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Uma trollada do Xbox no PlayStation escancarou a crise na atual geração de videogames

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É… parece que a Microsoft tem um ponto. E não é um ponto pequeno.

Na era da internet, fazer bullying com a concorrência é a coisa mais normal do mundo. E eu não quero dizer que isso é algo socialmente aceitável (longe de mim). Só estou afirmando que todo mundo tira sarro de todo mundo. Só não pode enfiar a mãe no meio, muito menos enfiar no meio da mãe dos outros.

E não precisa encher o meu saco dizendo que essa última piada foi de mau gosto. Eu sei que foi. Afinal de contas, sou eu que está escrevendo este artigo, e não o ChatGPT.

Enfim… Samsung tira sarro da Apple, Google humilha o Yahoo… e a Microsoft tirou sarro da Sony em plena PlayStation Showcase. O que ninguém imaginava é que o bullying aqui resultaria em algo ainda mais profundo do que uma simples piada espirituosa.

 

Enfiou o dedo na cara, e revelou um problema da indústria

A Sony realizou a sua edição do PlayStation Showcase 2023, cuidando de sua própria vida e alimentando os usuários dos seus consoles de esperanças sobre os novos jogos que estão por vir para o seu console de última geração.

Nem posso dizer que esse evento existe para “tapar o buraco” da E3 2023 que está morta e enterrada, pois faz tempo que a Sony decidiu que a feira de Los Angeles não era mais o seu lugar. Criar um evento próprio era mais econômico e centrava as atenções na empresa, no PlayStation 5 e nos jogos que ela vai colocar no mercado nos próximos meses.

Bom… quero dizer… a Sony até poderia atrair todas as atenções, se não fosse o fato da Microsoft decidir tirar sarro dos japoneses para todo mundo ver, usando o mesmo PlayStation Showcase como elemento argumentativo.

Os fãs do PlayStation poderão falar melhor sobre isso, mas para muitos que assistiram ao Showcase realizado pela Sony, a impressão que ficou é que esse evento se pautou muito mais pelo preenchimento de espaços vazios, a apresentação de jogos que muitos já sabiam que estava por vir e, principalmente, pela ausência de títulos exclusivos.

Um dos grandes trunfos na manga da Sony com os seus consoles de videogames é a oferta das suas franquias exclusivas, algo que os seus jogadores sempre se vangloriaram ao afirmar que este era um ponto muito forte do PlayStation em relação aos consoles Xbox. E sem esses títulos exclusivos, o evento vira uma espécie de “mais do mesmo” que não empolga.

Certo?

Não é bem assim.

Após a conclusão do PlayStation Showcase, a Microsoft, ousada, abusada e sem saber que era possível, foi lá e fez: a conta oficial do Xbox no Twitter publicou uma mensagem com a seguinte legenda:

“Em breve no Xbox”.

Boom.

 

De fato, muitos jogos para as duas plataformas

A Microsoft usou a apresentação da Sony para fazer aquele bullying bem safado com os japoneses. Além da frase de impacto, a imagem na mensagem publicada pela conta Xbox mostrava nada menos que 12 jogos apresentados no Showcase que NÃO ERAM EXCLUSIVOS PARA O PS5, e que seriam lançados também para o Series X e S.

Tudo bem, alguns dos jogos apresentados pela Sony contavam com exclusividade para o PlayStation. Porém, é uma exclusividade temporária, o que não significa absolutamente nada para os mais pacientes. É só se deitar na cama e esperar por esses jogos, que vão chegar ao Xbox mais cedo ou mais tarde.

O que estaria acontecendo com a Sony? Perdeu a mão na hora de desenvolver jogos exclusivos para o PlayStation 5? Ou quis abafar o caso para que os gamers mais leigos não percebessem o que aconteceu?

Bom, pelo visto, a Microsoft estava de olho no PlayStation Showcase, anotando tudo com muita atenção. Mesmo porque Phil Spencer é responsável pelo Xbox Showcase, que deve ser realizado em junho.

Se bem que, no caso da Microsoft em particular, não dá para ficar zoando muito a coleguinha. Depois de alguns jogos que chegaram ao mercado de forma apressada e sem o compromisso de entregar uma plena experiência em alguns títulos, ficar tirando sarro da Sony e do PlayStation nem é uma ideia tão produtiva assim, apesar de ser algo muito divertido, considerando que o moleque rebelde de 16 anos de idade ainda está vivo dentro da minha essência.

O problema é que, talvez, e só talvez, a Microsoft pode ter aberto uma pequena caixa de Pandora que, de alguma forma, depõe contra a própria visão corporativa da gigante de Redmond.

 

As duas tem problemas nos jogos da atual geração

A Microsoft precisa olhar para si mesma antes de apontar o dedo para os outros.

Se a gigante de Redmond acha que pode criticar a Sony pela ausência dos jogos exclusivos, não só devemos mais uma vez mencionar a qualidade dos títulos exclusivamente criados para Xbox Series X e S, mas também pela mesma inexistência de jogos pensados exclusivamente para os consoles de última geração.

Neste aspecto, as duas empresas possuem sérios problemas a resolver. Os jogos exclusivos para os consoles de nova geração são praticamente inexistentes, alguns títulos “cross gen” deixam a desejar, e os usuários não contam hoje com aquele jogo que é o carro chefe dos novos consoles.

E sem jogos, os consoles não servem para muita coisa, a não ser acumular poeira e ocupar o espaço de um receptor de TV em 4K.

Além disso, Sony e Microsoft evitam mais os jogos multiplataforma do que eu fujo do meu carnê de imposto de renda. E mesmo diante das dificuldades em vendas de consoles e jogos em todo o mundo (porque ainda estamos em recessão econômica), não abraçam de vez o crossover dos consoles a partir de jogos que funcionam em todos os sistemas, conectando usuários de diferentes pontos do mundo nessa iniciativa.

Tá, eu sei que tanto Sony quanto Microsoft já conectam usuários de pontos diferentes em um mesmo jogo, porém dentro de seus respectivos ecossistemas e propostas fechadas. E não há indícios de que isso vai mudar tão cedo.

No final das contas, a mensagem compartilhada pela conta Xbox no Twitter criticou o fato do catálogo de futuros jogos do PlayStation contar com jogos recém apresentados que vão chegar ao console de videogames da Microsoft, mais cedo ou mais tarde. Porém, foi além no tom crítico, mostrando que o problema vai longe. E qualquer esforço para tentar resolver o problema é valido.

Mesmo que seja em uma missão quase hercúlea.


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