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O YouTube aproveitou o mês de junho, que é o mês do orgulho LGBTIQ+ (em defesa dos direitos e liberdades dessa comunidade) para mudar o seu logo, que recebe as cores do arco-íris. Mas a mudança não é bem vista por muita gente, já que, ao mesmo tempo, a plataforma mantém ativo os canais onde se prega o ódio e se emitem comentários homofóbicos e racistas.

É uma crise interna que o YouTube precisa enfrentar, onde se divide entre os cliques, visualizações e aumento de audiência e os conteúdos de qualidade. Mas tudo indica que a plataforma abraçou a primeira opção. Ainda mais depois de optar por não banir o canal de Steven Crowder, que apresenta programas usando uma camiseta com frases como “Socialism is for f*gs”, além de fazer constantes referências pejorativas e ofensivas à condição sexual e origem étnica de algumas pessoas, com insultos em várias oportunidades.

 

 

Crowder faz isso no YouTube por anos, e as evidências dos seus atos na plataforma são das mais diversas. Seus seguidores propagam os ataques aos alvos em outras redes sociais e até mesmo em telefones privados que o apresentador vazou na internet.

Diante das denúncias, o YouTube se pronunciou em uma série de tweets onde garante que, ainda que a linguagem do canal de Steven Crowder possa ser dolorosa, o seu conteúdo não viola os termos e condições de uso da plataforma. Logo, não vai tomar qualquer medida sobre o assunto, mas segue revisando os conteúdos daquele canal.

 

 

Hipocrisia, ironia ou desinformação do próprio YouTube?

 

 

O mais irônico de tudo isso é que os termos e condições de uso do YouTube indica claramente que não é permitido usar conteúdos dolorosos ou discriminatórios nos vídeos publicados. E vários usuários do Twitter pontuaram e indicaram esse detalhe.

Para Crowder, o problema está na luta dos pequenos criadores independentes e das grandes empresas de comunicação, em uma espécie de Davi contra Golias, onde ele é o Davi. Ele confirma que fez comentários sobre a homossexualidade e contra os latino-americanos, mas qualifica tudo isso como “brincadeiras inofensivas”, já que tudo o que ele diz em seu canal não passa de “informação”.

Já Carlos Mazza, um dos jornalistas ofendidos e alvo das críticas de Crowder, a situação é diferente. Ele acusa o YouTube de se beneficiar do aumento de popularidade do ofensor para lucrar com a publicidade que esse canal gera. E o mais grave é ver o Google, proprietário do YouTybe, sempre levantar a bandeira em defesa da comunidade LGBTIQ+, permitir que canais com 3.8 milhões de assinantes como o de Crowder continuem sendo protegidos, apesar do seu conteúdo.

Esse é o momento perfeito para o YouTube revisar os seus termos e condições de uso, se mostrando fiel ao que realmente prega. Seja na geração de receitas com canais cada vez maiores, ou com o desenvolvimento de uma plataforma com conteúdo respeitoso para todos.

Enquanto isso, Steven Crowder segue falando suas idiotices, e até se desculpa para limpar a sua barra com o próprio YouTube. Ao que parece, até ele percebeu que violou as regras do serviço. Vai entender…

 


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