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AI Pin é um desastre: sinal de alerta ligado

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O AI Pin da Humane é um dispositivo vestível que prometia revolucionar a forma como interagimos com a tecnologia. Prometia, pois aparentemente ele fracassou em seus testes iniciais.

Idealizado por ex-funcionários da Apple, o AI Pin se apresentava como uma alternativa aos smartphones, oferecendo uma experiência de usuário totalmente guiada por inteligência artificial (IA) e sem a necessidade de tela.

Na verdade, o dispositivo queria ir além disso. A “promessa” era de acabar com o smartphone tal e como conhecemos. Algo ambicioso para um conceito que é novo para o mercado.

No entanto, avaliações recentes de veículos especializados em tecnologia revelaram uma série de problemas que colocam em xeque o futuro do dispositivo, derrubando (em partes) a narrativa de “smartphone killer”.

 

Massacrado pela crítica

Desde seu lançamento, o AI Pin recebeu críticas contundentes de diversos veículos especializados em tecnologia, como The Verge, Engadget e Wired. Para endossar a lista de reclamantes, temos ninguém menos que o maior produtor de conteúdos de tecnologia do planeta, Marques Brownlee.

É quase um uníssono. O dispositivo foi classificado como “inferior aos smartphones” e “uma solução para nenhum problema”, com diversas avaliações apontando para a lentidão e a falta de confiabilidade da interação por voz, principal meio de comunicação com o AI Pin.

Todas essas críticas podem ser consideradas como “normais”, levando em conta que estamos falando de um novo conceito de dispositivo tecnológico. O que atrapalha a vida do AI Pin é a ambição previamente declarada pelos seus idealizadores.

O mais crítico de todos foi justamente Marques Brownlee, que possui uma enorme relevância no setor de tecnologia. Suas palavras podem inclusive selar o futuro do Ai Pin de forma definitiva.

Para Brownlee, o AI Pin foi “o pior produto que já analisou até agora”. Em seu vídeo de avaliação, ele detalhou diversos problemas presentes no dispositivo, como a latência frequente nas respostas, erros de reconhecimento de voz e a inutilidade de alguns recursos.

A interação com o AI Pin se baseia principalmente na voz, com a possibilidade de projeção de informações na mão do usuário. Na prática, essa projeção é limitada e só se mostra útil em cenários específicos. Ou seja, ainda é mais prático interagir com o smartphone em diferentes vias.

Além disso, o dispositivo apresenta um gesto de pinça para avançar em textos, o que se torna impraticável no dia a dia. Até porque é muito mais fácil e prático usar apenas um dedo para rolar em páginas na tela do smartphone, ou até mesmo em uma tela virtual.

Mas como é quase certo que a Humane não possui a patente para esse tipo de interação…

As avaliações também destacaram o superaquecimento do AI Pin durante o uso, um problema que pode ser agravado pela falta de tela, que impede a dissipação do calor.

Essa parte até pode ser resolvida com uma atualização de software… se é que o problema é exatamente esse. Se for uma falha de projeto, a Humane terá jogado uma enorme quantidade de dinheiro diretamente na lata do lixo, e só uma segunda versão do AI Pin pode contornar a falha.

 

Um produto muito caro

O AI Pin está disponível apenas nos Estados Unidos por US$ 699, um preço elevado para um dispositivo com funcionalidades tão limitadas. Além disso, é necessária uma assinatura mensal de US$ 24 para ter acesso a todos os recursos.

Ou seja, para este primeiro momento, o AI Pin não só é problemático, como ele é desinteressante para a esmagadora maioria dos usuários. Enquanto o conceito não amadurecer (e, ao mesmo tempo, a tecnologia não baratear), nem mesmo os mais fanáticos por tecnologia vão investir dinheiro em um dispositivo como esse.

Mas nem tudo é desgraça para o AI Pin.

Apesar das críticas, alguns analistas acreditam que o futuro da tecnologia de IA vestível ainda é promissor. Outras soluções estão aparecendo no mercado com os mais diferentes formatos, e não dá para jogar fora um conceito como esse… ainda.

Todos reconheceram que o AI Pin, em sua forma atual, ainda está em um estágio inicial de desenvolvimento, e que a tecnologia precisa ser aprimorada significativamente para se tornar um produto comercialmente viável.

Enquanto isso, vamos voltar os nossos olhares para outras soluções.

 

O que estão falando do Vision Pro e do Rabbit R1

O AI Pin não é o único dispositivo vestível de IA que tem sido alvo de críticas (para a sorte da Humane neste momento).

O Vision Pro também recebeu avaliações negativas de alguns especialistas em tecnologia, mostrando que a Apple também prometeu muito e não entregou tudo nessa primeira versão.

O analista Steve Troughton-Smith compara o Vision Pro com o AI Pin, e afirma que ambos representam “aspectos do que será o futuro”, mas que tudo depende do aprimoramento da tecnologia de IA local, sem necessidade de conexão à nuvem.

A independência da internet é um dos pontos que precisam ser resolvidos para a Inteligência Artificial se torne mainstream de forma definitiva. Neste aspecto, os smartphones estão alguns passos na frente, pois contam com NPUs que fazem todo o trabalho pesado.

Os computadores (principalmente os notebooks) estão caminhando na mesma direção, e a tendência é que qualquer dispositivo com IA precisa ser independente da internet para ser algo viável para o grande público, recebendo atualizações da internet de tempos em tempos para ampliar o seu banco de informações e possibilidades de interação.

Sobre o Rabbit R1, outro dispositivo de IA vestível que se destaca por seu design atraente e pela ideia de um “Large Action Model” (LAM), também está no radar dos especialistas.

Com um preço bem mais acessível (US$ 199) que o AI Pin, o Rabbit R1 ainda precisa provar se sua proposta de IA mais potente é realmente útil e prática.

O que conta a favor do Rabbit R1 é que, diferente do AI Pin, ele não quer substituir o nosso smartphone. Quer é ser um complemento com IA para atividades específicas, facilitando a vida do usuário.

A tendência de agentes de IA em dispositivos como o Rabbit R1 é promissora. Mas as primeiras impressões deixadas pelos tão criticados Vision Pro e AI Pin mostram claramente que a experiência de uso precisa melhorar (e muito) para convencer o coletivo.

Até lá, todos esses dispositivos serão vistos com uma boa dose de desconfiança. E não podemos culpar os usuários por isso.


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