Se você ainda não sabe (e eu estou aqui para lembrar você sobre isso), o ano de 2019 é o ano da tabela periódica de elementos, que completa 150 anos de criação. Por isso, vários cientistas decidiram criar uma versão revisada para, de certa forma, chamar a atenção aos elementos que começaram a ficar escassos na natureza, mas que são muito utilizados na produção de dispositivos eletrônicos, especialmente no caso dos smartphones.

A Universidade de St Andrews e a EuChemS (European Chemical Society) desenvolveram uma versão atualizada da tabela periódica dos elementos, que oferece uma visão alarmante do amplo uso e baixa re-utilização de vários desses elementos, dando luz para questões que normalmente são ignoradas por especialistas e veículos de tecnologia.

“É impressionante perceber que tudo no mundo é criado a partir de 90 elementos naturais. Porém, todos eles são limitados, e estão sendo utilizados e consumidos tão rapidamente, que vão desaparecer do planeta em menos de 100 anos.”

Na Europa, são descartados cerca de 10 milhões de smartphones todos os meses. Cada smartphone é produzido com cerca de 30 elementos, nos quais 17 estão em preocupantes níveis de uso. E isso, levando em consideração as regiões que se encontram em zone de conflito, que normalmente não conseguem re-utilizar esses materiais.

O smartphone é uma das maiores preocupações desses cientistas. Muita gente troca de telefone todos os anos ou a cada dois anos, e é preciso fazer alguma coisa para que as pessoas fiquem conscientes sobre o que significa não ter esses elementos na natureza de forma natural. Por isso, é preciso melhorar as práticas de reciclagem de materiais o quanto antes.

 

 

As maiores ameaças

A EuChemS dá uma ênfase especial na situação envolvendo os elementos Indium (In), Phosphorus (P) e Lithium (Li).

O Indium é utilizado nas telas dos smartphones, e levando em consideração o nível de consumo atual, ele deve desaparecer nos próximos 50 anos.

Já o Fósforo é utilizado em nosso próprio corpo, especialmente na formação dos ossos e dos dentes. A maioria dos minerais de fosfato que utilizamos acaba no esgoto.

Por fim, o Lithium é o mais conhecido dos três, e está principalmente nas baterias dos dispositivos, e é até bem fácil de ser reciclado. Porém, é preciso uma maior eficiência nessa reciclagem, ou o elemento vai desaparecer nas próximas décadas.

A tabela periódica de elementos revisada foi lançada pelo Parlamento Europeu no dia 22 de janeiro.

 

Via EuChemS