
A gritaria foi geral nas últimas semanas.
Ao ligar os equipamentos do grupo Star Home (HTV e UniTV), muitos usuários se depararam com um vazio no lugar onde antes ficavam os canais ESPN.
A sensação?
A mesma de chegar na padaria e descobrir que o pão francês acabou: dá para viver sem, mas a rotina fica muito menos divertida, especialmente em um ano cheio de campeonatos importantes.
Acontece que um grupo específico de usuários ainda está assistindo aos jogos exibidos pela ESPN, o que acaba resolvendo (de alguma forma) a limitação estabelecida pela plataforma. O grande problema é que essa solução não está disponível para todos os usuários dos dispositivos.
Disney e Anatel podem sim estarem envolvidas na retirada dos canais ESPN dessas plataformas. Mas essa seletividade da solução alternativa levanta questionamentos razoáveis sobre a postura da Star Home para lidar com o caso.
Neste artigo, vamos destrinchar o que está acontecendo, explicar o que muda para o seu bolso e, claro, responder à pergunta que não quer calar: dá pra dar um jeito de assistir aos jogos ou é hora de partir para outra?
#SPOILER: talvez a Star Home esteja tentando forçar uma mudança de equipamento…
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A dança das cadeiras no streaming

Antes de culpar apenas a “pirataria”, é preciso entender o contexto.
A própria ESPN, ou melhor, a Disney, já está de malas prontas para deixar de ser um canal de TV “tradicional” para se tornar um cardápio dentro do streaming. Desde o começo de 2025, a empresa vem enxugando sua presença na TV paga, e os canais esportivos são os que resistiram nas operadoras de TV por assinatura.
Agora, o alvo da Disney está nos serviços não oficiais, com o claro objetivo de concentrar todo o conteúdo esportivo no Disney+, que virou um agregador de eventos ao vivo. Ou seja, antes mesmo de qualquer bloqueio, a ESPN já está, de alguma forma, saindo de cena para virar um produto mais exclusivo e caro dentro de um ecossistema fechado.
E qualquer serviço que esteja no caminho do Mickey para este objetivo será penalizado. Não importa qual.
Logo, partindo dessa premissa, fica correto entender que, sim, o argumento da Star Home sobre a retirada dos canais lineares da ESPN de suas plataformas é algo plausível. Se já está difícil manter os serviços da UniTV e da HTV ativos diante de tanto caos, que dirá quando o Mickey raivoso está atrás de você.
Mas nada é tão simples que não possa piora.
O efeito “jogo grande” e a mira da Anatel
Se você acha que a fiscalização contra o streaming ilegal é a mesma de sempre, está enganado.
Em 2026, a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) intensificou as ações de combate ao conteúdo ilegal. A agência já conta com recursos e soluções para identificar padrões de tráfego de servidores de IPTV e equipamentos de TV Box e, com base nesses dados, tomar as providências necessárias.
Isso significa que sua internet pode funcionar perfeitamente para o YouTube, mas pode ficar propositalmente lenta ou bloqueada ao tentar acessar os servidores da UniTV que retransmitem de forma ilegal os canais ESPN.
Quanto maior a audiência de um evento, como a Copa Libertadores, maior a mira, e a ESPN, por ser um dos canais mais vistos, virou um alvo prioritário. Na prática, temos aqui um termômetro do uso em massa da pirataria, o que ajuda a estabelecer ações mais incisivas para combater a prática.
Por que outros canais funcionam e a ESPN não?

Essa é a pergunta que não quer calar. E a resposta está, é claro, no bolso.
Canais de esporte ao vivo têm uma segurança muito mais rigorosa devido ao alto valor dos contratos de transmissão. Diferente de um filme ou série, que pode ser reproduzido de fontes secundárias, o sinal ao vivo da ESPN é monitorado de perto por um departamento jurídico bilionário.
Há relatos de que notificações extrajudiciais foram disparadas contra dezenas de serviços não oficiais nas últimas semanas, exigindo a remoção imediata do sinal. E, ao contrário de canais menores, ignorar um chamado da Disney é assinar o atestado de óbito do serviço.
Bem sabemos que a grande maioria dos clientes que compraram um equipamento da BTV, UniTV, STV, HTV e derivados investiram o dinheiro por causa da programação ao vivo e, de forma mais específica, dos canais de esportes e notícias.
Agora, correr o risco de ter toda a plataforma derrubada por causa da pressão judicial exercida pelo jurídico da Disney é algo que, para muitos serviços, é inaceitável. A pera de usuários seria enorme, deixando a situação ainda mais complexa para as plataformas alternativas.
Foi uma jogada de xadrez dos servidores: prefere perder seis canais ou a lista inteira?
A resposta é bem óbvia. Mas isso não quer dizer que as plataformas alternativas não deram um jeito de resolver o problema.
O que as plataformas estão fazendo na prática?

Diante desse cenário, a UniTV e a HTV tomaram decisões ligeiramente diferentes, mas com o mesmo objetivo: sobreviver.
A UniTV soltou um comunicado discreto para os seus clientes, afirmando que os canais ESPN estavam gerando “instabilidade no sistema”. Na prática, isso significava que o servidor estava na lista negra da Anatel e precisava sair dela urgentemente.
Removendo os canais mais visados, a plataforma consegue continuar operando com o restante da grade — filmes, séries e novelas — sem levantar bandeiras vermelhas. Para o fã de futebol, no entanto, a solução foi amarga e, ao mesmo tempo, aparentemente necessária.
Lembrando sempre que estou apenas reproduzindo o que foi compartilhado como comunicado oficial da UniTV sobre a situação. Isso não necessariamente quer dizer que estou acreditando nisso. Porém, como o meu trabalho é informar sobre as narrativas vindas das marcas, estou fazendo a minha parte.
Já nos dispositivos da HTV, as coisas ficam um pouco mais interessantes.

Nos modelos mais recentes da HTV, como H8, H9 e H7, muitos usuários perceberam que, embora o canal não esteja na grade tradicional, o sinal aparece dentro de uma aba específica de “Jogos”.
Em transmissões recentes, como partidas da Libertadores, o jogo aparecia na lista e, ao clicar, o canal exibido era a ESPN. No entanto, essa é uma solução temporária e não funciona para todos.
Dispositivos como S1, H5, H3 e TG Stick, por exemplo, não possuem essa função e ficaram completamente de fora.
E é aqui que precisamos aprofundar essa conversa para um tópico mais indigesto.
Uma obsolescência programada disfarçada?
A partir de agora…
[TEORIA DA CONSPIRÇÃO MODE ON]
Apenas os modelos H9, H8 e H7 contam com a tal aba “Jogos” que, por sua vez, exibe os jogos transmitidos pela ESPN. Não é a mesma coisa que ter o canal linear (e quem gosta de diferentes esportes – e não apenas do futebol – saiu prejudicado do mesmo jeito), mas é melhor do que nada.
Mas… e os usuários dos outros modelos? Daqueles modelos mais antigos (do H6+ para baixo), que já contaram com relativas dificuldades para serem recuperados do último apagão e que, olha só, que coincidência #ironic, não estão mais no mercado (e não geram lucros para a Star Home)?
Durante um bom tempo, especulou-se a possibilidade de a mesma Star Home “largar a mão” dos usuários de modelos mais antigos, por entender que esses equipamentos já estão funcionando por tempo demais no mercado. Encerrar o ciclo de vida de um produto através da obsolescência é algo justo, pois a tecnologia precisa avançar e a roda da economia precisa seguir girando.
Afinal de contas, se o H5 ou H3 funcionar bem para sempre, não há motivos para você investir o seu dinheiro no H9, não é mesmo?
O que é passível de crítica (mais uma vez, já que não é a primeira vez que essa possibilidade é abordada) é a possibilidade de a Star Home agir por método e escolha. Deixar os modelos desatualizados e, no caso específico do UniTV S1 (já que as outras versões dos equipamentos dessa marca são clones), aquele dispositivo com menor conversão de lucro é, neste momento, uma infeliz coincidência.
Ou uma escolha para impulsionar as vendas dos novos equipamentos.
[TEORIA DA CONSPIRÇÃO MODE OFF]
Em teoria, é uma questão de software

Pense um pouco comigo.
Se a aba “Jogos” ainda exibe as partidas transmitidas pelos canais ESPN, é fato que o sinal desses canais está passando pelos servidores e chegando até o usuário de alguma forma. E, em teoria, o argumento do “os canais geram instabilidade técnica” está parcialmente derrubado.
Até porque a demanda para assistir aos conteúdos exibidos é praticamente a mesma. A grande maioria da audiência da ESPN está lá pelo futebol. O público acumulado para os demais esportes é muito menor.
Mas vamos acreditar que é isso o que está acontecendo.
Para os demais modelos, o único empecilho técnico para que a aba “Jogos” não apareça na plataforma é o software. Seja pela incompatibilidade de versão (por ser um Android mais antigo), seja porque existe uma má vontade da Star Home em adicionar a nova aba na interface dos equipamentos antigos, o problema aqui existe pelos agentes internos, e não externos.
Eu entendo que a mesma versão do app de TV do H9 não roda no H6 ou H5. Mas… será que a Star Home não tem mesmo profissionais de programação aptos a trabalhar na inclusão desse hub de “Jogos”?
Não estou afirmando que é algo simples de ser feito. Mas é, em teoria, algo tangível, possível e acessível. Não é exatamente a reinvenção da roda ou a descoberta para a cura do câncer.
Enquanto a Star Home não se pronunciar oficialmente sobre o assunto, vai ficar essa nuvem de incertezas pairando na cabeça dos clientes. E a possibilidade de tudo isso ser um movimento calculado para estimular as vendas de modelos mais recentes da HTV não pode ser descartada.
Cobrar pelos esportes em separado?

E quem duvida?
Essa é outra possibilidade para que a Star Home mantenha o serviço minimamente sustentável, gerando um ativo constante que seus dispositivos nunca conseguiram alcançar desde o lançamento dos modelos.
Com o entendimento comum de que o esporte ao vivo é, talvez, o principal motivo para investir dinheiro em um equipamento de IPTV alternativo. E nem precisa pensar muito longe: as plataformas de TV por assinatura e o mercado como um todo também sabem disso, já que os investimentos no segmento só aumentam.
Não é mera coincidência ver vários canais esportivos aparecerem nos últimos anos, e os acordos comerciais pelos direitos de exibição dos jogos da Copa do Mundo FIFA 2026 foram os maiores da história. Logo, o segmento está mais do que aquecido, e todos estão tentando aproveitar o momento para surfar na onda de alguma forma.
Logo, por que o grupo Star Home não faria o mesmo?
Estabelecendo uma segmentação específica de programação voltada para um público direcionado, a empresa poderia converter o cliente passivo em usuário ativo, o que se converte em uma maior arrecadação de receita.
Dependendo do valor a ser cobrado, é certo que algumas pessoas não vão se incomodar em pagar um valor menor para assistir apenas ao conteúdo que realmente importa, deixando de lado os canais que são considerados descartáveis ou inúteis.
Nada está cravado em pedra, mas não será nenhuma surpresa ou absurdo se, no futuro, a segmentação esportiva paga se tornar uma realidade nos equipamentos HTV e UniTV. É um caminho bem lógico, crível e aceitável para esse tipo de proposta.
E agora, como assistir aos jogos?
Para quem não abre mão da estabilidade e quer fugir da dor de cabeça de ver o jogo travar no momento do gol, a solução em 2026 passa longe dos servidores alternativos.
Fato é que a escolha que entrega o menor índice de problemas (e, acredite, eles existem) ainda é a TV paga oficial, nos seus mais diferentes cenários. E digo isso ciente de que não vou agradar a todos (na verdade, alguns nem vão entender direito por que escrevi este artigo, mas vou aprender a lidar com isso).
Abaixo, um comparativo das principais alternativas legais:
- Vivo TV: É a opção mais em conta para quem já é cliente Vivo. Por cerca de R$ 45 mensais, você tem acesso à ESPN com qualidade e estabilidade. Para quem quer todos os canais do grupo, o valor sobe para R$ 65. A desvantagem é que o serviço é exclusivo para os assinantes da Vivo.
- Disney+: Se você busca a experiência completa, essa é a casa oficial da ESPN. O plano custa a partir de R$ 66 por mês (ouch) e inclui não só os esportes ao vivo, mas todo o catálogo da Disney, Marvel e Star Wars. É a solução mais completa para entretenimento.
- Zapping IPTV: Diferente dos serviços piratas, o Zapping é um serviço de IPTV 100% legalizado no Brasil. Por R$ 89,90 mensais, você tem acesso à ESPN e dezenas de outros canais, funcionando em Smart TVs e celulares sem precisar de antena.
- Claro TV+: Para quem prefere um pacote tradicional de TV por assinatura ou o IPTV via aplicativo ou Box, a Claro oferece os canais ESPN em seu serviço online por cerca de R$ 79,90. É uma opção sólida para quem quer variedade de canais.
O futuro do futebol na TV Box alternativa
A retirada da ESPN do UniTV e da HTV não é um acidente operacional. É um movimento que pode sim muito bem ser orquestrado por forças de mercado (a Disney querendo empurrar o streaming), forças legais (a Anatel fazendo seu trabalho) e forças de sobrevivência (os servidores se escondendo para não morrer).
O tempo do “tudo grátis e sempre disponível” para conteúdo de altíssimo valor, como futebol ao vivo, parece mesmo estar com os dias contados.
Para quem não abre mão do futebol ao vivo, a equação ficou mais simples, ainda que mais cara: ou você desembolsa um valor mensal e dorme tranquilo sabendo que o jogo vai passar sem engasgos, ou você sai caçando alternativas em aplicativos menores, sempre com a espada da fiscalização pendurada sobre a cabeça.
Agora queremos saber de você: Vai migrar para os serviços oficiais ou continuar tentando a sorte nas abas alternativas?
No final, a escolha, como sempre, é só sua.
