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Ontem (03), eu descumpri uma promessa que fiz para mim mesmo em 2012. Essa promessa foi “eu não assisto mais ao Prêmio Multishow de Música Brasileira”. Fiz essa promessa depois de 1h30 de uma das piores premiações que vi na minha vida. Mas como minha esposa queria ver a premiação (e eu já tenho a quem culpar por isso), e de forma quase inocente disse “quem sabe esse ano não é melhor”, eu estupidamente decidi assistir a premiação.

E já começo dizendo: “amor, te amo… mas nunca mais!”

O problema do Prêmio Multishow de Música Brasileira não é nem mais os indicados, os estilos musicais executados, os artistas envolvidos. Nada disso. Até porque poderia ser pior (sempre pode: poderiam indicar O Teatro Mágico como “Hit do Ano”, como um finado canal musical fez no ano passado). Nada disso provocou minha desanimação em relação ao evento. E olha que eu gosto de música.

O problema é que, mesmo sendo um evento do grupo Globosat, o Prêmio Multishow se tornou algo totalmente engessado, sem graça. Praticamente feito para você não se empolgar com praticamente nada. E pior: sem prestar o favor de inserir novos artistas e estilos musicais para quem não está por dentro dos artistas que estão em alta rotatividade na internet. Ou sendo mais específico, para quem não mora no Rio de Janeiro. Mas essa segunda hipótese não entra no cerne da questão.

Eu assisti ao Premio Multishow 2013 imaginando que alguns executivos de gravadoras, ou empresários de artistas menores saíram de lá pensando “escuta, será que não tem jeito de voltar com o VMB da MTV não?”. Veja bem: para começar, uma estrutura de palco que está cercada de profissionais da música, e não de fãs, como uma boa premiação musical pede. Até o Grammy Awards entendeu isso. Por que diabos o Multishow quis deixar o público, o povão, os fãs dos artistas em uma “arquibancada” no fundo do palco, ou no mezanino, a 2 km de distância do palco?

Resultado: durante performances teoricamente animadas, como as de Naldo e Anitta, o palco estava cercado de artistas/executivos coxinhas/almofadinhas, de saco cheio da Ivete Sangalo e do Paulo Gustavo, que ficavam o tempo todo inertes e indiferentes às performances. Criando um baita anti-clímax para os artistas que lá se aproveitaram.

Além disso, se você não está minimamente antenado na programação musical do Multishow (ou no que está tocando na internet), você simplesmente fica boiando no Prêmio Multishow. Para quem vê o programa sem tomar conhecimento dos indicados, não tem nem a chance de ter uma amostra de 10 segundos dos novos artistas que estão indicados em algumas categorias. E nem de algumas novas músicas/clipes dos artistas mais populares.

O motivo? O Multishow não se deu ao trabalho de colocar os tais dez segundos de cada música do artista indicado, para que o espectador menos antenado tenha uma vaga ideia de como é o som daquele artista, para que esse mesmo espectador vire consumidor, comprando a música no iTunes ou em outra plataforma musical (ou pior: para que vá na loja e compre o CD).

Mas não. O Multishow optou pelos apresentadores ditando os nomes já exibidos nos vários telões de LED do palco, e pronto. Quer saber como é a música daquele artista? Memoriza e pesquisa no Google. Te vira. Afinal, TV não foi feita para facilitar a sua vida.

Sem falar que apenas os artistas ditos consagrados se apresentaram ao vivo. E cantando as músicas que eles tocavam nas décadas passadas! Abraço, Skank e Caetano Veloso!

A melhor parte do Prêmio Multishow 2013, de novo, foi o debate exclusivo na web, com o tal Júri Especializado, composto por produtores, jornalistas, entusiastas da música e até mesmo blogueiros que gostam de escrever sobre isso na internet. Um debate de alto nível para decidir alguns dos vencedores.

Em resumo: o Prêmio Multishow, de novo, foi bem abaixo do que poderia ser. Assusta que o padrão Globosat cometa tantos erros, e entregue uma premiação tão fraca até para os fãs de algumas bandas. Sem falar que nem eu suporto mais a dupla Ivete/Paulo. Não funciona mais. É constrangedor ver a dupla corrigindo erros de áudio, de TP, tentando extrair discursos de convidados que não queriam falar, plateia desanimada… se esforçam, mas não são engraçados. Não cola mais.

Até mesmo o pessoal do Vai que Cola cansou no palco.

No final das contas, terminei de ver o Prêmio Multishow 2013 pensando na possibilidade de financiar um VMB na MTV no improviso. Aposto que os estagiários que sobraram, com os comediantes que ainda apresentamo o Furo MTV, juntos, e sem dinheiro, fazem uma premiação melhor do que a premiação de ontem.

Se bem que a MTV Brasil iria indicar o Teatro Mágico, então… bem… deixa pra lá!


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