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Para motoristas de carros, os ciclistas não são humanos

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Ciclistas e condutores de veículos automotores. Duas raças separadas pelo nascimento que lutam pelo mesmo espaço nas ruas, mas se enxergam de longe como obstáculos naturais um para o outro. Os dois grupos nunca conviveram de forma pacífica, mas agora um estudo na Austrália confirma o nível de hostilidade dos motoristas de carros contra os ciclistas.

O estudo foi realizado por investigadores da Universidade de Monash, pelo Centro de Pesquisa de Acidentes e Segurança de Queensland (CARRS-Q) e pela Escola de Ciências Psicológicas da Universidade de Melborne. Este é basicamente o primeiro estudo que analisa um grupo de usuários sobre o problema da desumanização no trânsito, estudando o seu comportamento e relacionado o mesmo com as atitudes e comportamentos aplicados aos grupos raciais, sexuais e étnicos.

O estudo envolveu 442 entrevistados, e identificou a atitude dos motoristas de carros em relação aos ciclistas, verificando se eles eram mesmo ciclistas ou não ciclistas. Para isso, foi utilizada uma escala de evolução icônica, partindo de uma barata até um ser humano, passando por um macaco dentro da escala.

“Por que tudo isso?”, você deve estar se perguntando.

 

 

Para os motoristas de automóveis, ciclistas não são humanos

 

 

O principal responsável pelo estudo, o Dr. Alexa Delbosc (professor do Instituto de Estudos do Transporte/Faculdade de Engenharia Civil da Universidade de Monash) afirma que a escala inseto-humano foi desenvolvida para o estudo pelo fato que muitos dos insultos informais contra ciclistas resultam em comparações com baratas e vermes.

De acordo com o estudo:

– 55% dos não ciclistas e 30% dos ciclistas qualificaram os ciclistas como NÃO COMPLETAMENTE HUMANOS.
– 17% afirmaram que utilizaram o seu carro para BLOQUEAR DELIBERADAMENTE UM CICLISTA.
– 11% afirmam que conduziram deliberadamente o seu automóvel PRÓXIMO A UM CICLISTA (oferecendo assim perigo ao ser mais vulnerável na estrada).
– 9% já utilizaram o seu carro para BLOQUEAR E INTERROMPER A VIA DE UM CICLISTA.

“Quando a pessoa não pensa que alguém é “completamente humano”, é mais fácil justificar o ódio e a agressão contra essas pessoas. Isso pode se configurar em um ciclo crescente de ressentimento”, afirma o Dr. Delbosc.

O co-autor do artigo, o diretor do Centro CARRS-Q, Narelle Haworth, afirmou que o estudo revelou que o problema da desumanização nas ruas e estradas não é apenas um caso do motorista de automóvel contra o ciclista.

“O problema mais importante é que um número significativo nos dois grupos classificam os ciclistas como não 100% humanos. Há pessoas que pensam que os ciclistas não são completamente humanos, e a escala de desumanização está associada com a auto-informação da agressão direta. Usar um veículo para bloquear deliberadamente um ciclista, usar um carro para deliberadamente prejudicar um ciclista, lançar um objeto contra um ciclista, são atos perigosos de agressão direta ao próximo“.

 

 

Nota do editor: eu sou ciclista e pedestre. Eu passei a minha vida nessas condições, e procuro conduzir para mim e para os outros. Eu vivo em uma cidade (Florianópolis, SC) onde infelizmente eu constato que o motorista médio é péssimo, e as infrações de trânsito e a falta de educação e respeito ao próximo estão nos valores culturais de muitos motoristas. Recentemente, em uma conversa informal, eu tive o desprazer de testemunhar o comportamento de um motorista médio da cidade, pregando a “morte aos ciclistas” (o que me surpreende, vindo de uma pessoa que deveria ser a última a trazer preconceitos dentro de si). Entendo que o problema envolve todos os elementos que dividem o trânsito pelas ruas das cidades brasileiras, onde o grande coletivo (incluindo pedestres e ciclistas) precisa passar por uma re-educação para compreender o conceito de mobilidade compartilhada/colaborativa e, principalmente, o respeito ao próximo em uma via pública. Porém, não posso deixar de afirmar que o estudo apenas confirma que existe sim o pensamento estabelecido daqueles que entendem que, por terem um carro, acreditam que tem mais direitos que os demais, sem pensar que a rua é para todos.

 

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