Press "Enter" to skip to content

Um ano sem streaming, e você volta achando que está assistindo a TV por assinatura tradicional

Muitos simplesmente não conseguem imaginar a vida sem ao menos uma plataforma de streaming para ver filmes e séries de TV em casa.

E para aquelas pessoas que não querem apelar para as plataformas alternativas, o jeito é seguir pagando pelos streamings oficiais, sofrendo com a qualidade de vídeo degradada e as mensalidades cada vez mais caras.

Tenho quase certeza de que você pensou em algum momento da sua vida como seria não ter as principais plataformas de streaming consumindo o saldo do seu cartão de crédito.

Pois bem… alguém decidiu fazer o trabalho sujo.

O jornalista espanhol Antonio Sabán decidiu cancelar todas as suas assinaturas de streaming há um ano quando saiu do país, numa decisão que ele mesmo admite ter sido uma bênção disfarçada.

Ao retornar à Espanha recentemente, o que encontrou foi uma verdadeira transformação das plataformas.

#SPOILER: e não para melhor.

 

O festival dos anúncios e a qualidade em queda livre

Como um típico millennial que cresceu vendo comerciais na TV tradicional mas conseguiu escapar deles na adolescência através do YouTube e downloads, Sabán se deparou com uma realidade cruel: os anúncios voltaram com tudo.

De novo: leia o artigo como um experimento a partir da perspectiva alguém que passou um ano longe das plataformas de streaming. Logo, ele pode ter perdido muitas coisas que nós bem sabemos que funcionam de uma determinada maneira.

E quando falo de comerciais, não estou mencionando os anúncios mais discretos. Ele relata ter enfrentado três minutos de propaganda em uma hora assistindo “Os Anéis de Poder” no Prime Video, com a ameaça de que isso pode aumentar para seis minutos.

Aliás, se tem uma plataforma de streaming que decidiu abraçar a polêmica na inserção de publicidade nos conteúdos foi justamente o Prime Video.

Além de não avisar previamente aos clientes que iria cobrar para remover os anúncios (criando o plano básico com anúncios do nada), o Prime Video quer duplicar a publicidade veiculada, apenas para lucrar ainda mais com os seus clientes.

Ainda bem que a justiça brasileira decidiu intervir, e pelo menos por enquanto, o Prime Video não pode inserir essa publicidade para os clientes antigos que já não tinham anúncios.

Até quando? Não sabemos.

Estamos diante de um cenário deliciosamente irônico: o streaming, que nasceu como a salvação da publicidade televisiva, agora nos força a engolir anúncios para justificar seus custos astronômicos.

E para quem deseja a experiência premium e sem propaganda, prepare o bolso, pois a conta sempre vai sair mais cara para o assinante.

E sobre a qualidade de imagem…

Lembra quando 4K, HDR e Dolby Atmos eram padrão nas plataformas?

Pois é, aqueles tempos dourados acabaram.

Sabán observou que, com exceção do Amazon Prime Video (que manteve UHD e HDR, mas perdeu o melhor som Dolby), todas as outras plataformas transformaram essas funcionalidades em itens premium.

Isso o que estamos testemunhando é basicamente a degradação do serviço de streaming diante dos nossos olhos.

O 4K pode não ser importante para quem não possui uma TV compatível. Porém, vários aparelhos podem suportar essa qualidade de imagem, e esses clientes simplesmente perderam o direito de poder assistir aos filmes e séries com essa alta resolução.

O que gera mais revolta em boa parte dos assinantes é o HBO Max, que tem um Full HD pior do que a primeira encarnação do serviço de streaming.

Ou seja, além de pagar mais, você ainda recebe menos qualidade.

É como comprar um hambúrguer que ficou mais caro, menor e ainda por cima queimado (ou mofado, que é algo pior do que queimado).

 

Uma conta que não fecha mais

Todas as principais plataformas de streaming decidiram promover uma “caça às bruxas” contra o compartilhamento de senhas, o que deixou o cenário péssimo para o consumidor.

A Netflix se lançou primeiro nessa cruzada, e todas as demais plataformas de streaming olharam para tudo com atenção, aprenderam o necessário e copiaram o modelo de negócios.

O Disney+ já implementou restrições efetivas, o HBO Max cobra US$ 7,99 por membros adicionais (nos EUA), e até o SkyShowtime não facilita mais o compartilhamento desde seu lançamento.

E tudo isso acontece ao mesmo tempo que os serviços ficam piores em todos os aspectos.

Para ter a experiência completa que era padrão há três anos – sem anúncios, com qualidade máxima e compartilhamento liberado – hoje você precisa desembolsar mais dinheiro do que custava assinar todas as plataformas principais no passado.

É como se o streaming tivesse virado uma versão digital da TV por assinatura tradicional, só que pior.

Sabe quem foi que fez isso e se deu muito mal?

Isso mesmo: a TV por assinatura.

As lições estão mais do que claras. Só não aprende quem não quer.

Sabán conclui com uma constatação dolorosa: o streaming não é mais o que conhecíamos. E faz tempo que isso está acontecendo.

A indústria “amadureceu” – eufemismo elegante para “ficou gananciosa” – e agora precisamos pagar pela conta das decisões questionáveis que as empresas vêm tomando.

Muitas pessoas simplesmente desistiram de ter mais do que duas plataformas de streaming, pois isso se tornou inviável e, ao mesmo tempo, pagar por um serviço que não se paga deixou de ser algo interessante.

O mais engraçado é que o autor do artigo original admite que sua revolta vai durar apenas o verão.

Porque, convenhamos, mesmo irritados, todos nós vamos continuar pagando para ver “The Last of Us”, “Andor” e “Round 6”.

As plataformas sabem disso, e é exatamente por isso que podem se dar ao luxo de nos tratar como gado.

Quando o coletivo mudar o seu comportamento diante dos abusos das plataformas de streaming, talvez (e com alguma sorte) algo pode mudar.

Mas enquanto alguém se manter como cliente pagante de um serviço que hoje entrega as migalhas do passado, as plataformas de streaming vão seguir entregando “qualquer coisa” como “produto de qualidade”.

 

Via Genbeta