
Não existe nada no Meta que esteja ruim e que não possa piorar, de forma quase inacreditável. E é exatamente isso o que vai acontecer com a versão para desktops do WhatsApp em um futuro próximo.
O que antes era considerado um aplicativo problemático por conta do consumo de recursos do computador conseguiu melhorar com o tempo, por conta das mudanças internas que o Meta fez justamente para entregar um desempenho melhor ao app.
Mas tudo indica que Mark Zuckerberg se arrependeu das mudanças, e decidiu voltar atrás, entregando novamente os problemas do uso do WhatsApp nos desktops para os usuários, que terão que lidar com essa degradação de desempenho.
O histórico do WhatsApp nos desktops
O WhatsApp é o principal aplicativo de mensagens da Meta, mas sempre teve que lidar com oscilações marcantes em sua estratégia para desktops. Desde sua estreia em 2016 nas plataformas Windows e macOS, a versão para computadores foi criticada por seu baixo desempenho.
Isso porque, em vez de um aplicativo nativo, a empresa optou por uma arquitetura baseada em contêiner web — essencialmente uma adaptação do WhatsApp Web camuflada como aplicativo.
Esse é um tipo de estrutura que gerava diversos problemas, como lentidão generalizada e um elevado consumo de recursos do sistema. Em máquinas mais modestas, o impacto era ainda mais visível, com uso de memória RAM frequentemente em torno de 500 MB e ocupação de CPU que podia atingir 60%.
A situação melhorou em 2022, quando a Meta lançou um cliente nativo para o Windows e o macOS. A mudança foi amplamente elogiada por trazer ganhos substanciais de desempenho.
Testes internos e de veículos especializados mostraram que o consumo de RAM caiu para cerca de 100 MB, enquanto o uso de CPU ficou na casa dos 20%. A interface também se tornou mais fluida e responsiva, trazendo uma experiência mais alinhada com as expectativas dos usuários de desktop.
Aparentemente, Mark Zuckerberg se arrependeu

Mas 2025 chegou, e o Meta parece ter decidido seguir por um caminho contrário de todas as mudanças adotadas até agora.
Segundo informações apuradas pelo site Windows Latest, a nova versão beta do WhatsApp para Windows abandona o modelo nativo e retorna à abordagem baseada em contêiner web. Dessa vez, a aplicação é construída sobre o WebView2, um framework da Microsoft que permite a integração do motor do navegador Edge diretamente em aplicativos desktop.
A decisão técnica implica que, ao abrir o aplicativo, o sistema precisa inicializar uma instância oculta do Microsoft Edge em segundo plano, aumentando significativamente o uso de memória e processamento.
Nos testes mais recentes, usuários relataram que o novo cliente chegou a consumir até 1 GB de RAM — um aumento expressivo e preocupante, principalmente em comparação com a leveza do app nativo lançado anteriormente.
O impacto negativo é ainda mais grave em laptops e computadores com menos capacidade de hardware, onde o desempenho tende a se degradar rapidamente.
Curiosamente, a própria Meta, no lançamento do cliente nativo anterior, publicou em seu site uma defesa contundente dessa abordagem.
A empresa alegava que aplicativos nativos oferecem maior confiabilidade, desempenho superior, melhores integrações com o sistema operacional e mais ferramentas de produtividade. As declarações destacavam justamente os pontos agora abandonados na nova versão beta.
No passado, Zuckerberg declarou que o antigo app do Facebook para iOS era um desastre justamente por ter sido desenvolvido em HTML. A transição para uma base nativa, segundo ele, foi decisiva para transformar o aplicativo em um produto mais rápido, confiável e estável.
A lição agora parece ter sido esquecida pela Meta, ao menos no caso do WhatsApp para Windows.
Enfim, a hipocrisia.
Outros estão seguindo o caminho do Meta
Mesmo com esses argumentos em mente, a Meta segue uma tendência mais ampla da indústria de software: a adoção de aplicativos multiplataforma baseados em web.
Essa estratégia busca reduzir custos de desenvolvimento e manutenção ao permitir que um único código-fonte funcione em diferentes sistemas operacionais, incluindo Windows, macOS, Linux, Android e até navegadores.
A ideia é garantir paridade de funcionalidades entre plataformas, mesmo que isso signifique sacrificar desempenho e eficiência.
A recepção entre os usuários também não tem sido positiva. Fóruns como o Reddit já reúnem relatos de consumidores frustrados com o desempenho da nova versão. O consumo exagerado de RAM e a lentidão na inicialização estão entre as queixas mais frequentes.
Embora seja possível que a Meta otimize o aplicativo antes do lançamento final, a troca da base nativa por uma estrutura web é vista como um retrocesso que dificilmente será totalmente compensado.
A mudança sinaliza uma quebra de confiança para os usuários que esperavam mais consistência após anos de evolução. Ou mais uma apunhalada pelas costas que o menino Zuck dá nos seus usuários.
Para um aplicativo com mais de dois bilhões de usuários ativos, decisões desse tipo têm um impacto profundo na percepção da marca, especialmente entre os que utilizam o WhatsApp como ferramenta profissional ou em fluxos de trabalho diários.
Viu como tem como piorar tudo no Meta?
