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Supergirl nasceu morto? Ou fracasso na bilheteria será relativo?

Questiono com muita força as decisões tomadas por James Gunn para o lançamento de Supergirl. Não estou falando dos aspectos criativos, mas da própria logística de chegada do longa aos cinemas.

Pode ser um movimento pensado, mas… não é suicídio lançar esse filme na mesma janela de estreia de Toy Story 5, que é um sucesso até inesperado de público? Vendo de longe, a resposta natural seria SIM.

Mas existe um detalhe que muitas pessoas não estão observando. Mesmo com o orçamento de Supergirl explodir de forma surpreendente, e apesar da janela ruim de lançamento, estamos diante de um projeto que “se vendeu” em publicidade, o que pode cobrir eventuais fracassos de bilheteria.

Sem falar nos outros acordos de distribuição que a Warner Bros. Discovery possui para esse projeto.

Será que a conta fecha neste caso?

 

O aumento inesperado do orçamento

A produção de Supergirl chamou atenção do público e da indústria quando começaram a circular estimativas indicando que o orçamento havia ultrapassado o planejado. Esse tipo de escalada financeira não é incomum em grandes produções, mas no caso do filme, o salto foi significativo o bastante para gerar preocupação entre analistas.

A combinação de efeitos especiais complexos, refilmagens e ajustes criativos contribuiu para esse cenário. O que pode indicar eventuais problemas de produção que podem ser revelados no futuro.

Outro fator que costuma elevar custos é a necessidade de alinhar o filme ao universo compartilhado da DC. Cada mudança estrutural exige revisões de roteiro, novas cenas e, muitas vezes, contratação de equipes adicionais. Isso cria um efeito dominó que pressiona ainda mais o orçamento.

Para um estúdio que busca reconstruir sua reputação, cada decisão pesa. E muitos afirmam que Supergirl pode selar de vez o futuro de James Gunn na DC Studios.

Para o bem. E para o mal também.

Além disso, o mercado atual está menos tolerante a gastos excessivos. Após sucessivos fracassos de bilheteria em Hollywood, investidores e executivos passaram a exigir mais previsibilidade.

Quando um projeto como Supergirl apresenta sinais de descontrole financeiro, o alerta amarelo acende imediatamente. E todo mundo está em modo “compasso de espera”, só para descobrir quais serão os números que esse projeto pode entregar nas bilheterias.

Falando nisso, temos más notícias para Gunn e Safran.

 

A queda nas projeções de bilheteria

Enquanto o orçamento subia, as previsões de bilheteria começaram a cair.

Analistas apontaram que o interesse do público estava abaixo do esperado, especialmente quando comparado a outros lançamentos de super-heróis. O descompasso entre investimento e retorno potencial é um dos maiores temores de qualquer estúdio.

Ainda mais para a DC Studios, que está reconstruindo a sua reputação, depois do fracasso do Snyderverso (sim… foi um fracasso, mesmo que você pense o contrário).

A recepção morna aos materiais promocionais também contribuiu para o pessimismo. Com um mercado saturado de estreias e uma forte concorrência de uma estreia de um filme Disney/Pixar, trailers e teasers precisam causar impacto imediato, e quando isso não acontece, a percepção geral tende a se deteriorar rapidamente.

Isso afeta não apenas o público, mas também parceiros comerciais e distribuidores. Pense em todas as marcas que investiram em Supergirl para ações de product placement dentro do filme, e já dá para imaginar alguns executivos um tanto quanto desesperados.

Outro ponto relevante é o desgaste do gênero de super-heróis.

Muitos espectadores demonstram cansaço diante de narrativas repetitivas, e isso influencia diretamente as projeções. Mesmo personagens queridos precisam de diferenciais claros para atrair atenção — e, no caso de Supergirl, essa diferenciação ainda não estava evidente para parte do público.

 

Caminhos possíveis para reverter o cenário

Alguns especialistas apontam que ainda há soluções viáveis para recuperar o interesse do público.

Uma das estratégias mais citadas é o reposicionamento da campanha de marketing, destacando elementos únicos da protagonista e reforçando a conexão emocional com a história. Isso pode funcionar para atrair público, mas flerta com sérios riscos de irritar o espectador, que vai descobrir que a história não chega perto do que o trailer entrega.

Outra possibilidade é apostar em exibições antecipadas para influenciadores e críticos selecionados. Quando bem executada, essa tática pode gerar comentários positivos e criar um efeito de curiosidade orgânica.

Em tempos de redes sociais, uma boa reação inicial pode transformar completamente a percepção do público. Porém, Supergirl não consegue entregar esse tipo de resposta daqueles que assistiram ao filme antes do grande público.

Será que faltou investimento por parte da WBD para essa parte também (digo, em turbinar esse tentativa de influenciar através dos feedbacks positivos).

Além disso, ajustes finais no tom do filme podem ajudar a alinhar expectativas. Pequenas mudanças na edição, trilha sonora ou ritmo narrativo podem tornar a experiência mais envolvente.

Não são mudanças que podem resolver os problemas estruturais do filme, mas podem melhorar a recepção geral com o passar do tempo.

E Supergirl vai ter que depender dessas mudanças para motivar o boca a boca de quem assistiu ao filme. Por conta própria, a impressão que fica é que o longa não consegue convencer a ninguém.

 

A conta vai fechar para Supergirl?

É possível que sim, mas… a que custo?

Financeiramente falando, esse filme só será um fracasso se a bilheteria for MUITO RUIM, o que não acredito que vá acontecer. Até porque os públicos de Supergirl e Toy Story 5 não são exatamente os mesmos.

O filme da Pixar deve solapar na bilheteria, pois naturalmente o ar mais familiar do longa atrai mais público (afinal de contas, famílias). E, para a sorte de James Gunn, o filme da prima do Superman tem pelo menos um mês para arrecadar.

O grande problema de Supergirl é o que estreia em julho: Homem-Aranha: Um Novo Dia.

Quando a Sony lançar esse filme, não vai ter mais nada para todo o resto. Até lá, que a Warner Bros. Discovery tenha feito todo o trabalho possível para impulsionar o seu longa.

Se conseguir, soma bilheteria, publicidade enfiada goela abaixo e acordos de distribuição com meio mundo para justificar todos os US$ 175 milhões investidos nesse filme.

E então, só restará à James Gunn torcer (e muito) para que o novo dono da WBD decida manter o seu emprego.