
Para quem sempre achou que o TikTok era uma rede social problemática, com efeitos viciantes e extremamente prejudicial para o ser humano (e sempre foi criticado por ter essas opiniões), ao que tudo indica, a verdade finalmente apareceu.
O TikTok é sim viciante, e pode produzir esse efeito rapidamente no usuário. Não é necessária uma hora de uso na rede social para se tornar dependente na plataforma. E o mais grave de tudo isso é que, ao que tudo indica, a ByteDance sabia disso o tempo todo.
Não é a mesma coisa de cometer um crime de espionagem (algo que o governo norte-americano sempre acusou o aplicativo de fazer), mas não deixa de ser algo igualmente grave.
Conexão rápida e impacto profundo

A rádio pública dos EUA, NPR de Kentucky, acessou documentos internos do TikTok que detalham como seus algoritmos operam e influenciam os usuários.
Os documentos são considerados uma peça-chave no processo movido por 14 procuradores-gerais dos EUA contra a rede social de vídeos curtos e a ByteDance, sua responsável.
Segundo os documentos, em apenas 35 minutos e 260 vídeos, a rede social cria um perfil detalhado de seus usuários e pode viciá-los rapidamente, com efeitos mais eficientes especialmente entre os mais jovens.
O processo judicial alega que o TikTok tem uma influência negativa na saúde mental dos jovens, com o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, destacando que a plataforma deliberadamente prejudica essa faixa etária.
Estudos recentes mostram que 97% dos menores de 17 anos nos EUA usam a rede social, e metade dos jovens pesquisados desejam que o TikTok nunca tivesse existido.
Os documentos revelam que o TikTok tem conhecimento dos danos causados aos menores, e que a plataforma não possui funções executivas desenvolvidas para controlar o uso excessivo da plataforma.
A empresa também demonstrou relutância em remover contas suspeitas de pertencerem a menores de 13 anos, temendo perder usuários em larga escala.
Moderação falha nos conteúdos prejudiciais

Os documentos também revelam que os algoritmos de moderação do TikTok têm altos índices de falhas, permitindo que conteúdos proibidos permaneçam na plataforma.
Embora a empresa saiba que melhorias são necessárias na sua tecnologia, ela limita suas ações para evitar a redução do tempo de permanência dos usuários, mas sem banir os conteúdos inapropriados.
O documento interno deixa claro que o foco principal do TikTok é aumentar o tempo de uso, priorizando o engajamento dos usuários, mesmo em detrimento de medidas preventivas que poderiam melhorar a segurança da plataforma.
Resposta oficial do TikTok
Em resposta às acusações, o TikTok criticou a NPR por divulgar documentos confidenciais e afirmou que as informações foram retiradas de contexto.
A empresa defendeu suas medidas de segurança, como a remoção proativa de contas de menores e a implementação de ferramentas para limitar o tempo de tela e proteger crianças menores de 16 anos.
A seguir, a resposta do TikTok sobre o assunto:
“É altamente irresponsável para a NPR publicar informações que estão sob sigilo sumário. Infelizmente, esta queixa seleciona cuidadosamente cotações enganosas e tira documentos obsoletos do contexto para deturpar nosso compromisso com a segurança da comunidade. Temos fortes medidas de segurança, incluindo a eliminação proativa de contas de usuários, suspeitas de pertencer a menores, e lançamos voluntariamente funções de segurança, como limites de tempo de tela que estão ativos por padrão, ferramentas de sincronização familiar e limites de privacidade ativados por padrão, para crianças menores de 16 anos de idade.”

