
A Oppo, em parceria com a lendária fabricante sueca Hasselblad, apresentou o Find X9 Ultra. O dispositivo não é apenas um telefone; trata-se de uma declaração de guerra contra as câmeras dedicadas.
O objetivo da empresa é claro: reduzir a linha que separa a fotografia móvel da profissional, empilhando sensores gigantes e tecnologias inéditas.
Para entender a relevância do modelo, é necessário olhar para o contexto atual. Várias marcas chinesas, como a Vivo com o X300 Ultra, estão “mostrando força” no início de 2026, segundo analistas. A Oppo não poderia ficar para trás.
Diferentemente do irmão Find X9 Pro, que optou por um design de câmera mais discreto, o Ultra abraça o exagero. Ele vem com um módulo circular enorme e uma bateria de silício-carbono que promete mudar os hábitos de recarga.
A pergunta que fica é: será que tanto hardware se traduz em fotos realmente melhores no dia a dia?
A partir de agora, vamos detalhar cada aspecto do aparelho. Vamos explorar desde a tela de 144 Hz até os polêmicos 12 GB de RAM, passando pelo preço de 1.699 euros e pela disponibilidade (ou falta dela) no mercado brasileiro.
Design e construção: a alma da Hasselblad no bolso

O visual do Oppo Find X9 Ultra foi pensado para evocar emoção. Longe dos gradientes coloridos ou acabamentos espelhados, a Oppo buscou inspiração direta na câmera Hasselblad X2D. A versão “Tundra Umber” (principal na Europa) apresenta uma traseira dividida: uma parte em alumínio escuro e outra em couro vegano, criando uma pegada segura e uma estética séria, típica de equipamentos profissionais.
Há também a opção “Canyon Orange”, que traz um laranja vibrante para quem quer ousar. Em ambas, o nome Hasselblad aparece com tanto destaque quanto o da Oppo, evidenciando a profundidade da parceria. Um detalhe que chama a atenção é o botão lateral laranja, dedicado à captura de imagens, que imita o disparador das câmeras da marca sueca.
A construção precisa lidar com o peso da ambição fotográfica. O dispositivo pesa entre 235 e 236 gramas e tem mais de 9 mm de espessura na versão escura. Segurar o X9 Ultra por longos períodos pode cansar o dedo mindinho, mas essa massa extra é justificada pelo hardware interno.
A resistência é um ponto alto: o aparelho possui tripla certificação (IP66, IP68 e IP69), garantindo proteção contra jatos de água quente e imersão — algo raro até entre os tops de linha.
Tela e multimídia: brilho que (quase) cega

A experiência visual fica por conta de um painel AMOLED LTPO de 6,82 polegadas. A resolução QHD+ (3168 × 1440) garante nitidez de texto e riqueza em detalhes nas fotos. A grande novidade aqui é a taxa de atualização variável, que vai de 1 Hz (para economia) a impressionantes 144 Hz, superando os 120 Hz padrão da concorrência. Isso torna a navegação e os jogos compatíveis extremamente fluidos.
Em relação ao brilho, a fabricante anuncia pico de 3.600 nits. Contudo, testes práticos realizados por veículos especializados mediram cerca de 1.400 nits em condições reais de HDR. Embora seja um número alto, está aquém do prometido e pode dificultar a visualização sob sol forte, especialmente porque o aparelho esquenta em dias quentes (30 °C), fazendo o sistema reduzir o brilho automaticamente.
Para compensar, a Oppo caprichou na saúde ocular. Há tecnologia de PWM dimming a 2160 Hz para reduzir o cansaço visual, filtro de luz azul e até um recurso que alerta o usuário sobre a proximidade excessiva do rosto em relação à tela. Quem usa óculos escuros polarizados também se beneficia de um tratamento especial que evita o efeito “arco-íris” na tela.
Desempenho bruto: o novo rei do Snapdragon

Dentro do X9 Ultra pulsa o mais novo e potente processador da Qualcomm: o Snapdragon 8 Elite Gen 5. Esse chip é responsável por rodar o Android 16 (com a interface ColorOS 16) e por processar os enormes arquivos de imagem de 200 megapixels. A combinação com a GPU Adreno 840 garante que jogos pesados rodem sem engasgos no máximo de qualidade.
Um ponto que gerou controvérsia foi a memória RAM. Enquanto o modelo Pro veio com 16 GB, o Ultra estreia globalmente com 12 GB de RAM LPDDR5X. A especulação do mercado é que isso se deva a uma crise de componentes ou a uma decisão de corte de custos para manter o preço competitivo. A versão com 16 GB e 1 TB fica restrita ao mercado chinês. Para a maioria dos usos, 12 GB ainda são suficientes, mas falta aquele “fôlego extra” para segurar dezenas de apps pesados sem recarregar.
A conectividade é outro ponto forte. O smartphone suporta Wi‑Fi 7, Bluetooth 6.0 e NFC para pagamentos. A ausência de Ultra Wideband (UWB), tecnologia usada em rastreadores como a AirTag, é sentida, mas não chega a ser um impeditivo para a maioria. A Oppo também incluiu um “Snap Key”, botão lateral programável para ações rápidas, como abrir a lanterna ou registrar anotações por IA.
O sistema de câmeras: onde a mágica acontece

Chegamos ao coração do Oppo Find X9 Ultra. Se você ignorar o resto, preste atenção aqui. O conjunto fotográfico é, nas palavras da crítica especializada, “fora da curva”.
A Oppo montou um quarteto de lentes traseiras sem “encheção de linguiça” — ou seja, todas são realmente úteis. A inteligência aqui é a versatilidade, indo da ultra grande-angular a um zoom óptico de 10×.
Câmera principal e ultra grande-angular
O sensor principal é o Sony LYT-901 de 200 megapixels, com tamanho de 1/1,12 polegadas e abertura f/1.5. Ele captura muita luz, resultando em fotos noturnas limpas e com detalhes impressionantes. A distância focal de 23 mm (equivalente) é mais aberta que a do Vivo X300 Ultra, agradando quem gosta de registrar paisagens ou grupos em ambientes fechados.
Já a ultra grande-angular usa um sensor Sony LYT-600 de 50 megapixels (abertura f/2.0). A grande vantagem aqui é o foco automático e a distância focal de 14 mm (110° de campo de visão), que distorce pouco as bordas. Embora não tenha o mesmo nível de detalhe da lente principal, é um dos melhores angulares do mercado, servindo para fotos de arquitetura e imagens criativas.
O poder das duas telefotos (3× e 10×)
Este é o grande trunfo. Ao contrário da maioria dos celulares, que usa um sensor mediano para o zoom, a Oppo colocou dois sensores “monstruosos”:
- Telefoto 3× (retrato/macro): sensor OmniVision OV52A de 200 megapixels (tamanho de 1/1,28 polegadas). Ele é enorme para uma lente de zoom. Com abertura f/2.2 e distância focal de 70 mm, tira retratos com desfoque natural (bokeh) de nível profissional. Além disso, foca a apenas 15 cm de distância, funcionando como uma lente macro de altíssima resolução.
- Telefoto 10× (longa distância): sensor Samsung JNL de 50 megapixels (1/2,75 polegadas). Esta lente é uma raridade. Enquanto rivais usam zoom digital ou periscópios de 5×, o X9 Ultra oferece zoom óptico de verdade em 230 mm (equivalente a 10×). A abertura f/3.5 é mais fechada, exigindo boa luz, mas a estabilização por deslocamento de sensor (sensor shift) ajuda a evitar fotos tremidas ao fotografar a lua ou detalhes distantes.
Hasselblad e modo profissional
O software é crucial. A Oppo desenvolveu o “Modo Hasselblad Master”, que reduz a interferência de uma IA agressiva para oferecer controles manuais (ISO, velocidade do obturador, balanço de branco) e resultados com cores mais naturais, fiéis ao que a Hasselblad defende. Há também filtros que imitam filmes analógicos clássicos, embora alguns críticos achem o efeito pesado demais.
Vale destacar o recurso de gravação de vídeo. As quatro lentes traseiras gravam em 4K a 60 fps com Dolby Vision HDR, mantendo a consistência de cores entre elas. As câmeras principal e a telefoto de 3× vão além, entregando 4K a 120 fps para câmera lenta de altíssima qualidade, além de 8K a 30 fps para quem precisa de resolução máxima.
O acessório teleconversor

Para os realmente obcecados, a Oppo vende um kit chamado “Earth Explorer” (ou Hasselblad Limited). Ele consiste em uma capa com empunhadura e um adaptador que acopla uma lente externa de 300 mm (13×) sobre a lente telefoto de 3×. Isso resulta em um zoom óptico equivalente a 690 mm (30×), sem perda de qualidade. O acessório é robusto (metal e vidro), mas transforma o celular em algo maior do que uma câmera compacta, dificultando o transporte no bolso.
Preço e disponibilidade no Brasil
Agora, a parte que dói.
O Oppo Find X9 Ultra foi anunciado globalmente em 21 de abril de 2026. Na Europa, o preço oficial é de 1.699 euros (aproximadamente R$ 10.400 em conversão direta, sem impostos) para a versão única de 12 GB de RAM e 512 GB de armazenamento.
Situação no Brasil: a grande notícia é que a Oppo tem presença oficial no país. Contudo, até o fechamento desta análise, a fabricante não confirmou o lançamento do Find X9 Ultra em território brasileiro. Diferentemente de modelos como o Reno ou o Find N, a linha Ultra costuma ser restrita à Ásia e à Europa.
Considerando o histórico da marca, é provável que o aparelho não seja vendido oficialmente em lojas brasileiras (como Magazine Luiza, Amazon Brasil ou Mercado Livre, via canal oficial). Se aparecer, será por meio de importadores independentes ou lojas de importação.
Nesses casos, o preço pode facilmente ultrapassar a barreira de R$ 12.000 a R$ 15.000, devido aos altos impostos de importação e ao câmbio. Para efeito de comparação, o preço sugerido na Europa é o piso; no Brasil, espere pagar o dobro.
Durante o período de pré-venda (até 29 de abril), a Oppo Europa ofereceu brindes como o kit de lente (válido por 599 euros) ou um tablet Oppo Pad 5. No mercado cinza brasileiro, é improvável que esses brindes sejam incluídos.
Vale a pena?

Sim, para fotógrafos sérios e entusiastas. Não, para quem só quer um celular rápido para redes sociais. O conjunto de câmeras é imbatível, especialmente as duas telefotos, que entregam uma versatilidade que nenhum outro smartphone oferece em 2026.
O preço é proibitivo, e a falta de disponibilidade oficial no Brasil complica o suporte e a garantia. A bateria de 7.050 mAh dura dois dias, mas o peso e a espessura incomodam quem está acostumado a aparelhos mais finos.
Invista aqui se a fotografia móvel for uma paixão ou uma ferramenta de trabalho. Se você quer apenas registrar momentos ou jogar, um Galaxy S26 Ultra ou até o próprio Find X9 Pro entregam 90% da experiência por menos dinheiro e com mais praticidade.
Especificações técnicas: Oppo Find X9 Ultra
- Tamanho e peso: 163,16 × 76,97 × 9,10 mm (Tundra Umber) ou 8,65 mm (Canyon Orange); 236 g (Tundra) ou 235 g (Canyon).
- Tela: AMOLED LTPO de 6,82 polegadas, resolução QHD+ (3168 × 1440), 510 ppi.
- Taxa de atualização: 1 Hz a 144 Hz (adaptável).
- Brilho: 1.800 nits (HBM), 3.600 nits (pico anunciado).
- Proteção: Corning Gorilla Glass Victus 2 na frente.
- Processador: Qualcomm Snapdragon 8 Elite Gen 5 (4 nm).
- GPU: Adreno 840.
- RAM: 12 GB LPDDR5X (16 GB exclusivo para China).
- Armazenamento: 512 GB UFS 4.1 (1 TB exclusivo para China), sem slot para cartão.
- Câmera traseira principal: 200 MP (Sony LYT-901), f/1.5, 23 mm, OIS.
- Câmera ultra grande-angular: 50 MP (Sony LYT-600), f/2.0, 14 mm, 110°, autofoco.
- Câmera telefoto (3x): 200 MP (OmniVision OV52A), f/2.2, 70 mm, OIS, foco macro 15 cm.
- Câmera telefoto (10x): 50 MP (Samsung JNL), f/3.5, 230 mm, estabilização por deslocamento de sensor (Sensor Shift).
- Câmera frontal: 50 MP (Samsung JN5), f/2.4, 21 mm, autofoco.
- Vídeo: 8K a 30 fps; 4K a 120 fps (principal e 3x); 4K a 60 fps Dolby Vision HDR (todas as lentes).
- Bateria: 7.050 mAh (silício-carbono).
- Carregamento com fio: 100W SuperVOOC (0 a 100% em ~64 minutos), compatível com 55W USB-PD.
- Carregamento sem fio: 50W AirVOOC.
- Carregamento reverso: 10W.
- Sistema operacional: Android 16 com ColorOS 16.
- Certificação de resistência: IP66, IP68 e IP69 (protegido contra jatos de água quente).
- Conectividade: 5G, Wi-Fi 7, Bluetooth 6.0, NFC, USB-C 3.2 Gen 1.
- Áudio: alto-falantes estéreo com Dolby Atmos; sem conector P2 (padrão).
- Segurança: Leitor de impressões digitais ultrassônico sob a tela (com Splash Touch).
- Cores: Tundra Umber (marrom/preto) e Canyon Orange (laranja).
- Na caixa: Cabo USB-C, ferramenta de ejeção de chip, documentos (carregador vendido separadamente em algumas regiões).
