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O eMule era o mais popular cliente P2P do início do século XXI. Hoje, os serviços de streaming dominam, mas… e se quisermos utilizar a troca de arquivos com a tecnologia de 18 anos atrás?

Aliás… que fim levou o eMule?

Em 1999, o Napster dominava o setor. E era uma maravilha: você podia baixar qualquer conteúdo, de qualquer lugar, pegando vários pedaços desse conteúdo de diferentes lugares.

 

 

O Napster sofreu a pressão da indústria fonográfica, e foi vencido em 2001, já que era considerado uma ferramenta de violação de direitos autorais (o tráfego de download e upload passava pelos servidores da empresa).

Nem mesmo a tentativa de se adaptar à legalidade, como loja online de música, resolveu para o Napster. Mas outras alternativas surgiram.

O eDonkey nasceu em 2000, e era uma rede semi-centralizada, sem servidor central de tráfego, mas atuando como hub de comunicação com outros servidores que, por sua vez, conectavam os usuários.

 

 

O eDonkey permitia compartilhar de tudo, o que foi outra revolução na internet. Mas tinha um problema: seu cliente oficial, o eDonkey2000, era um programa caótico. Uma porcaria.

A primeira versão do eMule surgiu no dia 13 de maio de 2002. E, com ele, veio o futuro.

Outros programas como Ares ou Kazaa tiveram muito sucesso na época, mas o eMule foi rei. Ainda mais depois de um update em 2004, que permitiu a conexão com a rede Kademlia.

 

 

Hoje, o eMule pode parecer frustrante para as novas gerações no que se refere ao seu uso. Mas ele contava com tudo o que a gente queria na época: chat, buscador, adição manual de servidores, comentários nos downloads… um mundo de possibilidades.

Você podia encontrar os principais lançamentos do mundo do entretenimento, além de comunidades com links de conteúdo clássico, séries de todo o mundo, jogos e música independente.

O eMule era um software para Windows, mas pouco tempo depois chegou o aMule, clone multiplataforma que segue vivo até hoje.

Mas a internet é feita de vivos e mortos. E a queda do eMule começou entre 2006 e 2007.

O programa não evoluía, com complicada usabilidade, downloads lentos, páginas fechadas por pressões judiciais e/ou governamentais, e um buscador cheio de fakes. Sem falar nos concorrentes muito poderosos e mais acessíveis aos usuários.

Os torrents, downloads diretos e o streaming estavam se popularizando, e eles foram os principais responsáveis pelo desaparecimento do eMule e dos demais programas P2P.

 

 

Hoje, muita gente não faz mais downloads de conteúdo. No máximo usa o Torrent, que se tornou a via mais popular no começo dessa década. Mas… como seria voltar a usar o eMule hoje?

O aplicativo original do eMule tem como última versão estável a 0.50a, de abril de 2010. Sua interface é uma volta ao passado, no melhor estilo Windows XP de ser. Nenhum dos servidores padrão funcionam.

Uma pesquisa no Google pode revelar alguns servidores atualizados e ativos (na verdade, apenas 8). Neles, é possível encontrar conteúdos legalizados, como músicas livres de direitos e o filme The Man From Earth: Holocene, longa independente de ficção científica.

 

 

O download do filme é bem lento, levando várias horas onde você pode ver muito conteúdo na Netflix. Ou seja, não compensa muito. A melhor fonte baixa o conteúdo a pouco mais de 300Kb por segundo, e só serve para a gente se lembrar da adrenalina que a gente sentia quando isso acontecia. O filme levou em média 30 minutos para concluir o seu download.

Alguns sites de referência ao DivX estão ativos, com coleção de filmes de cinema clássico e séries de procedências ‘exóticas’. E os downloads seguem lentos, com poucas fontes.

O chat IRC integrado ao programa conta com muitos canais e poucas pessoas, normalmente com canais de dúvidas sobre o funcionamento do software, com moderadores respondendo pacientemente.

 

 

No final das contas, o eMule merece ficar no passado. Os primeiros anos do novo século foram muito mais épicos em termos de acesso ao entretenimento, mas hoje é tudo muito mais cômodo, e o lendário programa P2P não tem mais espaço em nossa realidade.

Mas vale pela nostalgia implícita no processo.


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