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Muita gente está afirmando que a Apple está em crise. E está mesmo, não dá para negar. Não apenas a crise provocada pelos motivos alegados por Tim Cook, mas também a crise do contratempo: o AirPower não existe, os iPhones não vendem como esperado, e os acionistas estão realmente descontentes. E motivos para a irritação não faltam.

Todo mundo sabia que os resultados cada vez mais positivos para a Apple chegariam ao fim um dia. Porém, todos também esperavam que a mesma Apple saberia como lidar com isso. Não é o caso da gigante de Cupertino já sofrer de prejuízos ou perdas financeiras. Ela apenas não está alcançando as receitas esperadas.

Ou seja… a Apple parou de crescer.

Um dos motivos alegados por Tim Cook para isso acontecer é a desaceleração da busca pelos novos iPhones no mercado chinês. Ok, isso tem um impacto nas vendas, mas nem de longe serve como desculpa para um cenário mais amplo. Por mais importante que a China seja para as receitas da Apple, há todo um mercado consolidado que está em clara retração.

E não apenas para o iPhone. Vale para todos os fabricantes.

 

 

Diante de tudo isso… a Apple pode lançar um iPhone mais barato?

O grande problema é que a Apple vende um produto destinado a uma fatia de mercado que, nos mercados já existentes, ela já está preenchida. Na Europa (por exemplo), o iPhone não cresce mais. Só fará manutenção dos números.

Há algumas coisas que a Apple pode fazer, mas não passam perto de serem as melhores decisões. Não oferecer as atualizações para os usuários de modelos antigos, que automaticamente seriam obrigados a buscar dispositivos novos é uma das alternativas. Mas isso certamente vai sujar e feio a imagem da Apple, uma vez que no mundo civilizado tal tática (que já é adotada por vários fabricantes de smartphones Android, e isso é importante lembrar) – amplamente criticada pela própria Apple nos últimos anos – responde pelo nome de OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA.

Logo, a melhor estratégia talvez passe pelo lançamento de um iPhone efetivamente mais barato. O iPhone XR é o modelo mais vendido dentro da nova geração de telefones da Apple, com um preço relativamente justo é uma boa relação custo/benefício, dentro do cenário estabelecido.

Essa seria uma forma de promover um novo arranque nas vendas de iPhones. Se isso vai acontecer? É pouco provável. Historicamente, a Apple posiciona os seus smartphones como produtos de elite. Mas momentos desesperados exigem decisões arriscadas. E não tomar essa decisão agora pode representar o desaparecimento do mercado para daqui a cinco anos.

Nokia, BlackBerry, Motorola e outras já deixaram várias lições para todos.


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