
Quando a notícia de que a Apple teria aceitado pagar 100% a mais por memórias LPDDR5X da Samsung para garantir o suprimento do iPhone 17 começou a circular, o mercado inteiro engoliu seco.
Se a maior e mais poderosa empresa do mundo, conhecida por esmagar fornecedores para conseguir os melhores preços, se viu obrigada a aceitar um aumento de preço tão absurdo nos componentes, imagine o que não está acontecendo com as pequenas e médias fabricantes.
Em um mercado em crise profunda como essa que estamos testemunhando, quem tem a maior robustez financeira leva vantagem quase natural. E não é um absurdo dizer que Apple e Samsung devem dominar o mercado mobile com mão de ferro, apenas porque pode comprar mais memórias do que os outros.
Quem paga mais, leva!
A negociação de componentes se transformou em um campo de batalha. Não se trata mais de bater o pé por descontos por volume, mas de garantir que sua empresa tenha um lugar na fila de prioridades.
Os fabricantes de memória estão alocando sua produção escassa para quem paga mais e, principalmente, para quem tem contratos de longo prazo mais robustos. Isso coloca as marcas menores, que não têm o mesmo poder de barganha, em uma posição extremamente frágil.
Esse cenário deve acelerar um movimento de consolidação no setor. Marcas menores, especialmente as que atuam em nichos ou mercados regionais, podem simplesmente não conseguir produzir em quantidade ou a um custo que as torne competitivas.
O resultado será um mercado com menos jogadores, onde gigantes como Apple, Samsung e talvez algumas chinesas muito bem estabelecidas dominarão um bolo que, por si só, já está menor.
Impactos até na logística
Com a mudança no mix de produtos (menos aparelhos de entrada, mais unidades de telefones premium) e a necessidade de estocar componentes mais caros, toda a cadeia de distribuição e varejo precisa se adaptar.
As lojas vão vender menos unidades, mas com tíquetes médios mais altos, um modelo de negócios que exige muito mais eficiência e planejamento para não naufragar. Sem falar no investimento e recursos adicionais para a parte de comunicação com o grande público.
Como explicar para o usuário médio que vale a pena pagar mais caro por um novo smartphone que não atualizou nada a pagar R$ 500 pelo “mais do mesmo”? Sem falar na desculpa do “custa caro transportar esses dispositivos”, sendo que os custos do frete praticamente ficaram inalterados.
O que vai acontecer?
O que já está acontecendo, e os mais espertos vão perceber logo que isso é inevitável: a escalada de preços dentro do segmento.
Sempre vai ter alguém que vai precisar de um smartphone novo em algum momento. E para quem vai participar dessa angustiante aventura de sua vida, eu desejo, do fundo do coração, uma enorme dose de boa sorte.
E um pouco de paciência também.
Você vai precisar de ambos neste caso.
Espero, sinceramente, que os fabricantes se cansem de aceitar qualquer leilão de preço e venda de memórias que o mercado se tornou nas últimas semanas. Vai chegar o momento no futuro em que todos terão que rever suas abordagens de vendas, estratégias de divulgação de produtos e comunicação com o consumidor final.
É um dos cenários mais caóticos que já testemunhei ao longo de 18 anos que escrevo sobre tecnologia na internet. E estamos apenas começando a sentir essa tempestade que, agora, está consolidada.
E que Deus nos ajude, (quase) literalmente.
