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Está completando 10 anos que a Microsoft perdeu a sua queda de braço contra a União Europeia. A acusação contra a gigante de Redmond é que a mesma se valia da força e (quase) monopólio do Windows para fazer todo mundo utilizar o Internet Explorer na base do fórceps, sem dar a chance de outros navegadores competirem de forma justa pela preferência dos usuários.

Os mais experientes no mundo da tecnologia sabem muito bem que é possível instalar o navegador que quiser tão logo você termina de instalar o Windows. E pode inclusive utilizar o Internet Explorer para fazer esse download (muita gente faz isso). Porém, esse recurso não é algo tão simples para os mais leigos, que merecem ter a liberdade de escolha facilitada ou simplificada.

Dez anos depois, muita coisa mudou. Na Microsoft, então… nem se fala…

 

 

Quem te viu, quem te vê, Microsoft!

Em 2009, quando a decisão da União Europeia se tornou definitiva, Bill Gates se vitimizou de todas as formas possíveis e imagináveis. Até parece que ele leu a cartilha de Steve Jobs para dar desculpas para as coisas que dão errado com os seus produtos e serviços (“é você que está segurando o iPhone 4 da forma errada”, disse Jobs diante do caso Antennagate).

Gates chegou a afirmar no passado que tudo não passava de uma perseguição, já que o Windows sempre permitiu que qualquer navegador concorrente pudesse ser instalado no sistema operacional. Só ignorou que os navegadores concorrentes nunca contaram com a mesma facilidade de instalação ou nível de influência no funcionamento do sistema operacional em si que o Internet Explorer passou a ter a partir do Windows 98.

Simplesmente não dava para separar o IE do Windows.

Recentemente, Gates voltou a se vitimizar, dizendo que a disputa com a UE foi um dos motivos para o Windows Phone (ou Windows Mobile) fracassar no mercado de telefonia móvel.

Hoje, a Microsoft da era Satya Nadella é bem diferente. Deixou de ser uma empresa de produtos para ser a empresa de serviços que nós conhecemos, com um Windows 10 bem mais independente e um Internet Explorer que está mais do que morto e enterrado. Está ignorado pela própria Microsoft.

O Internet Explorer foi substituído pelo Microsoft Edge, que também não deu certo (até porque só funcionava no Windows 10), e agora dá espaço para o Microsoft Edge Chromium, mostrando que a gigante de Redmond jogou a toalha e aposta no “quando não podemos vencê-los, nos juntamos à eles”, apostando na maior eficiência de desempenho, ao mesmo tempo que é totalmente compatível com tudo o que a maioria dos usuários tem em seus computadores nesse momento.

Hoje, não apenas temos um cenário completamente diferente no universo dos navegadores (se bem que o Google Chrome dominaria o mercado mesmo sem a decisão da UE contra o monopólio), mas temos também uma Microsoft que mudou a própria forma de se enxergar dentro desse segmento.

De alguma forma, todos saíram ganhando com essa decisão da União Europeia. E todos sentem os efeitos dessa decisão até hoje.


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