As redes sociais vieram para ficar, e apesar de não conseguir prever o futuro, é compreensível que muita gente pense assim. O conceito de rede social deixou de ser um termo acadêmico para se transformar no motor tecnológico de muitas empresas.

Porém, as mesmas redes sociais são uma ameaça para sociedades democráticas e indivíduos. Este é o ponto mais débil dos detratores da nova internet. E agora temos evidências científicas disso.

Estudos prévios já apontavam para isso, mas eram muito mal elaborados. Tanto a favor como contra as redes sociais, os métodos adotados para desenvolverem tais estudos deixavam margens para erros de leitura e previsão de comportamento do coletivo e do indivíduo.

Nenhum estudo entregava uma validade ecológica sobre o que é analisado e os seus dados, de modo que não poderíamos extrapolar os dados nos contextos reais.

Agora, um grupo de investigadores da Universidade da Pensilvânia publicou no Journal of Social and Clinical Psychology as primeiras evidências experimentais que o Facebook, o Snapchat e o Instagram podem acabar com o bem estar psicológico da pessao.

Os investigadores perceberam que precisavam usar um sistema de medição em tempo real das redes sociais, algo que os estudantes não poderiam alterar de forma simples. Logo, decidiram medir o uso das plataformas mais utilizadas entre um grupo de estudantes, utilizando a monitorização que fazia a bateria do smartphones sobre o uso pelos aplicativos.

 

 

Apenas 10 minutos

 

 

Os participantes foram divididos em dois grupos: um com vida normal e outro limitando o tempo de uso por plataforma a, no máximo, dez minutos. Regularmente, os estudantes teriam que enviar capturas de tela sobre o consumo de energia para os investigadores. Em três semanas, eles examinaram sete problemas, incluindo depressão, solidão ou ansiedade.

O resultado?

Quem usa as redes sociais abaixo da normalidade sente uma redução significativa da depressão e da solidão.

 

 

Devemos abandonar as redes sociais?

 

 

Os resultados não sugerem que os jovens precisam deixar de usar as redes sociais completamente, uma vez que a abstinência total é um objetivo pouco realista. É um paradoxo a tentativa de reduzir o uso das redes sociais, quando na verdade a utilizamos para nos sentir menos sozinhos.

Porém, o estudo mostra que a nossa relação com as redes sociais é mais complexa do que o esperado: de alguma forma, elas conseguem incentivar comportamentos que nos fazem mal.

Então, por que usamos ferramentas que nos fazem sentir mais solitários e deprimidos? Não é algo que esse estudo pode responder. Alguns estudos menores mostram o efeito que as redes resultam em nosso estado íntimo, mas contam com dados insuficientes.

Por isso, pelo menos nesse caso, temos duas conclusões claras.

A primeira é que é de bom tom reduzir a oportunidade de comparação social. E a segunda é que as redes sociais chegaram mesmo para ficar, e por esse mesmo motivo nós deveríamos averiguar como utilizamos essas redes.

 

Para ler o estudo em detalhes, clique aqui.