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No meio de 2018, o YouTube anunciou que, para 2019, ia lançar pelo menos 50 novas produções originais para a sua plataforma YouTube Originals. A empresa se empolgou com o sucesso de Cobra Kai e queria impulsionar a sua plataforma de conteúdos por assinatura, que até estava funcionando bem e aspirava ser um sério concorrente da Netflix no futuro.

Porém, no final de 2018, o mesmo YouTube decidiu oferecer todo o seu conteúdo original de forma gratuita e com anúncios, voltando atrás na ideia do conteúdo original exclusivo do YouTube Premium. E não ficou por aí: decidiu também que ia reduzir a produção de conteúdo original e o orçamento para essas produções.

Agora, bem sabemos que o YouTube cancelou duas das suas principais séries originais (Origin e Overthinking with Kat & June) e não mais está aceitando ofertas para novas séries.

 

 

O conteúdo do YouTube vem dos youtubers, e não do YouTube

 

 

Enquanto a Netflix gastou mais de US$ 10 bilhões em 2018 para produções originais, o Hulu investiu US$ 20 bilhões. A Apple deve investir no seu primeiro ano de Apple TV+ US$ 2 bilhões. E esses números inflados fizeram o YouTube repensar as suas prioridades.

A mudança radical de estratégia mostra que o YouTube não quer mais ser a Netflix. Quer voltar a ser o bom e velho YouTube que todos aprenderam amar, porque ser a Netflix custa bem caro. É preciso um investimento enorme para competir nesse segmento. Um investimento enorme inclusive para um gigante como o Google.

O YouTube ganha muito dinheiro em publicidade, e nem precisa investir os caminhões de dinheiro gastos pela Netflix ou HBO. E, de quebra, já recebe conteúdos originais dos youtubers. A empresa gerou US$ 15 bilhões em publicidade ao longo de 2018 e sem grandes investimentos.

Logo, é fácil perceber que o YouTube vai investir o seu dinheiro nisso. Ah, sim, e também na música, que é o principal produto do YouTube Premium, além do gaming, onde o Google Stadia deve estimular ainda mais nas receitas.

Os conteúdos originais não vão desaparecer do YouTube. Só que serão fornecido pelos youtubers mais relevantes, de forma independente ou em parceria com o próprio YouTube, que pode investir uma quantia de dinheiro muito menor. No final das contas, é o conteúdo que atrai os usuários da plataforma, e muitas vezes o investimento para esse conteúdo vingar é mínimo em comparação com o que é gasto hoje em uma grande série da Netflix ou da HBO.


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