CEO da OnePlus compara smartphone a sanduíche para negar 7 anos de atualizações do Android

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Boa parte dos usuários de smartphones entende que o melhor é que o seu dispositivo receba muitos anos de atualizações do sistema operacional. A Apple basicamente criou essa cultura, oferecendo uma longevidade quase singular no iPhone.

Manter o dispositivo funcionando por muitos anos é uma forma de valorizar o investimento dos usuários, ao mesmo tempo em que dribla a obsolescência programada estabelecida por alguns fabricantes.

Mas nem todos pensam dessa forma. Para a OnePlus, sete anos de atualização é uma péssima ideia, e o argumento dos executivos da marca é comparar um smartphone com um sanduíche. Por mais polêmico que isso possa parecer.

 

A guerra das atualizações

A principal disputa neste aspecto está na extensão do suporte ao longo dos anos.

Os fabricantes tradicionalmente limitavam as atualizações, mas a tendência mudou com Samsung e Google oferecendo até sete anos de atualizações para os seus recentes lançamentos de smartphones top de linha.

Isso significa que os usuários podem desfrutar das novidades do sistema operacional por mais tempo, sem precisar trocar de aparelho. O que, em teoria, é algo excelente para quem já pagou caro por esses dispositivos.

Na geração Galaxy S24, a Samsung promete sete anos de atualizações. Essa prática supera concorrentes com ROMs mais simples e limpas, ampliando o ciclo de vida dos dispositivos.

A Samsung afirma que essa política visa garantir a segurança e o desempenho dos seus produtos, além de reduzir o impacto ambiental do descarte de eletrônicos.

É importante lembrar que a Samsung muito provavelmente não chegaria a esse ponto se o Google não tivesse implementado antes os mesmos sete anos de atualizações para os telefones Pixel 8 e Pixel 8 Pro, os novos telefones top de linha da gigante de Mountain View.

Aliás, o Google promete oferecer o mesmo tempo de suporte para os futuros lançamentos da linha Pixel, e isso deve “incentivar” os demais fabricantes de smartphones Android a fazer o mesmo.

Bom… quero dizer… quase todos.

 

OnePlus entende que quatro anos são suficientes

Conhecida por entregar smartphones Android com um ótimo desempenho, a OnePlus adota uma estratégia de apenas quatro anos de atualizações. O presidente da empresa, Kinder Liu, justifica a escolha enfatizando a importância da fluidez do sistema operacional na experiência do usuário.

Ele argumenta que, após quatro anos, o hardware pode não acompanhar as exigências do software, comprometendo a qualidade do dispositivo. O que não deixa de ser uma realidade em partes.

O Android fica mais exigente com o passar do tempo. Porém, o hardware avançou tanto, que pode funcionar bem por mais tempo, recebendo mais atualizações. E essa é uma realidade ignorada pelo executivo.

Mas o grande problema está na comparação do smartphone com um sanduíche. E, principalmente, como ele compara a experiência de uso.

 

A metáfora do sanduíche

Kinder Liu compara o telefone a um sanduíche, destacando não apenas o software, mas também a experiência do usuário. Ele sugere que, mesmo com sete anos de atualizações, a qualidade da experiência pode deteriorar após quatro anos, tornando a política de atualização menos relevante.

Ele exemplifica dizendo que um sanduíche fresco é delicioso, mas se ficar guardado por muito tempo, pode ficar mofado e ruim. Só se esquece que um alimento é (obviamente) perecível, algo que não se aplica ao hardware.

Palavras de Kinder Liu:

“Imagine que seu celular é um sanduíche. Alguns fabricantes agora estão dizendo que o recheio do seu sanduíche, o software do seu telefone, ainda será bom para comer daqui a sete anos. Mas o que eles não estão dizendo é que o pão no sanduíche, a experiência do usuário, pode estar mofado depois de quatro anos. De repente, uma política de atualização de software de sete anos não importa, porque o resto de sua experiência com o telefone é terrível.”

Na boa… isso aqui não faz o menor sentido.

 

A polêmica está servida

A aparente incerteza da OnePlus está na já mencionada capacidade do hardware suportar várias versões de sistema ao longo dos anos. Apesar dos avanços em processadores e RAM, os dispositivos podem apresentar problemas no futuro, devido às características robustas do Android e à gestão de recursos.

Alguns especialistas afirmam que as atualizações podem otimizar o uso do hardware, enquanto outros alertam para os riscos de incompatibilidade e instabilidade.

Particularmente, defendo que com um hardware tão robusto como temos hoje, é bem difícil ver um smartphone top de linha ou premium apresentando problemas com o Android daqui a sete anos.

Caso contrário, é mais fácil acreditar que os fabricantes continuam aplicando a obsolescência programada nos telefones. Só encontrou outra maneira de disfarçar o efeito nos telefones mais caros.

Fato é que essa guerra no tempo de atualizações do Android vai continuar, e é um tema complexo e controverso, onde cada fabricante vai abordar a sua estratégia para conquistar o consumidor.

Cada usuário vai apostar nas alternativas que melhor atendem às suas necessidades. Mas… comparar um smartphone com um sanduíche é (pelo menos para mim) o mesmo que comparar um Galaxy S24 Ultra com um Big Mac.

E o top de linha da Samsung é bem mais saudável, nos mais diferentes aspectos.


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