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Na minha opinião, a pior versão do Windows produzida pela Microsoft em toda a sua história foi o Windows Vista. Sério, aquela era a perfeita definição de “porcaria”, pois combinava a decepção de algo que prometia ser muito bom e só foi com o lançamento do Windows 7 com um desempenho que era definido como “algo medonho” por todos que usaram aquele software.

Porém, algumas pessoas discordam disso, e até entendo esse pensamento, uma vez que o candidato a pior em questão é o Windows ME (Windows Millennium Edition), um verdadeiro frankenstein de software completamente mal concebido, e uma verdadeira vergonha tecnológica para a gigante de Redmond.

Pois bem, o Windows ME está completando 20 anos do seu lançamento, e mesmo com poucos motivos para comemorar, temos que lembrar como ele era ruim para que seus erros jamais voltem a ser cometidos por qualquer outra desenvolvedora de software desse planeta.

 

 

 

O que veio antes era melhor

 

 

Do começo.

O Windows 95, que recentemente fez 25 anos, foi o sistema operacional que marcou um antes e um depois na Microsoft. Foi um software divisor de águas, que ajudou a assentar as bases sobre como usaríamos o computador pelos próximos 25 anos (ou mais). Seu conceito foi tão bem sucedido, que quando tentaram mudar no Windows 8, todo mundo reclamou. E a gigante de Redmond teve que voltar atrás no Windows 10.

Depois veio o Windows 98 e, apesar de não cair no gosto de todo mundo, reforçou o conceito apresentado pelo anterior, e funcionou muito bem no âmbito empresarial, criando uma perspectiva que a Microsoft iria ao menos evoluir a ideia daquele sistema operacional que começava a amadurecer.

Porém, o que veio depois foi na contramão de tudo o que eu escrevi nos dois parágrafos anteriores, e é digno de esquecimento por parte de boa parte da comunidade de usuários de tecnologia. Eu mesmo quero me esquecer do fracasso que foi o Windows ME, mas 20 anos são 20 anos. Logo, vamos lembrar o que deu errado para logo depois esquecer que ele existe.

 

 

 

Por que o Windows ME deu errado?

 

 

A Microsoft lançou o Windows ME em 14 de setembro de 2000. Ou seja, não foram os publicitários que inventaram o termo Millennial, mas sim a Microsoft e todos os publicitários daquela época, que deram o nome Millennium para tudo o que existia no planeta, só porque era o início de uma nova era para a humanidade.

O Windows ME foi um desastre desde o seu primeiro segundo de vida. Era algo tão ruim, que muitos chamaram o software de forma maliciosamente jocosa de Windows Mistake Edition. E com razão: o arremedo de sistema operacional que a Microsoft apresentou era algo vergonhoso e indigno para qualquer pessoa que queria usar um computador naquela época.

Quando ele chegou ao mercado, rapidamente apareceram os primeiros problemas para realizar a atualização a partir do Windows 98. Algo até compreensível, já que o ME era um software relativamente diferente em relação ao anterior (em teoria, “uma evolução”, eles disseram). Logo, os usuários daquela época (eu, inclusive) tiveram uma boa dose de paciência com a nova versão e com a Microsoft como um todo.

Nós confiamos que os problemas seriam resolvidos em um tempo relativamente curto.

O grande problema é que o Windows ME conseguiu a proeza de não entregar apenas um problema. Foram vários problemas de software ao mesmo tempo que tornaram a vida dos profissionais de tecnologia um verdadeiro inferno. De qualquer forma e, ao mesmo tempo, de forma um tanto quanto inexplicável, o software começou a ser atualizado com as correções pertinentes, e a Microsoft se esforçava para tentar corrigir esses problemas.

Mas não pense que atualizar o Windows ME era a moleza que é atualizar o Windows 10 nos dias de hoje. A tarefa era tediosa e extremamente complicada até mesmo para os usuários mais experientes, pois as atualizações corrigiam alguns problemas presentes nas versões iniciais… e revelavam outros problemas, iniciando assim uma nefasta tradição na Microsoft que perdura até os dias atuais.

Por exemplo, o sistema operacional não identificava os drivers corretos para um determinado hardware, alguns periféricos simplesmente ficavam inutilizados (porque as novas versões do Windows ME desabilitavam esses itens, que caíam no esquecimento), impressoras que não conectavam de jeito nenhum, placas gráficas que não poderiam ser configuradas normalmente, e outros problemas recorrentes que resultavam em uma presença constante da famosa Tela Azul da Morte do Windows em milhões de computadores ao redor do mundo.

 

 

A essa altura do artigo, muitos leitores que não viveram esse autêntico pesadelo digno de narrativa de um bom episódio de Black Mirror podem achar que eu estou exagerando na narrativa, mas é verdade esse bilhete. O Windows ME foi um sistema operacional problemático desde o seu primeiro dia de vida.

Ele até foi bem recebido pelos especialistas em tecnologia na época, mas tempos depois, o software se tornou tão instável, que nem mesmo quem defendeu o software permaneceu com a opinião positiva sobre ele, e o uso do Windows ME deixou de ser algo recomendado para ser uma forçada de barra por parte da gigante de Redmond.

De qualquer forma, o Windows ME não trouxe apenas dores de cabeça e pesadelos constantes para os usuários de computadores do passado. Algumas das novidades presentes nessa versão do sistema operacional da Microsoft conseguiram (de forma quase inacreditável) agregar valor ao uso informático para os 20 anos após o seu lançamento.

Por exemplo: o Windows ME trouxe ao mundo a possibilidade de restauração do sistema operacional (e, acredite, muita gente utilizou esse recurso para corrigir vários problemas de software presentes nessa versão), as atualizações automáticas de software e o modo de hibernação, que hoje se beneficia muito do fato de contarmos com SSDs para armazenar o sistema operacional.

Porém, os problemas constantes, quedas de sistema, bloqueios e impossibilidade de desenvolver um trabalho no Windows ME impediram que vários usuários pudessem desfrutar desses benefícios. Principalmente os usuários profissionais e empresas, onde alguns tiveram grandes problemas e prejuízos por causa de um sistema operacional instável e mal finalizado.

 

 

 

O fim do pesadelo chamado Windows ME

 

 

O Windows ME era um pesadelo para os usuários de computadores ao redor do mundo, e uma enorme pedra no sapato de Bill Gates e de várias pessoas dentro da Microsoft. E o cenário de caos resultou em uma vida muito curta para um sistema operacional que tinha a responsabilidade de evoluir um conceito que, de qualquer forma, se tornou vencedor no mundo da informática. Só teve que escolher outros caminhos para isso.

Apenas um ano depois do lançamento do Windows ME, a Microsoft teve que lançar a versão do sistema operacional que tinha a complicada missão de apagar a sua existência do mapa. E cumpriu essa missão com louvor extremo: em 25 de outubro de 2001, chegou ao mercado o Windows XP, que se dedicou tanto em fazer todo mundo esquecer aquela porcaria lançada um ano antes, que se transformou em um dos sistemas operacionais mais utilizados e confiáveis da história, a ponto de se manter vivo comercialmente até outubro de 2019, ou seja, 17 longos anos.

A conclusão que podemos tirar é: se você não consegue se lembrar que o Windows ME existiu na sua vida, é porque você não sabe o que é sofrer. Ou vivia em uma caverna naquela época. Ou as versões que chegaram logo antes e logo depois do ME fizeram você esquecer um dos maiores desastres da história da Microsoft.

E, se você não sofreu nessa vida, você tem muita sorte. Se bem que, quando olhamos para o ano de 2020 como um todo, constatamos que, pelo menos em teoria, a sorte de todo mundo simplesmente acabou.

 


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