A arbitragem por vídeo (VAR) é uma realidade, e está mudando a cara da Copa do Mundo FIFA Rússia 2018. E os efeitos não são subjetivos, mas sim perceptíveis. Os dados mostram uma mais que presumível influência do vídeo no desenvolvimento dos jogos.

O analista futebolístico Alex Olshanky revelou que apesar dos gols aparecerem em proporções quase idênticas aos da Copa do Mundo Brasil 2014 no que se refere aos tipos de gols (bola parada, pênalti, jogadas abertas ou gols contra), os gols do Copa 2018 seguem um padrão muito diferente e chamativo.

Os gols de bola parada aumentaram muito, onde o VAR influencia nos agarres na área, mas também em um nível técnico mais alto das seleções tradicionalmente mais fracas.

Os gols de pênalti também aumentaram consideravelmente. Na primeira rodada, foram nove pênaltis, o maior número nos últimos 13 mundias. Três deles foram marcados depois do VAR e, até agora, é um recorde de pênaltis marcados na história dos mundiais (um a cada dois jogos).

Menos cartões vermelhos por jogo, no índice mais baixo da história dos últimos oito mundiais. Pode ser mera coincidência, mas isso acontecer justo quando o VAR aparece é um sinal claro que os jogadores estão mais conscientes que precisam se preocupar mais no jogo limpo.

Os jogadores foram advertidos sobre as capacidades do VAR (menos o Neymar, é claro), e a FIFA dá a entender que existe um receio com o recurso, o que pode resultar em uma maior contenção na hora de cometer infrações.

O mais interessante do VAR é que ele não apenas permite esclarecer jogadas polêmicas, mas a sua mera presença já reduz as chances do jogo sujo. Menos agressões, menos reclamações de impendimento… e tudo, graças a 33 câmeras e vários olhos monitorando o árbitro em Moscou.

Por outro lado, os impedimentos reduzem porque o jogador sabe que, se a jogada ilegal resultar em gol, ela poderá ser revisada. É uma diretriz da FIFA que já dá resultados.

O VAR recebe várias críticas, especialmente daqueles que preferem um futebol mais à moda antiga, onde a polêmica é o que dá graça ao futebol. Já outros defendem a lisura das regras e decisões arbitrais corretas. Enfim, a polêmica está servida.

Fato é que a FIFA garantiu que o VAR revolucionaria o futebol de elite, e parece que está conseguindo. Mas sem agradar a todos. Algo mais que esperado.

Sua chegada na Copa do Mundo não foi perfeita. No jogo Inglaterra vs Tunísia, dois pênaltis em Harry Kane não foram marcados a favor da Inglaterra. Só não foi pior porque o English Team venceu o jogo. Mas a FIFA se negou a comentar as decisões, e valorizou o time de arbitragem.

O debate não é só tecnológico. O protocolo do VAR estabelece que se existe uma ação anti-regulamentária antes de outra que pede revisão, a segunda não será revisada. A regra é complexa até para a aplicação do VAR.

Outra questão é se o protocolo do VAR poderia ser mais ágil. É comum ver decisões serem tomadas em até dois minutos, o que pode ser uma eternidade para o futebol. Por outro lado, na NFL, este é o tempo médio para uma revisão de jogada por vídeo.

Mas esta é outra questão. Fato é que o VAR existe, e pouco pode ser feito sobre isso. A não ser verificar se tudo é aplicado corretamente.

Eu, particularmente, sou a favor do VAR, porém, entendo que, uma vez utilizado o VAR, a decisão precisa ser exclusivamente em função da imagem, e não mais pela subjetividade do lance. Assim como aconteceu com o lance cinematográfico de Neymar em Brasil vs Costa Rica.