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Se você defende o Lula de forma enlouquecedora nas redes sociais, o meu conselho é: não assista ao filme A Lavanderia, que estreou recentemente na Netflix.

Por outro lado, se você acredita em tudo o que o Bolsonaro fala e diz, defendendo o atual presidente de forma cega, o meu conselho é o mesmo: não assista ao filme A Lavanderia, que estreou recentemente na Netflix.

A regra anterior vale para os filhos do Bolsonaro. Acredita e defende Flávio, Eduardo e Carlos, não assista ao filme A Lavanderia, que estreou recentemente na Netflix.

E, principalmente: se o seu QI é abaixo de 90, nem tente assistir esse filme, pois você não vai entender nada.

Para todos os demais grupos: vá em frente e assista logo, pois o filme é ótimo!

 

 

Um filme que é didático para explicar a corrupção humana

 

 

É preciso entender o mínimo para acompanhar a história de A Lavanderia, novo filme de Steven Soderbergh para a Netflix. Ele basicamente mostra como foi o esquema de corrupção que resultou em um dos maiores vazamentos de dados da história, conhecido mundialmente como Panama Papers, ou Papéis do Panamá. Sua narrativa é baseada no livro Secrecy World: Inside the Panama Papers Investigation of Illicit Money Networks and the Global Elite, de Jake Bernstein.

Além de mostrar de forma didática e com muito humor negro como todo o esquema funcionou, o filme mostra os efeitos que o esquema de lavagem de dinheiro a partir da ótica de alguns dos seus envolvidos, com diferentes perfis e suas respectivas consequências.

O filme não tem pudores em apontar o dedo na cara dos culpados. E o maior culpado para que todo o esquema de corrupção dos Papéis do Panamá acontecesse é… você.

 

 

Com exceção de Ellen Martin (Meryl Streep), os demais afetados pelo esquema da Mossack Fonseca são pessoas com condutas duvidosas e índole questionável. Todos aceitam tirar uma vantagem em algo para participar de um esquema de enriquecimento fácil e que não é ilegal (mas é imoral), pois existe uma enorme brecha na legislação norte-americana que viabiliza o esquema ilegal.

A Lavanderia não perdoa nada ou ninguém. Até a Odebrecht é devidamente mencionada no longa, fazendo uma clara referência ao maior esquema de corrução da história do Brasil. E o tom de crítica ácido e mordaz é permeado por uma constante e maravilhosa quebra de quarta parede, onde Jürgen Mossack (Gary Oldman) e Ramón Fonseca (Antonio Banderas), os mentores do esquema de trambiques, narram e apresentam os fatos para nós, espectadores.

Muitos eleitores e defensores ferrenhos de Lula e Bolsonaro vão se irritar e muito com A Lavanderia, pois vão se identificar com a hipocrisia dos seus personagens, além de perceberem que são tão sujos quanto seus mentores. O filme não escolhe heróis ou vilões. Apresenta todos como responsáveis por suas próprias escolhas, com consequências imprevisíveis e que claramente refletem contra o seu desejo de tirar vantagem em tudo.

Sim… gente malandra e desonesta existe nos Estados Unidos e no Brasil. E em todos os lados. Não existe o lado certo. Lamento informar isso para você, amigo leitor que está nesse momento revoltado comigo e com este texto.

 

 

Mas deixando de lado o alto teor incriminatório para cidadãos hipócritas e falsos moralistas, A Lavanderia é um bom filme. Tem uma narrativa meio complexa para quem não está preparado com as verdades dos fatos ou para quem não está muito por dentro sobre o caso, mas ele consegue ser didático e compreensível para qualquer pessoa com o mínimo de cultura geral.

O texto é muito inteligente, o roteiro é bem estruturado (apesar de um pouco confuso em alguns momentos do segundo ato, mas sem deixar o espectador perdido por completo) e o elenco é simplesmente incrível (Merly Streep, Gary Oldman, Antonio Banderas, Sharon Stone, David Schwimmer, Jeffrey Wright, Will Forte, Chris Parnell, James Cromwell, Melissa Rauch, Robert Patrick, entre outros).

A Lavanderia é um filme para você assistir com a máxima atenção, absorvendo cada detalhe e refletindo sobre os seus personagens, suas personalidades e as consequências sofridas durante os eventos em sua história. É um filme que tem uma duração relativamente curta para o tipo de história que se propõe a contar (1h37), o que é uma virtude, pois poderia ser mais maçante e incompreensível para algumas pessoas.

 

 

Para resumir: pessoas inteligentes vão adorar A Lavanderia. Lulistas e bolsonaristas juramentados vão simplesmente odiar.

Ou não vão entender nada, pois lulistas e bolsonaristas juramentados contam com um QI abaixo de 90.

 


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