
Vou repetir o que escrevi no começo do artigo de ontem:
Tem como piorar? É claro que tem: é só procurar a Vivo, pois ela sempre pode te surpreender neste aspecto.
Diferente do que escrevi ontem (26), uma vez que nem todas as informações estavam explicitadas, a Vivo acabou com as ligações ilimitadas EM TODOS OS SEUS PLANOS DE TELEFONIA MÓVEL, incluindo Controle, Pré, Pós e Vivo Easy Prime.
Até mesmo os caros pacotes Vivo Total, que combinam celular e internet residencial (e que recentemente receberam uma atualização para incluir serviços de streaming vinculados aos planos com desconto), foram afetados.
A operadora não fez nenhum anúncio oficial. Em vez disso, alterou silenciosamente os regulamentos ao longo dos primeiros meses de 2025. E aqui, agradecemos ao Tecnoblog por mais uma vez fazer o trabalho de verificar e compartilhar aquilo que as operadoras (muito provavelmente) não querem que os seus clientes saibam.
Entenda a franquia oculta da Vivo

A mudança não aparece de forma clara nos materiais promocionais, o que é extremamente prejudicial para os clientes e até mesmo passível de questionamentos nos órgãos de defesa do consumidor e na justiça, caso o cliente se sinta prejudicado com a prática da operadora.
Quem contrata um plano precisa explorar as páginas da Vivo, clicar em “Mais informações” e depois em “Franquia” para descobrir a nova limitação: agora, os planos incluem apenas 300 minutos de chamadas telefônicas para qualquer operadora. Ultrapassou esse limite? Custa R$ 0,10 por minuto adicional.
O mesmo vale para mensagens SMS. A Vivo também passou a cobrar R$ 0,10 por cada mensagem enviada além do limite de 100 por mês.
De novo: a mudança vai sim afetar a alguns segmentos de clientes, uma vez que nem todos podem se comunicar o tempo todo através dos aplicativos de mensagens instantâneas ou sistemas de telefonia por VoIP.
Vários setores profissionais dependem de forma ativa das chamadas telefônicas através d telefonia móvel celular pela maior estabilidade oferecida. Até podemos usar o WhatsApp para chamadas telefônicas, mas passa longe de ser a melhor alternativa para isso.
A Vivo precisa disso?

Com 102,2 milhões de clientes, a Vivo lidera o mercado de telefonia móvel no Brasil. Fatura mais do que qualquer concorrente e segue dominando o segmento pós-pago, com 41,3% de participação. Em 2024, o lucro líquido da empresa chegou a R$ 5,5 bilhões, alta de 10,3% em relação ao ano anterior.
Ou seja, a operadora está em uma posição que é diametralmente oposta daquilo que poderíamos chamar de “desespero”. E, mesmo que estivesse, não justificaria a decisão de entregar a todos os seus clientes um sistema de cobrança de chamadas e mensagens que remete ao ano de 2005.
Chega a ser ridículo. Quando olhamos para os mercados internacionais, a grande maioria dos países adota o sistema de chamadas e mensagens ilimitadas justamente para competir com o WhatsApp e aplicativos de mensagens.
A decisão da Vivo indica que existe um bom grupo que ainda utiliza (e muito) o método tradicional de comunicação, e a operadora entendeu (por algum motivo que ainda vamos descobrir) que vale a pena capitalizar em cima desses clientes, indo na contramão do que é considerado “o normal” no segmento.

E o mais contraditório de tudo isso: de forma até curiosa, enquanto limita ligações e SMS, a Vivo voltou a destacar o WhatsApp ilimitado nos regulamentos mais recentes.
Em fevereiro, foi revelado que a menção ao benefício sumiu dos termos de uso de alguns dos planos da Vivo, mas agora reapareceu, repentinamente. Ou seja, (em teoria) os clientes podem de novo acessar o aplicativo sem desconto na franquia de internet.
E a Vivo faz todas essas mudanças sem aviso prévio aos clientes, que viram reféns dos mandos e desmandos da operadora. A falta de transparência faz com que muitos consumidores sejam simplesmente pegos de surpresa na hora que a conta chega, com valores mais altos do que o normal.
Sei lá… isso não é algo ilegal?
Os clientes da Vivo não têm o direito de saber quando os termos de uso mudam? Não é injusto que as regras do jogo sofram alterações sem aviso prévio com a parte mais vulnerável? Será mesmo que a Anatel, Procon, Consumidor.gov.br… que nenhum órgão de regulamentação e controle pode fazer alguma coisa contra essa prática de gosto extremamente duvidoso?
É óbvio que sabemos as respostas.
O que realmente incomoda é que a Vivo faz tudo isso com a convicção de quem entende ter o direito de passar por cima do bom senso para fazer valer uma filosofia comercial predatória e abusiva.
A boa notícia é que existem outras opções de telefonia no mercado brasileiro e, pelo menos por enquanto, não abraçaram as mesmas táticas da Vivo.
A má notícia é que, para boa parte dos clientes, não é tão simples mudar de operadora, muito em parte pelas questões técnicas, já que nem todas as operadoras estão presentes em todas as regiões do Brasil.
E se Claro e TIM entenderem que o movimento da Vivo foi o mais interessante para a operadora, o consumidor brasileiro está ferrado como um todo, independentemente da empresa escolhida.
É… o consumidor brasileiro só se ferra mesmo…

