Finalmente! O leitor de digitais saiu das costas do smartphone (e da frente, e da lateral, etc) e foi para as telas dos novos dispositivos. A invasão é protagonizada pelos leitores óticos e ultrassônicos, e basta por o dedo na tela para você ser identificado. Sem falar que a proposta deixou os dispositivos com um design mais limpo.

Porém, existe uma peculiaridade no formato de leitor de digitais na tela: todos os smartphones com essa característica utilizam tela OLED.

Por que isso acontece?

A Xiaomi ajuda a explicar, já que os modelos Redmi Note 7 e Redmi Note 7 Pro não contam com essa característica. Sobre o leitor abaixo da tela, a empresa explica que não é possível inserir um leitor desses abaixo da tela LCD, mas sem entrar em maiores detalhes. Porém, a menção é feita os leitores óticos, os mais populares no momento, e não dos ultrassônicos, quase exclusivo da Samsung.

A Redmi chegou a estudar migrar o leitor de digitais da parte traseira para a lateral do dispositivo, mas a taxa de erros do leitor nessa posição era muito mais alta do que na parte traseira (duas ou três vezes maior), especialmente pelo tamanho menor na lateral. E a Xiaomi especifica o problema com as “condições técnicas atuais” dos seus leitores.

Todas as menções da Xiaomi são para os leitores óticos, os mais populares do mercado, que ficam atrás da tela do smartphone, mesmo fazendo parte da própria tela. Ou seja, não estamos falando de um leitor integrado no interior do smartphone, que nesse momento não funcionam com as telas LCD, por causa da própria construção da tela.

Quando falamos de telas LCD, falamos de telas retroiluminadas. Quando olhamos para a tela, vemos o cristal que a protege, mas no seu interior a estrutura é mais complexa. Uma lâmina polarizadora abaixo da protetora, a própria matriz dos pixels, o substrato de cristal, mais polarização e, por último, o refletor. A capa que reflete a luz da tela é que representa o grande impedimento para os leitores óticos funcionarem.

 

 

Os leitores de digitais precisam ser integrados em todas essas capas, e o painel refletor é opaco. O leitor de digitais óticos teria que ficar posicionado atrás de uma parede escura, perdendo por completo a sua funcionalidade. Ao necessitar a linha visual direta, aqui apresenta o problema de alguns protetores de tela que escurecem o conjunto, o que impede o funcionamento do leitor de digitais com uma tela LCD. No caso das telas OLED, a retroiluminação não existe, pois falamos de uma tela transparente onde o leitor pode ser integrado por trás da mesma.

Isso não acontece com os leitores de digitais por ultrassom, como os apresentados pela Qualcomm e os inseridos pela Samsung no Galaxy S10 e Galaxy S10+. O ultrassom funciona de forma similar, com a diferença que usa ondas sonoras que podem atravessar finos materiais, e que até poderiam funcionar em uma tela LCD por contar com poucos milímetros no seu conjunto.

Ou seja, os leitores de digitais óticos só funcionam nas telas OLED, mas em teoria, os leitores ultrassônicos funcionam com qualquer tipo de tela.

 

Via Weibo