
A Warner Bros. Discovery, liderada por David Zaslav, rejeitou oficialmente a primeira oferta feita pela Paramount para adquirir o conglomerado. O lance inicial, de US$ 20 por ação, equivaleria a um valor de mercado de aproximadamente US$ 42,3 bilhões para a Warner.
Apesar da proposta representar um ágio sobre o preço atual das ações (US$ 17), Zaslav considera que cada ação deveria valer ao menos US$ 30, o que inflaria a avaliação da empresa para patamares superiores a US$ 60 bilhões. Essa discrepância sobre o preço vem travando a negociação.
Fontes da Bloomberg e do Los Angeles Times afirmam que a oferta foi apresentada há pouco mais de um mês e que a Paramount — agora liderada por David Ellison — prepara uma segunda proposta. O interesse de Ellison surge logo após a conclusão da fusão da Paramount com a Skydance Media, ocorrida em 2024 e aprovada pelo FCC (Comissão Federal de Comunicações).
Histórico de aproximações e mudanças estratégicas

A tentativa de união entre Warner e Paramount não é inédita. Em 2023, ambas as companhias já discutiam uma possível fusão para enfrentar a competição de pesos-pesados como Netflix e Disney.
Na época, Bob Balkish comandava a Paramount, e apenas sucessos pontuais como “Barbie” e “Missão Impossível 7” evitaram resultados piores. Agora, com Ellison à frente, o objetivo declarado é expandir o portfólio e dar novo fôlego à produtora.
Zaslav, por sua vez, administra uma empresa que, apesar de bater recordes de bilheteria em 2025, ainda carrega perdas expressivas registradas em 2024 e uma dívida que chega a US$ 34 bilhões.
Parte da estratégia dele inclui medidas polêmicas, como cancelamento de filmes finalizados para aproveitamento fiscal e mudanças sucessivas na marca de seu serviço de streaming.
O que está em jogo no cenário global

Caso o acordo se concretize, o mercado ganharia um novo gigante da mídia, combinando a força da Warner Bros. Discovery — detentora da HBO, CNN, TBS, HGTV e um dos maiores estúdios de Hollywood — com os ativos da Paramount, incluindo CBS News e a infraestrutura tecnológica da Skydance.
Analistas especulam que uma fusão poderia levar à integração dos serviços HBO Max e Paramount+ em uma única plataforma, fortalecendo a presença conjunta no campo do streaming.
Além disso, há expectativa, também não confirmada oficialmente, de que uma eventual consolidação poderia redesenhar o cenário jornalístico, com possibilidade de união da CNN com a CBS News.
No Brasil, a Paramount já anunciou que encerrará a operação de seus canais lineares, incluindo os dois mais populares – MTV e Nickelodeon -, reforçando a transição para o foco em streaming.
Planos paralelos e resistência à venda

De acordo com informações recentes do Meio & Mensagem, a Warner Bros. Discovery mantém planos internos para se dividir em duas empresas até abril de 2026.
Uma delas englobaria HBO, HBO Max e os estúdios de cinema e TV, sob gestão de Zaslav. A outra, Discovery Global, ficaria com canais a cabo lineares.
O movimento é visto como uma forma de simplificar operações e reduzir dívidas, potencialmente elevando o valor das ações.
Ainda que a oferta da Paramount tenha colocado a Warner em evidência no mercado, não há sinais concretos de que Zaslav esteja desesperado para vender — e as condições apresentadas até agora ficaram abaixo das expectativas do conselho.
Neste momento, as negociações permanecem em curso, mas a rejeição inicial indica que uma eventual aquisição, se acontecer, exigirá cifras bem mais altas.
Netflix pode estar interessada?

Essa é a grande pergunta que, pelo menos por enquanto, ainda não está oficialmente respondida.
Os rumores mais recentes apontam para um eventual interesse da empresa de Reed Hastings e Ted Sarandos pela Warner Bros. Discovery, mas muitos acreditam que isso está acontecendo muito mais para inflar o preço da WBD (a ponto de inviabilizar o negócio para a Paramount Skydance) do que em um real interesse de aquisição.
A Netflix, por sua vez, nem confirma, nem nega o interesse na compra da WBD. Em comunicado, desconversou sobre o assunto, afirmando que é uma empresa que “tradicionalmente cria os seus conteúdos” e não compra os direitos de outras propriedades, mas afirmando que “analisa todas as possibilidades de negócios” que se abrem para possíveis investimentos.
A ambiguidade da Netflix, combinada com o silêncio de David Zaslav sobre esse tema em específico, entregam de forma indireta um possível interesse da empesa líder no segmento de streaming em um dos maiores portfólios do mundo do entretenimento.
Particularmente, acho difícil que a Netflix conclua a aquisição da WBD.
Além do fato da Big N só agora obter lucro com o seu modelo de negócio, do outro lado da mesa está a Paramount Skydance, com um David Ellison com dinheiro quase infinito. Se ele precisar de ainda mais grana para comprar a WBD, ele pode recorrer ao pai, o Sr. Larry, dono da Oracle e um dos seres vivos mais ricos do mundo.
Para mim, a Netflix só está tentando atrapalhar a venda da Warner Bros. Discovery, inclusive para evitar que se crie um monstro do entretenimento, o que seria uma enorme ameaça para os seus interesses comerciais.
Mas o tempo – sempre ele – vai nos mostrar quais são as reais intenções desses movimentos.

