Sega fecha seus prédios de arcades em Akihabara: o fim de uma era

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Eu sou um geek velho. E pior: estou virando um geek nostálgico com o passar do tempo.

Ultimamente, minha mente está recebendo visitas de memórias do passado que são muito boas. Muitas dessas memórias estão relacionadas com o mundo da tecnologia, obviamente. Sobre o mundo dos videogames, eu me lembro muito bem em como era a minha vida nos fliperamas, algo que o geek jovem nunca viveu em um tempo onde todo mundo joga online.

Tá, ainda dá para encontrar alguns fliperamas escondidos em determinados shoppings espalhados pelo Brasil, mas até eu reconheço que tais locais estão abandonados às moscas.

Fliperamas ou casas de jogos eletrônicos eram grandes salas comerciais lotadas de máquinas com games e adolescentes com pouco dinheiro e muitas fichas no bolso. Para muitos de nós que estão na casa entre os 40 e 50 anos de idade, foi nesses locais que o amor pelos videogames começou.

Foi em fliperamas que conhecemos jogos clássicos como Street Fighter 2 e Mortal Kombat, perdemos todo o nosso dinheiro em Sunset Riders e, obviamente, encontramos alguns dos melhores jogos da Sega destinados para essas máquinas eletrônicas, como Virtua Racing, Virtua Fighter e Daytona USA.

Pois é… bons tempos que não voltam mais…

E que, a partir de agora, estão chegando ao fim de vez.

 

 

 

O fim de uma era para a Sega

 

 

A Sega tomou a triste decisão de fechar todas as suas salas de máquinas recreativas da região de Akihabara, em Tóquio (Japão), e isso representa um duro golpe para qualquer fã de videogame. E você, que só é fã de tecnologia, deveria sentir a punhalada pelas costas também.

Você pode não saber o que exatamente representa a região de Akihabara para o mundo da tecnologia (e deveria), mas eu estou aqui para explicar: essa é a região mais tecnológica da capital japonesa, onde estão as principais lojas de eletrônicos, produtos de informática, smartphones, gadgets e, é claro, games.

É a Santa Ifigênia sem ter a Cracolândia como vizinha. É o AliExpress antes mesmo do site chinês ser inventado. É o lugar onde qualquer geek quer passar o resto de seus dias.

Ou seja, se a Sega está fechando os seus fliperamas ali, é sinal que o negócio morreu de vez.

Porém, não estamos falando de simples portas com o Tio Zé de barriga de fora vendendo fichas para a molecada. A Sega sempre fez coisas grandes para promover sua marca e as suas franquias. E as casas recreativas da empresa são prédios enormes, com vários andares e totalmente estilizados.

A Sega era chamativa por dentro e por fora com as suas casas de fliperama. Eram andares repletos de máquinas rodando jogos incríveis, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Se você queria jogar um game às quatro da manhã de uma terça-feira sem se importar se ia dormir na escola ou no trabalho na quarta-feira, esse era O LUGAR PERFEITO.

Com esses prédios incríveis, a Sega ajudou a construir toda uma cultura de jogos eletrônicos em Akihabara. O local deixou de ser a referência para a compra de games e eletrônicos para ser o local onde os fãs de games se encontravam para jogar as suas partidas em grupo.

Porém, veio o ano de 2020, e…

 

 

 

Mais uma vítima de um ano caótico

 

 

Com o confinamento obrigatório por conta de uma crise sanitária global, os fliperamas da Sega e de toda Akihabara tiveram que fechar as portas. E assim como aconteceu com vários outros segmentos de mercado, a empresa japonesa não aguentou o golpe financeiro, e decidiu fechar as portas nesse setor.

Algo compreensível. Esse é um dos setores da economia que depende de aglomerações para ser rentável. E entendo que dificilmente veremos casas de fliperama lotadas de adolescentes novamente porque, convenhamos, vamos ter que escolher o tipo de aglomeração que vamos nos envolver daqui para frente.

É uma pena. A Sega abandona um legado cultural que era muito relevante para os gamers. Vamos sentir falta de ver esses prédios suntuosos em plena atividade, mesmo que a maioria de nós jamais tenha sequer chegado perto deles.

Sinal dos novos tempos. Sinal do novo normal.

 

 

 

Via Yahoo! Japan


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