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Veo 3, e a trend do canguru que queria viajar

A nova geração da inteligência artificial do Google, representada pelo modelo Veo 3, foi o destaque do último evento Google I/O. Com ele, a geração de vídeos com IA alcançou um nível impressionante de realismo, a ponto de se tornar difícil distinguir entre o que é real e o que foi criado artificialmente.

Os resultados finais gerados pelo Veo 3 são, ao mesmo tempo, muito chamativos e, em alguns casos, assustadores. Para muitos usuários, a fronteira entre o que é criado digitalmente e cenas captadas por lentes de verdade foi ultrapassada de forma definitiva, em um caminho sem volta.

O impacto dessa evolução ficou evidente nas redes sociais, especialmente no TikTok, onde vídeos gerados com IA vêm se popularizando e confundindo os usuários.

 

TikTok virou a casa das deepfakes

É claro que as pessoas estão testando o Veo 3 como se não houvesse o amanhã. E quanto mais criativo for o prompt, mais impactantes serão os resultados em vídeo.

Um dos exemplos mais virais foi o de duas mulheres discutindo com um canguru segurando uma passagem de avião, cena que levantou dúvidas generalizadas sobre sua autenticidade…. mesmo com a narrativa da cena pautada totalmente em uma premissa considerada absurda.

Esse tipo de conteúdo, que antes era facilmente identificado como falso devido a limitações visuais, agora desafia a percepção do público com detalhes cada vez mais convincentes.

Como o ultrarrealismo do Veo 3 está acima dos padrões e próximo de uma perfeição estética, acreditar que um canguru pode pegar um avião não é algo tão absurdo assim.

 

Uma ferramenta perfeita para o TikTok

Muitos podem pensar que o Veo 3 tem tudo para ser uma grande ameaça para o cinema, aposentando de vez atores, times de produção e animadores. Mas não é bem assim.

Além dos limites de uso estabelecidos nas últimas greves em Hollywood, o que o Veo 3 (e suas versões anteriores) está trazendo para o mundo é a possibilidade de expansão criativa dos produtores independentes.

A tendência do surrealismo aplicado aos prompts de criação de imagens por inteligência artificial virou recurso narrativo e atrativo em si.

Criadores de conteúdo utilizam o “jogo” de adivinhação para aumentar o engajamento, pedindo que os seguidores descubram se um vídeo é real ou feito por IA.

Em contrapartida, também há vídeos genuínos divulgados com frases como “tão real que parece IA”, ampliando ainda mais a confusão e o interesse.

O modelo Veo 3 mostrou-se ideal para o formato de vídeos curtos, como os do TikTok, tornando-se uma ferramenta poderosa para atrair atenção e viralizar conteúdo. E é certo que muitos produtores de conteúdo mais criativos vão se beneficiar disso.

Por outro lado, não podemos deixar de pensar nas mentes mais maliciosas, que não contam com códigos morais e éticos, e que certamente vão utilizar essa tecnologia para prejudicar a terceiros.

A linha entre o real e o sintético nunca foi tão tênue, e o avanço da tecnologia promete tornar essa distinção ainda mais complexa no futuro. E todos nós, de alguma forma, seremos impactados por toda essa evolução na tecnologia de inteligência artificial.

Poder gerar imagens de qualquer coisa em segundos é algo muito positivo. O problema será quando começarem a gerar nossas imagens para disseminar desinformação e mentiras nas redes sociais.

O que vamos fazer a respeito disso?