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Usar a máscara adianta alguma coisa?

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A polêmica das máscaras segue viva. A OMS mudou recentemente a orientação sobre o tema, e agora defende que todos devem usar a máscara para proteção contra a atual pandemia. Já alguns médicos defendem que as máscaras são ineficazes. Quem está dizendo a verdade?

Vamos abordar a questão nesse post do ponto de vista epidemiológico, e centrar o debate no que realmente importa nesse momento: a decisão individual.

Isso é tudo o que sabemos sobre a utilidade das máscaras para diminuir os riscos de infecção.

 

 

 

Como um vírus é transmitido?

 

Existem quatro formas de contrair uma enfermidade:

1) Por contato direto com um paciente infectado
2) Por contato indireto (tocando objetos contaminados)
3) Pelo fluxo respiratório (através das gotículas expulsas pela tosse, espirro ou fala)
4) Pelo ar

Um ponto intermediário entre o fluxo e o ar é um quinto cenário: os aerosóis. Aqui, o vírus pode estar no ambiente em janelas de tempo que podem durar entre poucos minutos e várias horas. Até onde a OMS sabe, o COVID-19 não é contraído pelo ar, mas isso não é uma unanimidade.

Para o SARS-CoV-2, o contágio direto e o fluxo respiratório são os dois vetores fundamentais para a contaminação.

 

 

 

Qual é o papel das máscaras nesse cenário?

 

 

Antes, é importante lembrar que você não precisa usar uma máscara com filtro (que deve ser dedicada aos profissionais de medicina que estão cuidando de pacientes) para se proteger. Aliás, a máscara nem é para proteger você, mas sim para proteger ao outro. E, nesse caso, até mesmo a máscara caseira é eficiente o suficiente para evitar a expansão de um contágio.

Dito isso, o uso das máscaras cirúrgicas, mais fáceis de encontrar e mais baratas, são recomendadas para a mesma finalidade. Porém, independente do uso de uma máscara cirúrgica ou caseira, ela é muito útil para EVITAR A PROPAGAÇÃO do vírus, mas LEVEMENTE ÚTEIS para se proteger da infecção. Ou seja, não oferece uma proteção completa para você, pois ajuda muito mais a proteger o próximo.

 

 

 

Quanta proteção uma máscara realmente oferece?

 

 

Os discursos divergem sobre o tema, de modo que não vamos chegar a uma conclusão de consenso científico. Mas isso não deve impedir você a usar as máscaras, por um simples motivo: a plausibilidade epidemiológica.

O princípio básico aqui é: se você usa um simples elemento de intervenção que pode reduzir as chances de contágio, você usa esse elemento, mesmo que ele não ofereça a proteção que você gostaria. O princípio de precaução é o que está por trás da política que aprova o uso das máscaras por todos. É nesse princípio que o povo asiático adotou o uso das máscaras de forma cotidiana nas últimas duas décadas.

 

 

 

Quando você NÃO deve usar as máscaras?

 

Quando você deu positivo para coronavírus, está com isolamento obrigatório em casa e está com alguns dos sintomas pontuais da doença (tosse e espirro, principalmente). Nesse caso, a máscara é um problema, pois representa uma auto-contaminação.

 

 

 

Por que a OMS mudou de ideia?

 

 

Por causa dos indivíduos assintomáticos, que podem representar até 25% das infecções no planeta. Essas pessoas, que não manifestam os sintomas, podem contaminar outras pessoas de forma inconsciente. Então, pelo sim, pelo não, todos devem usar máscaras.

Isso se chama compreensão de riscos. É o princípio onde as pessoas mudam a conduta de acordo com a percepção do risco iminente. Máscaras e luvas podem ser muito eficientes quando temos uma alta percepção de risco, somando uma capa extra de isolamento e associando às medidas que normalmente temos que tomar para nos proteger (lavar bem as mãos e constantemente, não passar as mãos no rosto, se distanciar das pessoas, etc).

Porém, para muita gente, usar a máscara significa baixar a guarda e, por consequência, oferece a “compensação de riscos”, relaxando nos procedimentos e oferecendo um risco maior para as pessoas mais vulneráveis.

 

 

 

Então… usar ou não a máscara?

 

 

A proteção extra das máscaras é reduzida pela compensação de riscos, mas agrega valor na proteção individual. Não são ineficazes, mas também não garantem proteção completa. É preciso usar as máscaras para obter um melhor resultado final.

Quem faz parte de um grupo de risco vai estar (sim ou sim) em uma situação de exposição constante. Logo, não há motivos para esse grupo não usar a máscara. Resta saber se forma objetiva se ela oferece proteção para quem tem um quadro suspeito do SARS-CoV-2.

Independente de qualquer coisa, não devemos baixar a guarda. No final das contas, a decisão sobre o uso ou não da máscara está relacionada à capacidade individual de gerenciamento de compensação de riscos. Ou seja, fica na consciência de cada um em ter muito claro que “se sentir mais seguro” pode jogar contra, ou que pode ser perigoso em uma enfermidade infecciosa. Mas quando usado de forma consciente, é uma camada de proteção a ser considerada.


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