De graça, até injeção na testa. Ou os seus dados para a cafeteria.

As cafeterias japonesas conhecidas como Shiru Café oferecem o café, internet WiFi, assentos e outras comodidades sem cobrar nada ao consumidor. Nenhum tipo de transação é feita pelos pedidos. Mas tem uma condição (até porque não existe almoço grátis ou café grátis nessa vida): os clientes devem compartilhar os seus dados pessoais.

Nome, identificação da universidade que estuda, experiência laboral, tamanho da empresa que aspira estar no futuro, conhecimentos informáticos e outros dados são fornecidos pelo cliente para o estabelecimento. Esse é o preço da gratuidade.

O Shiru Café tem 21 lojas, onde a maioria delas estão localizadas em universidades do Japão e da Índia. Recentemente, ela abriu uma unidade nos Estados Unidos, gerando surpresa e discussão em relação ao seu método alternativo de pagamento.

 

 

Quem ganha com isso?

 

O modelo de negócio do Shiru Café se baseia no compartilhamento desses dados com empresas interessadas nos futuros profissionais. As empresas pagam para colocar sua publicidade no site da cafeteria e para comprar os dados dos estudantes.

E não são empresas pequenas: pelo menos no Japão, estamos falando de gigantes como Nissan, Microsoft e JP Morgan. Além disso, o café dve ser consumido dentro do estabelecimento, onde é possível usar a internet WiFi de graça, enquanto várias telas exibem publicidade o tempo todo.

O Shiru Café se compromete a compartilhar a informação apenas com os patrocinadores, que não devem liberar os dados para terceiros. Mas a ideia não agradou a todos, ainda mais com tantos escândalos de vazamentos de dados.

O objetivo da Shiru Café é ajudar os estudantes a facilitar a transição da vida acadêmica para o trabalho e capacitá-los para tomar decisões melhores.

Mas… não sei se os meus dados valem apenas um copo de café e internet sem fio. Entendo que valem muito mais do que isso. Mas também entendo que os viciados em café não vão pensar duas vezes na hora de realizar a troca.