossexual em um episódio de 9-1-1 causou estragos para a Fox. A sentença do país é que esta cena era um modelo de relacionamento contrário aos valores do regime político vigente no país, considerando a mesma prejudicial para as famílias.

 

 

As plataformas de streaming respondem à censura

 

 

A Netflix já iniciou a auto censura em seus conteúdos, mas as plataformas de streaming consideram que a transmissão de conteúdos de TV em serviços privados ou via TV por assinatura não deveriam ser penalizadas da mesma forma que a TV aberta.

De acordo com as plataformas, seus conteúdos contam com advertências e informação sobre a classificação etária. Ou seja, se alguém assiste uma série ou filme onde aparece uma cena de sexo, é porque ela decidiu assistir a aquele conteúdo. Porém, o governo turco não pensa dessa forma.

Nesse caso em específico, é evidente que a Netflix terá que enfrentar um cenário bem particular. A censura ameaça de forma séria de acordo com o avanço comercial da plataforma, e em um momento onde o número de seguidores no Ocidente está estagnado. E buscar mercados alternativos pode ser uma solução para fazer frente a uma concorrência que é cada vez maior e mais pesada.

A Netflix vai precisar de muito jogo de cintura para não abrir mão dos seus valores fundamentais de liberdade de expressão e, ao mesmo tempo, se adequar aos diferentes cenários estabelecidos em diferentes mercados. Não é uma tarefa das mais fáceis.


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