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Hoje, entre 83% e 90% dos jovens e adolescentes usam as redes sociais. Mas… o que acontece com os outros 10%? São pessoas normais ou estão doentes?

Sim. São pessoas normais, contam com boa presença, são sociáveis, amáveis e saudáveis. E não pertencem a famílias anti-tecnológicas. Também não possuem nenhum transtorno mental, e muito menos é uma pessoa anti-social.

Pelo contrário. Jovens que estão fora das redes sociais contam com um sólido grupo de amigos. Até utilizam o smartphone e os apps de mensagens instantâneas, mas preferem realizar chamadas telefônicas, por considerarem uma forma mais rápida de comunicação.

Se essa turma sabe o que é uma rede social, é através da tela do alheio.

Na prática, jovens que estão fora das redes sociais tendem a ter um traço de personalidade mental pouco comum para a sua idade: uma maturidade assustadora. Aqui, duas coisas podem fazer um jovem abandonar as redes sociais: alguém que estava muito viciado e precisava abandoná-las, e alguém motivado por uma visão mais ideológica, evitando assim que as plataformas controlem os dados pessoais, como gesto de rebeldia.

Nos dois casos, é preciso ter muita maturidade.

O jovem que deixa as redes sociais se dá conta que fica tempo demais nelas, ocupando o tempo em que eles poderiam fazer coisas mais produtivas.

 

 

Quando as redes sociais podem se transformar em um problema

 

 

Os casos extremos são reflexos do abuso da tecnologia, e não exatamente como um vício. A OMS não reconhece o excesso de tempo no smartphone ou nas redes sociais como um transtorno mental, mas quem deixa de fazer as atividades prioritárias para ficar conectado nas redes tem problemas.

O tratamento passa pelo reconhecimento do problema por parte do paciente, que é ajudado a encontrar motivação para superá-lo. Depois, o paciente aprende a ter limites, incluindo a desinstalação dos aplicativos que consomem muito tempo de uso.

Algumas pessoas são mais vulneráveis à opinião dos demais, mais dependentes das notificações, se sentem mais obrigadas a responder de imediato, são mais introvertidas, mais obsessivas ou mais impulsivas, que querem responder logo e, rapidamente, se arrependem. Esses são os que mais sofrem com o uso exagerado das redes sociais, e os que mais se beneficiam dos períodos de abstinência.

Por outro lado, crianças e jovens que sofreram cyberbullying recebem a recomendação média em apagar por um tempo as suas contas nas redes sociais. Esse refúgio é uma medida de proteção saudável, permitindo que a pessoa trabalhe algumas questões internas para se tornar emocionalmente mais forte para retornar às redes sociais, se assim quiser.

 

 

O risco de ficar fora das redes sociais

 

 

Nem tudo é tão simples.

Vários estudos mostram que tão grave quanto usar demais as redes sociais é não estar nelas quando os demais estão, por causa das relações estabelecidas com as faixas etárias através da tecnologia. Os adolescentes buscam estratégias de desenvolvimento na vida, e as redes sociais são uma via para isso.

Por outro lado, existe o medo de ficar de fora do “todo mundo sabe da vida de todo mundo”. Ficar de fora das redes sociais pode deixar o jovem um pouco marginalizado em relação ao ciclo de amigos e colegas de estudo ou trabalho.

Os jovens que não contam com redes sociais podem se sentir isolados e perder oportunidades para se relacionar com outros jovens. Por outro lado, o entorno familiar e social oferece um leque rico de opções de relacionamento e atividades que motivam. Quem tem mais opções menos precisam das redes. Alguns jovens querem potenciar outras estratégias para se posicionarem na vida para buscar o sucesso social, como a dedicação aos estudos, esportes e outras atividades.

Jovens que dedicam o seu tempo para outras atividades não se sentem excluídos por não estarem nas redes sociais. Pode ser bonito demais para ser verdade, mas é possível. Não podemos ignorar que para tudo na vida existe uma exceção da regra. E um adolescente fora das redes sociais não é algo tão absurdo assim.


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