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Xiaomi: de cópia da Samsung a Apple com rodas

Esqueça aquela imagem de fabricante de celular baratinho que quebra o galho quando o orçamento está apertado. A Xiaomi cansou de ser o “primo pobre” da Samsung e resolveu que quer o glamour de Cupertino, mas do seu jeito.

Mudanças drásticas no DNA da empresa mostram que o objetivo agora é vender status, não apenas hardware acessível. Parece que os chineses finalmente entenderam que vender carro dá mais moral do que vender fone de ouvido.

Narrativas de mercado apontam para uma transformação que deixa qualquer fã da Apple com uma ponta de inveja. O foco saiu da quantidade bruta de vendas para a sofisticação extrema do ecossistema.

Vamos entender melhor o que a marca chinesa está preparando para eclipsar Tim Cook e sua turma.

 

O fim da era do custo-benefício

Aquelas promoções agressivas que faziam a alegria dos importadores estão sumindo para dar lugar a preços salgados. Subir o nível exige cobrar como gente grande, e a Xiaomi está fazendo isso sem nenhum pingo de dó.

Estratégias focadas em margens de lucro maiores mostram que o foco mudou para o público que gosta de ostentar tecnologia. Ninguém vira a “Apple do Oriente” oferecendo brinde em cada esquina ou parcelando em 24 vezes sem juros.

Apesar o mote principal desse artigo ser a aposta da Xiaomi nos carros, não podemos dizer que essa estratégia da marca é um reinventar da roda. Copiar a Apple na estratégia comercial é o que fatalmente fará com que a marca acabe prosperando no seu planejamento estratégico.

 

Um carro para chamar de seu

Lançar o SU7 foi a cartada de mestre para provar que eles podem fazer o que o pessoal de Tim Cook desistiu. Enquanto a Apple engavetou seu projeto automotivo, a Xiaomi já está desfilando com um sedã elétrico bonitão nas ruas.

Dizem as más línguas que o design é inspirado na Porsche, mas o que importa é que ele conecta tudo na sua vida. Ter um ecossistema que vai da lâmpada da sala ao motor do carro é o novo luxo.

E, de novo, o que a Xiaomi está fazendo é reproduzir o modelo de negócio de sua maior inspiração no Ocidente. A grande diferença aqui é que a empresa decidiu fazer isso em escala (muito) maior do que a empresa com o logo da maçã mordida.

 

Balanço financeiro de gente grande

Números recentes indicam que a receita da empresa não depende mais apenas de vender tijolinhos de vidro e metal. O lucro vem da integração de serviços e de uma base de usuários fiel ao novo posicionamento premium.

Dados de 2026 reforçam que o investidor está rindo à toa com essa guinada em direção ao mercado automotivo. A Xiaomi de 2020 parece um rascunho malfeito perto do império tecnológico que eles estão consolidando agora.

As receitas da Xiaomi aumentaram nada menos que 25% em 2025 em relação ao ano anterior, com um lucro líquido ajustado de 4,95 bilhões de euros. E isso aconteceu com uma brutal queda de 15% de dependência do segmento de smartphones para obter essa lucratividade.

Com tudo isso, é fácil concluir que a Xiaomi está seguindo por um caminho bem mais interessante do que muitos poderiam imaginar. E tentando ir além do que o esperado para uma fabricante que, no começo, todo mundo só achava que era “a marca do smartphone baratinho”.