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Assim foi a ascensão e queda do EverNote

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Alguém esperava por isso?

Enfim, a queda em ruínas do Evernote foi concluída. A empresa foi adquirida pela Bending Spoons, uma desenvolvedora italiana de aplicativos móveis, e a promessa é preservar os “milhões” de usuários pagos dentro do serviço, mas… sinceramente… não dá para saber quantos usuários vão ficar depois de tantos problemas.

O que sabemos é que o protagonismo da Evernote desapareceu. A startup, que nasceu em 2008, foi uma das primeiras a aproveitar o hype dos smartphones, entregando um incrível aplicativo de escritório chamado EverNote (escrito desse jeito mesmo) para Windows, iPhone e Blackberry, reinventando a forma em como nos relacionamos com as nossas tarefas de produtividade.

Então… o que deu errado com o EverNote?

 

Abraçar muito, inovar pouco e explorar os usuários

Steppan Pachivok era o homem por trás da Evernote (a empresa), e ficou atento a todos os movimentos realizados por algumas empresas que focavam em diversos métodos de produtividade que começavam a se tornar muito populares em Silicon Valley.

O que fazia todo o sentido do mundo na época. Dispositivos como o computador e os telefones da Blackberry eram muito mais focados na produtividade e organização pessoal do que são hoje, e qualquer software que apostasse nesse segmento poderia prosperar.

O EverNote (aplicativo) deu tão certo para a Evernote (empresa), que várias outras soluções relacionadas às duas marcas chegaram ao mercado, sejam através de aplicativos complementares como softwares de receitas, extensões para navegador web como o Clearly e apps de anotações como o Skitch até produtos físicos, como agendas da Moleskine, mochilas, lápis óticos e produtos do segmento life-style.

Então… já dá para perceber o que aconteceu aqui. Certo?

A Evernote era uma empresa de software que estava abraçando todo e qualquer tipo de produto ou solução que pudesse gerar dinheiro. Dessa forma, estava deixando de lago o seu principal produto: o EverNote.

Melhorar a experiência de uso do EverNote deveria ser uma tarefa prioritária para a Evernote, mas isso nunca aconteceu na prática. A consequência disso não poderia ser outra: os usuários foram abandonando o serviço, principalmente quando o mercado naturalmente começou a oferecer soluções mais completas.

No meio do caminho, o sucessor de Pachikov na posição de CEO da Evernote, Phil Libin, colocou no posto mais importante da empresa Chris O’Neill, ex-responsável pelo Google Glass. E esse cara tomou a pior decisão possível: aumentou o preço da versão premium do EverNote em 40%, ao mesmo tempo que reduziu as funcionalidades da versão gratuita do aplicativo.

Ou seja, no lugar de melhorar a experiência de uso, piorou tudo para as duas pontas do processo.

Aí fica difícil defender.

 

A falta de inovação foi a última pá de cal

O EverNote estava mais caro e com os mesmos problemas para os usuários Premium. E ficou pior para os usuários da versão gratuita. Logo, fica fácil concluir que O’Neill estragou tudo, sem pensar em nenhum momento que ele precisava MELHORAR o seu aplicativo para não perder usuários.

Quando olhamos para tudo isso, fica fácil entender por que o EverNote desapareceu. Mas sempre existe uma cereja no bolo de cocô que alguns executivos adoram produzir com as próprias mãos e cérebros quando cenários complexos como esse aparecem.

Para completar o desastre, a falta de inovação dentro da Evernote era algo latente. A única janela de tempo onde o aplicativo recebeu algumas (poucas) melhorias foi entre 2015 e 2017 e, mesmo assim, não são recursos revolucionários: as mais importantes foram as funções Spaces e Templates, que não fizeram a menor diferença junto aos usuários.

Depois de tantas cagadas, O’Neill foi substituído por Ian Small no posto de CEO da Evernote. Enquanto isso, a concorrência avançou, e interessantes alternativas chegaram ao mercado, como foram os casos do Standard Notes e do OneNote, sendo que este último se tornou uma referência entre os softwares de produtividade e organização pessoal.

Para completar a equação, um software realmente inovador e revolucionário chegou ao mundo nos últimos anos, tomando de assalto o público que estava muito insatisfeito com o EverNote: o Notion.

O Notion é hoje o software de produtividade preferido de 9 entre 10 usuários de dispositivos de tecnologia multiplataforma. É uma excelente ferramenta para quem quer uma versátil organização das atividades pessoais e profissionais. E ele é o último elemento responsável para que o EverNote se transformasse em um esquecido no churrasco.

Com tantas limitações que a versão gratuita do EverNote apresentou, os usuários dessa plataforma sentiram a bofetada de mão quente aplicada pelos seus responsáveis, e não pensaram duas vezes em migrar para outras soluções, especialmente o Notion, que recebeu boa parte desses usuários.

E aqui chegamos.

A Evernote de hoje não é nem sombra do que foi um dia entre 2008 e 2013. Se tornou uma empresa que outra empresa toma conta, e tende a nunca mais voltar a ser o que já foi um dia. E com certeza todo mundo já se acostumou ou aceitou essa realidade.

Eu sei que nada dura para sempre, mas a Evernote fez uma força tremenda para promover o desaparecimento do EverNote. E os fatos aqui relatados mostram que ela foi bizarramente bem-sucedida nessa iniciativa.


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