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Smartphone, o novo rei das transações bancárias no Brasil

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O celular se consolidou como o principal meio de acesso a serviços bancários no Brasil em 2024, sendo responsável por 75% de todas as transações financeiras realizadas no país. Esse dado é resultado da 33ª edição da Pesquisa de Tecnologia Bancária da Febraban, realizada em parceria com a Deloitte e divulgada durante o evento Febraban Tech 2025.

O levantamento aponta um crescimento de 15% nas movimentações via mobile banking em relação ao ano anterior, atingindo 155 bilhões de transações em dispositivos móveis.

O comportamento do usuário também mudou: agora, cada correntista realiza, em média, 55 operações por mês pelo celular, um aumento em comparação à média de 48 no ano anterior. Isso demonstra não apenas maior adesão, mas também maior frequência no uso.

 

 

Pix se expande e se diversifica

A pesquisa revela ainda que os canais digitais, somando mobile e internet banking, representaram 82% do total de transações bancárias, um aumento de dois pontos percentuais em relação a 2023.

Por outro lado, os canais físicos seguem em queda, com apenas 5% de participação em 2024. O internet banking segue relevante, sobretudo para pessoas jurídicas, com 79% das transações empresariais sendo realizadas por essa via.

Independentemente dos números revelados, uma coisa é fato: o Pix continua sendo a principal ferramenta de pagamento do brasileiro.

Somente via celular, foram realizadas 24,7 bilhões de transações em 2024, um aumento de 41% em comparação a 2023. No internet banking, o Pix também cresceu 20%, mostrando que o sistema instantâneo de pagamentos não está restrito ao canal móvel, embora ele o lidere com folga.

Também se destacam os pagamentos de contas (+32%) e os depósitos (+70%) via mobile, enquanto operações tradicionais como TED caíram 36%.

A adesão intensa ao Pix fica evidente pelo aumento no número de heavy users – clientes que realizam mais de 30 transações mensais (pessoa física) ou mais de 50 (pessoa jurídica).

Em 2024, esse grupo cresceu 38%, somando 65,4 milhões de usuários. Além disso, o uso do Pix em maquininhas de pagamento (POS) subiu 70%, indo de 775 milhões para 1,3 bilhão de operações.

Ainda assim, o cartão de crédito segue firme no mercado. As transações com crédito cresceram 15%, passando de 8 bilhões para 9,5 bilhões.

Segundo Rodrigo Mulinari, diretor da pesquisa, o Pix não está canibalizando o cartão de crédito, apesar de avançar em outras frentes. Por outro lado, o cartão de débito registrou leve retração de 3%, caindo para 15,5 bilhões de operações.

 

Open finance: maturidade e novos serviços

O sistema financeiro aberto também avança de forma expressiva. As chamadas para APIs de open finance cresceram 116% em 2024, saltando de 52 bilhões para 112 bilhões.

A maior parte dessas chamadas (99%) está concentrada na fase 2, que inclui dados cadastrais e transacionais. APIs de contas, recursos e cartões de crédito são as mais acessadas. As fases 3 (iniciação de pagamentos) e 4 (dados abertos) também apresentaram crescimento, mas ainda com menor volume.

O volume de consentimentos para open finance também subiu de forma robusta: na pessoa física, o crescimento foi de 28% (de 37 milhões para 47 milhões), enquanto na pessoa jurídica a alta foi de quase 40% (de 20 milhões para 27 milhões).

Com isso, surgem novos modelos de serviços, como os agregadores financeiros, hoje oferecidos por metade das instituições financeiras brasileiras.

Esse tipo de serviço, que permite ao cliente visualizar informações bancárias de diferentes contas em um só lugar, é utilizado por 2,7 milhões de brasileiros, um crescimento de 70% frente a 2023.

 

Investimentos em tecnologia sustentam avanço

O crescimento do mobile banking e do open finance é sustentado por investimentos robustos em tecnologia por parte dos bancos. Em 2023, o setor bancário brasileiro investiu R$ 42 bilhões em TI, e a expectativa é que esse número chegue a R$ 47 bilhões em 2024.

Segundo Carolina Sansão, da Febraban, o setor também está estudando como integrar o Pix a novos ambientes, como boletos bancários e compras no crédito, o que pode ampliar ainda mais sua presença nos canais digitais.

 

Via Teletime


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