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Xiaomi Mi 10 Pro a 1.000 euros? Como assim?

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Já faz um tempo em que eu escrevi sobre um possível “fim do amor” dos fãs da Xiaomi pela marca, principalmente depois que a empresa chegou ao Brasil. Os preços oficiais praticados com a parceira DL Eletrônicos não chegam nem perto de serem considerados atraentes, e a empresa teve que lidar com a indigesta concorrência com ela, mesma, através do mercado paralelo, via importação.

Acontece que essa impressão de afastamento da filosofia de “melhor relação custo-benefício” não está acontecendo só no Brasil. Lá foram estão afirmando que estamos diante de um “fim de uma era”, quando os modelos top de linha da Xiaomi se aproximam da casa dos 1.000 euros de valor final.

 

 

 

Fim da melhor relação custo-benefício

 

 

Não podemos dizer que fomos pegos de surpresa. A própria Xiaomi chegou a avisar que os tempos de smartphones excelentes com preços baixos um dia iriam chegar ao fim, e que uma hora a empresa deveria ser rentável e lucrativa.

Parece que esse tempo chegou.

Além disso, é possível perceber esse aumento de preços dos smartphones mais caros da Xiaomi ao longo dos últimos quatro anos:

Xiaomi Mi 6 (6 GB + 128 GB), por 2899 yuanes
Xiaomi Mi 8 (6 GB + 128 GB), por 2999 yuanes
Xiaomi Mi 9 (8 GB + 128 GB), por 3299 yuanes
Xiaomi Mi 10 (8 GB + 128 GB), por 3999 yuanes

Esses são os preços para o mercado asiático.

 

 

Na época do seu lançamento, a conversão direta das variantes para o modelo top de linha mais recente (Xiaomi Mi 10), os valores ficaram dessa forma:

Xiaomi Mi 10 com 8GB/128GB: 3.999 yuan ou 527 euros
Xiaomi Mi 10 com 8GB/256GB: 4.299 yuan ou 566 euros
Xiaomi Mi 10 com 12GB/256GB: 4.699 yuan ou 619 euros

Xiaomi Mi 10 Pro com 8GB/256GB: 4.999 yuan ou 659 euros
Xiaomi Mi 10 Pro com 12GB/256GB: 5.499 yuan ou 724 euros
Xiaomi Mi 10 Pro com 12GB/512GB: 5.999 yuan ou 790 euros

Porém, os mesmos modelos foram anunciados hoje (27) na Espanha, confirmando assim a sua chegada para o mercado europeu. E, para a surpresa de muita gente, o mesmo Xiaomi Mi 10 está batendo na casa dos 1.000 euros, algo que antes era inimaginável para os produtos dessa empresa:

Xiaomi Mi 10 com 8GB/128GB: 799 euros.
Xiaomi Mi 10 com 8GB/256GB: 899 euros.
Xiaomi Mi 10 Pro com 8GB/256GB: 999 euros.

 

 

 

“Culpem” a Poco e a Redmi por isso

 

 

Quem está por dentro do mundo da tecnologia sabe desses movimentos da Xiaomi, e não deve estar muito surpreso com isso. Mas tem muita gente que associou a marca com o sinônimo de boa relação custo-benefício. Mas o tempo passou, e as coisas mudaram um pouco.

Quando a Xiaomi decidiu transformar a Poco e a Redmi em empresas “independentes”, decidiu também transformar a própria Xiaomi em “marca referência”, entregando o que tem de melhor nesses produtos e cobrando valores mais rentáveis para a própria empresa e, assim, alcançando o objetivo final de qualquer empresa: obter lucros.

Poco e Redmi se tornaram as marcas que entregam os telefones com relação custo-benefício mais favorável para aqueles que se acostumaram a ver a Xiaomi fazendo isso nos últimos anos. A migração dos fãs da Xiaomi para a Redmi já começou, e isso não é um absurdo. Aliás, é mais que justificável, onde produtos pontuais como os telefones da linha Redmi Note e o Redmi AirDots explicam esse êxodo com muita facilidade.

 

 

 

Ultrapassar a casa dos 1.000 euros pode não ser tão ruim…

 

 

Por incrível que pareça.

Enquanto tem muito fã da Xiaomi se sentindo traído pelos preços tão elevados, por outro lado, muitos ainda acham os produtos da empresa mais vantajosos que os seus adversários diretos. Aqui, alguns argumentos podem contar a favor da marca chinesa, como a qualidade das câmeras dos seus dispositivos, ou a autonomia de suas baterias.

Certamente a Xiaomi está sendo muito criticada nesse momento por causa d anova estratégia de preços, mas os demais fabricantes passaram pela mesma coisa quando seus produtos bateram na casa de 1.000 euros (e ultrapassaram esse valor).

A Xiaomi está ciente que, nesse momento, está muito bem posicionada no segmento de linha média, e agora quer competir de verdade no segmento mais lucrativo, que é o dos smartphones top de linha, enquanto mantém as marcas Poco e Redmi posicionadas no segmento de linha média.

Mas… aí você me pergunta: e aquela promessa da Xiaomi em manter a sua margem de lucro de 5%?

Promessas são feitas TAMBÉM para serem quebradas.

A boa notícia é que, na realidade, ainda existem opções para todos, e os 1.000 euros do Xiaomi Mi 10 Pro são quase risíveis quando temos smartphones excelentes custando muito menos. Talvez você precisa agora colocar a Xiaomi como uma das marcas que você não precisa ter para ser feliz.

Talvez chegou a hora de você começar a desapegar, e reconhecer que o amor vai ter que chegar ao fim (e aceitar um novo amor em sua vida).


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