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O veto comercial dos Estados Unidos contra a Huawei chegou ao fim. Em coletiva realizada durante a reunião do G20 em Osaka (Japão), o presidente dos Estados Unidos confirmou que “está tudo bem”, e a gigante chinesa pode voltar a negociar com empresas norte-americanas.

Apesar do “está tudo bem” de Trump, muitos dos nossos leitores não sabem exatamente o que isso significa na vida prática. Vale lembrar que o fim do veto contra a Huawei não significa que a guerra comercial entre Estados Unidos e China terminou. Os dois países precisam se entender nessa questão.

Trump disse com todas as letras que, para ele, “está tudo bem” que as empresas norte-americanas sigam negociando com a Huawei para que a mesma continue a fabricar os seus produtos, e confirmou também que não haverá aumentos de impostos para empresas que vão receber componentes ou vão montar produtos na China.

Vale lembrar que a Administração Donald Trump sofreu enormes pressões diante do veto à Huawei por parte de gigantes do mundo dos semicondutores e também por parte do Google. Além disso, empresas do calibre de Intel, Microosft e Dell se uniram para protestar contra as medidas, e a Apple pediu com todas as letras o fim da guerra comercial.

Logo, diante desse cenário, o fim do veto por parte do Trump não é nenhuma novidade absurda. Não foram revelados os termos e condições do acordo para tirar a Huawei da lista negra dos Estados Unidos, mas é quase certo que os chineses tiveram que ceder em algumas coisas.

 

 

O que o fim do veto significa para a Huawei?

 

 

As consequências são muito importantes, mas podem ser resumidas em uma única frase: tudo volta ao normal.

A Huawei recupera a sua licença ARM, ou seja, pode seguir desenvolvendo os seus próprios SoC com CPUs baseadas nessa arquitetura, e pode voltar a negociar com Microsoft, Intel, Google e outras empresas norte-americanas.

Desse modo, a Huawei pode seguir utilizando o Android e os serviços do Google nos seus futuros smartphones. Os seus notebooks baseados no Windows 10 vão seguir recebendo as atualizações semestrais, além de poder utilizar também os processadores Intel em futuros equipamentos. Outras empresas que se negaram a seguir fornecendo componentes podem restabelecer as suas relações comerciais com a gigante asiática.

Por outro lado, durante o período que o veto dos Estados Unidos durou, a Huawei teve a sua imagem e seu negócio prejudicados. A decisão arbitrária e infundada em impor um veto à Huawei tinha como objetivo pressionar a China na guerra comercial, algo que acabou explodindo nas mãos da Administração Donald Trump.

Este novo episódio, combinado com o caso da ZTE (que aconteceu no ano passado, mas que não ganhou tamanha repercussão por se tratar de uma empresa muito menor), deixa uma valiosa lição que a China já havia aprendido: reduzir a sua dependência dos Estados Unidos em nível tecnológico e de fornecimento de componentes.

Obviamente, os chineses não vão conseguir reduzir essa dependência da noite para o dia, mas diante de tudo isso, não é uma ideia ruim a Huawei terminar o desenvolvimento do seu sistema operacional próprio. Veremos como as gigantes chinesas vão reforçar os seus investimentos para obter essa tal independência tecnológica da China frente aos Estados Unidos. É um objetivo complicado, mas os asiáticos contam com recursos de sobra para alcançá-lo.


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