Era algo esperado, e tem uma explicação principal bem simples: não há motivo para atualizar tão rapidamente um smartphone, ou até mesmo para a existência de tantos modelos, quando a maioria dos novos produtos não apresentam diferenças substanciais ou entregam zero de inovação.

Não dava para esperar outra coisa. Os fabricantes de smartphones achavam que iam vender tanto assim por tanto tempo?

Bom, ao que parece, sim. E a queda nas vendas de smartphones começou a pesar em todo um setor.

As vendas de smartphones em 2018 não apenas estagnaram, mas registraram uma queda de 4.1%, com números semelhantes aos registrados em 2014.

A estratégia de alguns fabricantes em lançar smartphones cada vez mais caros para aumentar a margem de lucros jogou contra, e as poucas novidades nos novos dispositivos fizeram os usuários permanecerem muito mais tempo com os seus modelos atuais antes de procurar por um substituto.

De fato, não temos novidades substanciais nas principais características de um smartphone.

Nas câmeras, nada de novo. Apenas as câmeras múltiplas. Mas tem muita gente satisfeita com apenas um sensor. No armazenamento, modelos com mais espaço são mais caros, e hoje todo mundo usa os serviços na nuvem. Sem falar que por anos a indústria insistiu nos 8 GB de armazenamento padrão, o que, na prática, era algo inútil.

No desempenho, um smartphone de linha média hoje é mais que suficiente para a maioria dos usuários. Nem os programadores de jogos se baseiam em um top de linha para desenvolver os seus softwares. E falando em software, Android e iOS não adicionam revoluções porque todo mundo sabe que a maioria tem smartphone para usar Instagram, WhatsApp, Facebook e Twitter.

Os números são frios, porém, realistas. O iPhone registrou queda de 15% nas vendas. A Samsung caiu 5.5%. A Apple (como um todo) perdeu 11.5%. Só a Huawei cresceu nos envios (33.6%), assim como a Oppo e a Xiaomi, marcas chinesas que o ocidente ainda não aprendeu a amar. O que é uma bobagem, já que os chineses recebem as mesmas especificações com a metade do preço. E, ainda assim, o mercado asiático perdeu 10% nas vendas.

A política de smartphones premium custando mais de US$ 1.000 só funcionou no setor de relações públicas (demitindo aqueles que tiveram essa ideia infeliz, e os inocentes que não tem nada a ver com isso, mas foram mandados embora para reduzir despesas).

Hoje, as pessoas estão dispostas a pagar, no máximo, US$ 200 por um smartphone. E isso quando decidem trocar o modelo velho por um novo.

 

Via CNBC