Em defesa dos smartphones pequenos

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Nos anos 90, os celulares eram gigantes. Felizmente, em 2000, se tornaram cada vez mais pequenos, leves e manjáveis. Com a chegada das câmeras e reprodutores de mídia, cresceram novamente de tamanho. E a era dos smartphones até a sua evolução atual fizeram com que os dispositivos ficassem de proporções enormes.

Não faz sentido voltar aos celulares (quase) miniaturizados de 20 anos atrás, mas é importante refletir sobre as mudanças ao longo do tempo para estabelecer algo que pode atender aos usuários que sentem falta de ter um smartphone mais manejável nas mãos.

 

 

 

Um conceito escasso

 

 

Nem mesmo os smartphones sem bordas foram suficientes para tentar reduzir as dimensões do telefone móvel. Os dispositivos ficaram do mesmo tamanho ou até com telas maiores. Por isso, nesse momento, telas entre 5 e 5.5 polegadas são consideradas “pequenas”. Lembrando que o primeiro Galaxy Note que a Samsung lançou em contava com uma tela de 5.3 polegadas, e algumas pessoas chegaram a apelidá-lo (de forma maldosa) de Havaianas.

Sem falar que, no passado, o celular existia basicamente para a comunicação (realizar ou receber chamadas de voz e mensagens SMS), o que resultavam em dispositivos com baterias praticamente eternas. Hoje, com o uso da internet e das funções multimídia, já é uma vitória ficar com o telefone um dia inteiro longe da tomada.

E para oferecer essa autonomia de um dia de uso, os fabricantes colocam baterias enormes, o que naturalmente faz com que os dispositivos ganhem algumas polegadas a mais nas suas dimensões.

Ou seja, a era do smartphone permitiu que você carregasse um computador completo dentro do seu bolso. Em troca, esse dispositivo é grande o suficiente para deixar de lado o processo de miniaturização de componentes e dispositivos que foi adotado por toda uma indústria.

Até eu gostaria de voltar ao tempo em que usar o celular com uma única mão era algo prático e cômodo, ou que as pessoas pudessem ter essa alternativa para isso. Pense: você pode ter o seu telefone em uma mão e um copo de café com a outra mão, caminhando tranquilamente pelas ruas da cidade.

Por outro lado, estamos em 2020 e, para muita gente, o smartphone virou um elemento de distração permanente, ou uma ameaça para a nossa concentração. E reduzir o tamanho dos dispositivos pode ser até uma forma de reduzir a devoção que sentimos por eles, limitando de forma inconsciente o seu uso.

E isso é exatamente o contrário do que acontecia no passado.

Outros grupos de usuários podem se beneficiar de telefones com telas menores. Para quem usa as ferramentas de acessibilidade, tanto faz o tamanho da tela. Ou para quem tem alguma deficiência motora, onde manejar o celular com uma das mãos pode ser a diferença entre ser capaz de usar o dispositivo ou não.

As telas com proporção 18:9 ou 19:9, que entregam um dispositivo (quase) sem bordas minimizaram o efeito do aumento de tamanho dos dispositivos. Porém, vivemos em um mundo onde os smartphones compactos não devem voltar a médio prazo, e que os apps mais populares já se adaptaram aos novos tamanhos de tela.

Mas não podemos impedir os sonhos dos amantes das telas pequenas. Afinal de contas, o vinil voltou em plena era do streaming, e o mundo dos videogames hoje ganha dinheiro com jogos que foram lançados há 30 anos. Ou seja, em algum ponto, pode acontecer uma tendência de mercado que justifique a volta dos telefones compactos.

Até lá, muitos vão se conformar com as iniciativas pontuais de alguns fabricantes… não é mesmo, Apple (iPhone SE 2020)?


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