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Lá vamos nós. De novo.

Não é a primeira vez que vamos falar sobre esse tema no TargetHD.net e, pelo visto, não será a última. E em todas as publicações, vamos defender a teoria que os jogos violentos não são os culpados pela violência entre jovens e adolescentes, e aqueles que realmente acreditam em tal teoria são, no mínimo, desinformados.

Não existe base científica para isso, e até os argumentos sobre a influência dos jogos eletrônicos é falha quando estatisticamente estamos falando da exceção, e não da regra. Sem falar que filmes violentos, música com linguagem ofensiva e pais irresponsáveis com valores deturpados nunca entram nessa equação.

Dito tudo isso, vemos mais uma vez o político brasileiro, que mal sabe usar um iPhone, tentando se meter em um assunto que não entende. O deputado federal Júnior Bozella (PSL-SP) apresentou um projeto de lei que tem como objetivo criminalizar o desenvolvimento, a importação e a distribuição de jogos eletrônicos com conteúdo violento. O resultado prático é o banimento de jogos violentos no Brasil, evitando assim que crianças e adolescentes tenham contato com esse tipo de conteúdo e se sintam estimulados a cometer atos violentos.

Toda essa discussão por parte das autoridades reascendeu depois do massacre de Suzano. Na semana passada, o tema foi para o Senado Federal, que aprovou uma audiência pública requisitada pelo senador Eduardo Girão (Pode-CE) para debater o assunto.

Já o projeto de lei do citado deputado argumenta que “ao menos em parte (SIC), essa banalização da vida e da violência pela população jovem é advinda pelo convívio constante com jogos eletrônicos violentos (…). A presente proposta visa a proibição da comercialização ou disponibilização desse tipo de jogo ou aplicação em nosso país, de modo a diminuir a chance de ocorrência das tragédias como a que observamos recentemente na cidade de Suzano.”

Isso mesmo que você acabou de ler. E… não… o nobre deputado não colocou na equação o contato das crianças e adolescentes com conteúdos impróprios para a sua idade, o pai que assiste filmes como Os Mercenários ao lado dos filhos menores, os pais que não sabem educar ou dar valores em casa, ou até mesmo os pais que deixam as armas com livre acesso aos menores.

Nada disso tem culpa.

A ideia do projeto é criminalizar tudo o que está relacionado aos jogos eletrônicos com conteúdo que incite a violência. Se aprovado, os infratores poderão ser penalizados com multa ou pena de três a seis meses de detenção. A pena pode ser triplicada se o crime for praticado na internet ou meios de comunicação em massa.

O projeto de lei precisa passar por apreciação na Câmara dos Deputados para depois ir para uma eventual votação.

Traduzindo: os videogames violentos seriam banidos do Brasil.

 

 

Censura de conteúdo no Brasil

 

Caso o nobre deputado não sabe, os videogames no Brasil que são vendidos em formato físico e digital já contam com classificação etária. Ou seja, se um menor de idade tem acesso ao jogo, é porque ou o pai está permitindo, ou um adulto está fornecendo. Da mesma forma que o filho menor de idade vai assistir ao filme Clube da Luta acompanhado do pai. É óbvio que os videogames violentos não tem culpa nessa equação, mas como mentes ignorantes querem colocar o problema para debaixo do tapete, acabam jogando nas costas da primeira coisa que aparece.

Ah, sim… ia me esquecendo: se aprovado o tal projeto de lei, vamos finalmente colocar na cadeia os desenvolvedores do nefasto Bolsomito 2K18, que pregava o extermínio das minorias e do diferente através da violência?

Seria uma ótima forma de começar a aplicar a tal lei.

 

Via UOL


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