Você precisa de um carregador no kit de venda do seu novo smartphone?

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Nos últimos dias, apareceram na internet rumores sobre Apple e Samsung estudando a possibilidade de deixar de incluir o carregador na caixa dos seus smartphones. Muitos entendem que a gigante de Cupertino já bateu o martelo sobre o assunto, e que o próximo iPhone que chegará ao mercado ainda em 2020 não mais contará com o item.

O objetivo do movimento não é outro a não ser reduzir os custos e compensar o aumento derivado da implementação do 5G nos dispositivos. Por enquanto, nada é oficial. Mas vale a pena abrir o debate: o carregador no kit de venda é algo realmente necessário?

Vamos abordar os prós e os contras dessa decisão.

 

 

 

O que a história da tecnologia nos fala sobre o assunto?

 

 

Existem antecedentes criminais nessa história. O lendário Motorola Moto G era um smartphone extremamente barato, e não contava com um carregador na caixa: só incluía o cabo USB para recarga. O mesmo aconteceu com o Moto G de 2015.

Além disso, smartwatches, smartbands e fones de ouvido True Wireless também não contam com carregadores, só recebem a base de carga USB que é compatível com um dos carregadores que o usuário já tem em casa, algo que é correto se você tem um smartphone, tablet, eReader, etc.

Além disso, não é segredo para ninguém que os fabricantes foram deixando de lado alguns componentes nos smartphones. O adeus ao tão amado conector para fones de ouvido de 3.5 mm resultou na ausência dos fones de ouvido compatíveis com esse conector. Por que? Para que os fabricantes possam obter mais lucros com os fones de ouvido True Wireless (além de empurrar uma tendência de mercado que muita gente abraçou).

 

 

Os motivos para que os fabricantes abandonem os carregadores nos kits de venda são econômicos e ambientais. E existe algum fundo de razão nesses argumentos. Porém, a decisão (se tomada) tem aspectos positivos e negativos para todos os envolvidos nesses argumentos.

 

 

 

Carregador no kit de venda: sim ou não?

 

 

Vamos começar pelos pontos positivos.

Os fabricantes estão trocando um carregador no kit de venda para oferecer o 5G em um número maior de dispositivos. Por ser uma tecnologia nova (que, aos poucos está se expandindo), ela ainda é cara. E deixar de oferecer o carregador pode ser uma forma de compensar os custos de implementação dessa nova modalidade de rede.

Não podemos nos esquecer que o Snapdragon 865, um processador top de linha que conta com o 5G, é bem caro. E os fabricantes podem tentar amortizar os preços dessa forma.

A Apple deve fazer o mesmo com o iPhone 12 e pelo mesmo motivo. Os custos de fabricação do novo modelo devem ser os mesmos do iPhone 11, mesmo com a inclusão do 5G, de modo que sem o carregador, a diferença a mais seria compensada. E a Samsung pensa em fazer o mesmo.

Só não sabemos se retirar o carregador será o suficiente para reduzir os valores.

 

 

Por outro lado, o impacto no meio ambiente seria importante. Menos carregadores disponíveis significa um impacto muito menor na hora do descarte desses itens. Se você tem um smartphone antigo, já tem um carregador que pode ser utilizado em um novo telefone. Se ele será compatível com o modo de recarga rápida do novo modelo, é outra história (e é aí que os fabricantes vão querer que você compre outro novinho para que eles lucrem mais), mas que ele vai funcionar para carregar o telefone, isso é fato.

Os resíduos eletrônicos não param de crescer, e isso não deve mudar com o avanço dos carros elétricos, das casas inteligentes e dos gadgets que atuam nas mais diferentes frentes. Logo, eliminar os carregadores das caixas dos smartphones pode ajudar a reduzir esses resíduos eletrônicos, além de fomentar a reutilização dos itens já disponíveis nos lares dos usuários.

Agora, vamos falar dos pontos negativos, que afetam principalmente ao usuário.

 

 

As premissas a favor se sustentam, mas… vamos supor que você é justamente aquele exceção da regra, ou seja, não possui um carregador antigo em casa. Logo, você teria que pagar a mais por um item bem simples do seu smartphone. Tudo bem, carregadores não são tão caros assim (incluindo aqueles de carga rápida), mas é um gasto a mais de qualquer maneira.

E vamos repetir um dos pontos que já mencionei nesse post: usar um carregador menos potente vai resultar no não uso de uma recarga rápida. Do que adianta ter um smartphone com carga rápida de 30W se você usa um carregador com potência menor. Logo, o usuário terá que decidir se paga a mais pelo novo carregador, ou se prefere economizar e seguir usando o carregador atual.

De qualquer forma, se o fim dos carregadores nos kits de venda dos smartphones realmente acontecer, será uma decisão que vai dar muito o que falar por um bom tempo.


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