Depois de sete anos como refugiado político na embaixada do Equador no Reino Unido, Julian Assange, fundador do WikiLeaks, é preso pelas autoridades britânicas, após a retirada do asilo diplomático por parte do governo equatoriano.

Assange estava na embaixada desde agosto de 2012, quando obteve o resguardo das autoridades equatorianas. Naquele momento, a decisão era transitória, mas ele chegou a obter registro de nacionalidade para se manter ali por sete longos anos. E esse tempo é mais do que suficiente para diluir a relevância do que Julian Assange fez, e o que a sua prisão representa nos aspectos social e político.

Nesse post, apresentamos uma cronologia resumida sobre os fatos que resultaram na prisão de hoje, como forma de dimensionar a magnitude desses eventos.

 

 

A linha de tempo de Julian Assange (entre 2008 e 2019)

 

 

Entre 2008 e 2010: o australiano Julian Assange começa a construir a sua reputação por vazar documentos confidenciais. Adquire certa notoriedade por revelar informações confidenciais do saque ao Quênia de US$ 1.5 bilhão por parte do presidente Daniel Arap Moi. Em 2008, vaza os e-mails da então candidata à vice-presidente dos Estados Unidos Sarah Palin, o que resultou na sua retirada da disputa.

Julho de 2010: o WikiLekas aparece em cena. O site liberou mais de 90 mil documentos militares, e esse foi o maior vazamento de informações da história do Exército dos Estados Unidos. Os documentos secretos falam de estratégias militares na guerra do Afeganistão, mas baixas civis e toneladas de informações que incomodaram (e muito) a opinião pública.

Agosto de 2010: a Suécia emite ordem de prisão contra Assange, sob a acusação de suposta violação sexual. A acusação veio de uma simpatizante do Partido Pirata sueco. Julian assumiu o controle da conta do WikiLeaks no Twitter para se defender. Enquanto isso, ele começa a fugir.

Outubro de 2010: o WikiLeaks contra-ataca. Publicou 391 mil documentos sobre a guerra do Iraque, com detalhes sobre torturas e outras atrocidades. É o maior vazamento de dados da história do Pentágono.

Dezembro de 2010: Julian Assange se entrega para a polícia britânica para responder as supostas acusações de crimes sexuais. O governo norte-americano comemora (literalmente). Um juiz revogou a prisão preventiva, e Assange paga uma multa de 240 mil euros para recuperar o seu passaporte. Já a Visa e a Mastercard bloqueiam o sistema de fundos do WikiLeaks.

Abril de 2011: o WikiLeaks vaza documentos sobre os presos em Guantánamo. A Suécia pede a extradição de Assange.

Agosto de 2011: o WikiLekas vaza documentos sobre a espionagem a funcionários das Nações Unidas.

Outubro de 2011: o WikiLeaks anuncia a suspensão de suas atividades por falta de fundos após a decisão da Visa e da Mastercard.

Maio de 2012: o Tribunal Supremo do Reino Unido inicia o processo de extradição de Assange para a Suécia.

Junho de 2012: depois de horas de perseguições e especulações, o ministro das Relações Exteriores do Equador revela que Julian Assange está na Embaixada do Equador em Londres, e lá solicitou asilo político.

Agosto de 2012: o Equador confirma o asilo político a Assange, se tornando residente em sua embaixada. A comunidade internacional fica bem insatisfeita com isso.

Julho de 2013: as autoridades do Equador revelam que alguém instalou um microfone em sua embaixada.

Junho de 2014: a ONU abre uma investigação sobre o WikiLeaks. Assange solicita que seja retirada a investigação contra ele.

Fevereiro de 2016: a ONU denuncia a prisão de Assange como uma ação arbitrária. Pede que as autoridades suecas e britânicas aliviem a perseguição ao acusado.

Junho de 2016: com quatro anos de asilo, Noam Chomsky, Ai Wei Wei, Slavoj Zizek, Paz Pérez Esquivel, Michael Moore, Vivienne Westwood e outras personalidades se manifestam a favor de Julian Assange.

Novembro de 2016: Assange é interrogado por um fiscal equatoriano e magistrados suecos, alegando ser inocente das acusações de estupro.

Janeiro de 2017: Julian oferece se entregar em troca de libertarem Chelsea Manning, que foi analista militar e responsável por vazar 700 mil documentos ao WikiLeaks.

Maio de 2017: a Suécia arquiva a investigação contra Assange. A polícia britânica segue perseguindo ele por não cumprir com as condições originais de sua ordem de prisão.

Entre 2017 e 2019: aumentam as tensões internas na Embaixada do Equador. Depois de muitos conflitos entre Assange e a embaixada, aumentam os rumores sobre uma futura expulsão.

Abril de 2019: Julian Assange é preso na embaixada do Equador em Londres, aos 48 anos de idade.